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Nova cota argentina com os EUA faz exportação de carne brasileira ao país vizinho disparar 130% em 2026

Publicado 01/07/2026 • 09:30 | Atualizado há 16 minutos

KEY POINTS

  • Aumento de mais de 130% vem depois dos Estados Unidos subirem de 20 mil para 100 mil toneladas a cota anual de carne argentina para conter preços no país.
  • Argentina registrou segunda maior compra de carne bovina brasileira no mês de maio.
  • Especialistas acreditam que triangulação do comércio de carne entre mercados sul-americanos deve aumentar no terceiro trimestre.
Peças de carne

AEN

A exportação de carne bovina do Brasil para a Argentina vem registrando recordes em 2026. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), as vendas de carne do Brasil para o país vizinho cresceram tanto em volume quanto em valor.

Os números recordes acontecem após os governos Javier Milei e Donald Trump assinarem um acordo para o aumento da cota de carne argentina para os EUA de 20 mil para 100 mil toneladas.

De janeiro a maio de 2026, foram US$ 45,45 milhões em exportações e 10,62 mil toneladas de carne bovina embarcadas.

Leia também: Exportações de carne bovina brasileira para a China somam 723 mil toneladas até maio

Na comparação com os mesmos meses de 2025, houve um crescimento de 134% em faturamento e de 105,9% no volume. O destaque do ano foram os embarques no mês de maio, que registraram o melhor desempenho do ano, com US$ 15,88 milhões e 3,20 mil toneladas. Este foi o segundo maior embarque de carne brasileira para a Argentina da história.

Somente até maio, as exportações já atingiram mais de 85% do valor de 2025 e 71% do volume total do ano passado inteiro.

Acordo com EUA é principal fator

O principal fator para o aumento das exportações da carne brasileira para os nossos vizinhos foi o acordo que o governo Milei assinou com os Estados Unidos em 2025, que pressionou o preço da carne no mercado argentino.

Até o ano passado, a Argentina tinha uma cota fixa tradicional de 20 mil toneladas com isenção de impostos para o mercado norte-americano. Para conter a alta de preços no mercado interno, o presidente Donald Trump subiu esse volume para 100 mil toneladas por ano.

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A inflação da carne no país vizinho subiu 50% em seis meses até março, contra um crescimento do salário médio de apenas 15%. Isso fez com que o consumo de carne bovina pelo argentino caísse 6,1% no período de 12 meses encerrados em maio, de acordo com a Ciccra, associação que representa a indústria de carnes.

Leia também: UE afirma que retirada do Brasil de lista de fornecedores de carne não é embargo

O aumento do volume isento de impostos para os EUA fez com que os embarques para o país crescessem 204% em abril, na comparação com 2025. Em contrapartida, os embarques para a China recuaram 32%.

“Diante desse ritmo acelerado, houve a necessidade de importar maiores volumes de carne aqui do Brasil para poder atender às necessidades argentinas. Como a Argentina é um dos campeões mundiais em consumo per capita de carne bovina, eles precisam do produto brasileiro para abastecer sua população e manter o consumo interno enquanto enviam sua própria produção para o mercado americano”, explicou Fernando Iglesias, coordenador de Inteligência de Mercado da consultoria Safras & Mercado.

Triangulação entre vizinhos

Especialistas também apontam que haverá uma maior triangulação entre os mercados brasileiro, argentino e uruguaio no segundo semestre de 2026, beneficadas pelo Mercosul.

Com o fim da cota brasileira de exportação para a China, a demanda chinesa migrará para a Argentina e o Uruguai, que, por sua vez, continuarão comprando do Brasil para sustentar esse fluxo.

“Como Argentina e Uruguai são fornecedores estratégicos da China e possuem, no momento, uma cota mais confortável para atender esse mercado, eles tendem a manter esse balanço: compram carne do Brasil para garantir o consumo interno e exportam a produção própria para os chineses. Já observamos volumes históricos recentemente, como o Uruguai registrando sua maior compra da história e a Argentina o segundo maior volume, o que indica que essa dinâmica de priorizar as exportações rentáveis enquanto o Brasil garante o abastecimento local deve ditar o ritmo do setor em 2026”, encerrou Hyberville Neto, diretor da HN AGRO.

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