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Brent despenca 16% na manhã do dia após cessar-fogo temporário e abertura em Ormuz
Publicado 08/04/2026 • 07:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 08/04/2026 • 07:00 | Atualizado há 2 meses
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Brent recua 13% na manhã após cessar-fogo temporário e abertura em Ormuz, negociado a US$ 94
Às 10h22 (horário de Brasília) o contrato futuro do petróleo Brent, com vencimento em junho de 2026, despencava 16,8% na InterContinental Exchange (ICE), nesta quarta-feira (8), negociado a US$ 90,87, após o acordo de cessar-fogo temporário entre EUA e Irã, divulgado na noite de ontem.
🔍 O Brent é o principal índice de referência para o preço do petróleo no mercado internacional. Quando analistas e mercados falam em “preço do petróleo”, geralmente é o Brent que está sendo citado. No Brasil, a Petrobras utiliza o Brent como referência para definir o preço de importação e exportação do óleo cru, o que torna suas oscilações diretamente ligadas ao custo dos combustíveis praticados no país.
Leia também: Trump suspende ataque ao Irã por duas semanas, condicionado à abertura do Estreito de Ormuz
Segundo os especialistas ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC -, a percepção do mercado é que agora, de fato, as negociações de paz devem ir adiante à medida em que a fala do mandatário americano foi corroborada por autoridades do país persa.

Leia também: Irã confirma cessar-fogo com EUA e reabertura de Ormuz por duas semanas
Com a distensão do conflito, analistas esperam que os preços se mantenham em níveis mais controlados. “Depois de quase oito ameaças, a ideia é que não vai ter ataque sobre a infraestrutura iraniana nem um contra-ataque à Arábia Saudita e ao Catar. Não é como se a situação voltasse ao pré-guerra, mas evita um colapso que comprometeria as produção pelos próximos anos”, diz Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
Segundo o especialista, o gesto representa que evitou-se o pior, o que implica em uma alívio para os mercados financeiros: bolsas para cima, dólar para baixo e curvas de juros descomprimidas.
A tendência de acomodação deve persistir, mas com ressalvas importantes, segundo Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor. Ele lembra que o cessar-fogo é de apenas duas semanas, o que quer dizer que a tensão não foi resolvida, apenas pausada.
“Há também uma leitura política relevante: o acordo representa, na prática, uma concessão de Trump, que encontrou dificuldades em superar a capacidade defensiva iraniana. Isso enfraquece a posição americana e mantém a incerteza na mesa, o que deve evitar uma queda mais pronunciada e sustentada do barril”, afirma.
Ainda assim, a commodity não deve retornar aos patamares anteriores à guerra, na casa dos US$ 60, à medida que o terreno permanece arenoso, o fluxo ainda está prejudicado e a cadeia de suprimentos deve seguir tensionada. “Além disso, a demanda global por energia permanece robusta, especialmente da China e da Índia. A OPEP também tende a calibrar a produção para evitar quedas mais acentuadas, o que cria um piso natural para o barril”, continua Simão.
Conforme as tensões de guerra se acomodam, o petróleo tende a operar em patamares mais racionais. Para Simão, o momento pode ser um ponto de entrada para quem quer se aventurar no mercado da principal commodity.
“Empresas como Petrobras e PetroRecôncavo seguem com geração de caixa livre sólida e capacidade de remunerar bem o acionista. O investidor que busca renda e tem horizonte de médio prazo ainda encontra valor nessas teses, desde que monitore de perto a evolução das negociações com o Irã e o comportamento da OPEP”.
Ainda faz sentido investir em petróleo, mas não é mais aquele momento fácil de ganhar dinheiro rápido com a alta dos preços, diz Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. “A valorização impulsionada por tensões geopolíticas já aconteceu em parte, então o ‘timing perfeito’ passou. Agora, o cenário é mais seletivo”, diz.
A distribuição de dividendos das petroleiras deve ser impactada marginalmente no curto prazo, via compressão de preço realizado, afirma o especialista, mas ainda em patamar elevado historicamente. “O impacto mais relevante é o aumento da volatilidade de receita e capex (investimentos nas empresas), que tende a tornar a política de proventos mais conservadora se o cenário de instabilidade persistir”, destaca.
Para ele, companhias deste setor operam confortavelmente com petróleo na faixa de US$ 60 a US$ 80, onde há equilíbrio entre geração de caixa, disciplina de capital e estabilidade de demanda. Acima disso, diz Sidney, o ganho marginal aumenta, mas com maior risco de destruição de demanda e intervenção política.
O mercado futuro funciona como um acordo de compra e venda com data marcada. Uma parte se compromete a comprar, a outra a vender, uma quantidade específica de petróleo a um preço fixado hoje, com entrega em uma data futura.
Cada contrato carrega um mês de vencimento, que indica quando a entrega física ocorreria. O de junho de 2026, por exemplo, representa o petróleo com entrega prevista naquele mês. Conforme junho se aproxima, esse contrato expira e o mercado passa a adotar o de julho como referência.
O contrato mais próximo do vencimento que ainda está sendo negociado ativamente é chamado de front month. É ele que aparece nos terminais financeiros, nas agências de notícias e no noticiário como “o preço do petróleo hoje”. O front month concentra o maior volume de negócios e a maior liquidez, tornando-se referência tanto para o mercado físico quanto para as refinarias.
Quando o front month se aproxima do vencimento, os investidores que não pretendem receber o petróleo fisicamente encerram suas posições e migram para o contrato seguinte. Esse é o rollover, e é exatamente o que aconteceu entre ontem e hoje.
Há dois grandes grupos no mercado futuro. O primeiro reúne os chamados hedgers: companhias aéreas, transportadoras e refinarias que usam os contratos para travar um preço e se proteger de oscilações. O segundo é formado por especuladores, que nunca pretendem receber o petróleo de fato. Eles compram e vendem contratos apostando na direção dos preços.
A maioria dos contratos é encerrada antes do vencimento, com a posição sendo revendida no mercado. Quem mantém o contrato até o fim acerta a liquidação financeira – a diferença entre o preço travado e o preço de mercado na data de vencimento – sem movimentar um barril sequer.
O Brent é a principal referência internacional de preços do petróleo. Quando tensões no Oriente Médio elevam as expectativas de escassez, os contratos futuros sobem, e esse movimento se reflete nos preços de importação praticados no Brasil, pressionando o custo do diesel nas refinarias e, depois, nos postos de combustível.
O fechamento do Estreito de Ormuz adiciona uma camada de incerteza ao cenário. O corredor liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é rota de passagem de parcela relevante do petróleo exportado por Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Irã. Com o estreito bloqueado, o abastecimento global enfrenta gargalos que sustentam os preços elevados nos contratos futuros.
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