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Agro pode ampliar produção em 35% com recuperação de terras, diz Tatiana Sasson
Publicado 13/08/2026 • 18:07 | Atualizado há 51 minutos
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Publicado 13/08/2026 • 18:07 | Atualizado há 51 minutos
KEY POINTS
A próxima fronteira de crescimento do agronegócio brasileiro deve vir do aumento da produtividade, e não de uma nova expansão territorial, avalia Tatiana Sasson, head de Impacto da Lightrock na América Latina e notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Em sua participação na programação do canal nesta quarta-feira (13), ela afirmou que a agenda de sustentabilidade abre espaço para ampliar a produção, recuperar terras degradadas, aumentar a resiliência climática e criar novas oportunidades econômicas para o setor.
Para Tatiana, o potencial ganha dimensão quando comparado à transformação vivida pelo agro nas últimas décadas. “Se a gente pensa, né, na década de 70, o Brasil era um importador líquido de alimentos e hoje ele é um grande exportador do mundo”, lembrou.
Atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas são alimentadas por insumos produzidos no Brasil, enquanto o agronegócio responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) e já superou R$ 2 trilhões.
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“A gente acha que tem espaço ainda para crescer, com certeza. Mas essa fronteira […] não vai vir de uma expansão geográfica mais uma vez, ela vai vir muito mais de uma expansão de produtividade que tem tudo a ver com sustentabilidade”, destacou.
Uma das principais oportunidades está na recuperação de áreas degradadas e de terras destinadas a pastagens de baixa produtividade. O processo, segundo Tatiana, permite simultaneamente recuperar o solo, absorver carbono, aumentar o valor agregado da produção e melhorar a resistência às mudanças do clima.
Com base em estimativas da Embrapa, ela afirmou que o Brasil possui aproximadamente 80 milhões de hectares, dos quais cerca de 30 milhões apresentam aptidão alta ou muito alta para a produção agrícola.
“Se a gente conseguir converter esses 30 milhões para uma produção agrícola mais eficiente recuperando esse solo, estima-se que a produção de grãos no Brasil pode aumentar em 35%”, afirmou. “Então o tamanho da oportunidade aqui de fazer isso de maneira sustentável é muito grande”, ressaltou.
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Embora parte do setor ainda associe sustentabilidade a custos e exigências regulatórias, Tatiana avalia que a agenda precisa ser observada também pela perspectiva econômica.
Há, de um lado, riscos cada vez mais evidentes relacionados ao clima e às exigências dos mercados internacionais. “Qualquer produtor que vai acessar crédito, banco, tem visto os impactos dos riscos climáticos”, pontuou.
Ela também chamou atenção para as exigências de rastreabilidade da União Europeia, que podem afetar a entrada de produtos sem garantias sobre sua origem. “Mas o lado da oportunidade é gigantesco e a gente já usa. Não é que é uma coisa teórica que tá para vir”, frisou.
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Um dos exemplos é a rotação entre soja e milho, adotada por razões econômicas, mas que também contribui para preservar o solo e devolver nutrientes importantes para as safras seguintes.
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Siga o Times | CNBC“Ele faz, obviamente por motivos econômicos, mas ele também sabe que fazendo isso ele tá preservando melhor o solo, devolvendo nutrientes ali com a produção de milho, que vão fazer com que a produção da soja seja mais eficiente”, explicou.
Outra prática destacada é o plantio direto. Segundo Tati, enquanto aproximadamente metade dos produtores utiliza esse sistema globalmente, no Brasil a proporção chega a 97%. “É do ponto de vista sustentável muito melhor, mas do ponto de vista econômico também”, afirmou.
Tatiana avalia que benefícios hoje associados às práticas sustentáveis deverão ser cada vez mais reconhecidos e precificados pelo mercado. “A gente tem muito essas oportunidades, externalidades positivas que vão ter valor, que vão ser melhor precificadas ao longo do tempo”, apontou.
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A agenda também pode ajudar o produtor a preservar mercados externos, melhorar a gestão dos riscos climáticos e encontrar condições mais eficientes de financiamento.
“E claro, também manter o mercado com a União Europeia aberto pra gente, garantir que tem acesso a crédito mais eficiente, fazendo uma melhor gestão dos riscos climáticos”, acrescentou.
Na avaliação de Tatiana, o Brasil parte de uma posição privilegiada para transformar sustentabilidade em vantagem competitiva e novos negócios. “A gente já larga muito na frente. Eu acho que o agro aqui tem um exemplo de sucesso com entidades inovadoras, com um setor altamente produtivo, que o que construiu ao longo das últimas décadas é super importante”, ressaltou.
Entre as oportunidades está o desenvolvimento de produtos de maior valor agregado e de bioinsumos, especialmente diante dos desafios relacionados ao acesso a nitrogênio para a produção de fertilizantes.
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A concorrência internacional, porém, deve aumentar. Ela citou a estratégia da China de buscar maior autossuficiência alimentar, prevista no planejamento de longo prazo do país. “A gente vê a China querendo competir com a gente […] mas a gente larga na frente”, observou.
Para preservar essa vantagem, será necessário fortalecer a rastreabilidade da produção, demonstrar o cumprimento das regras ambientais e comunicar melhor as práticas adotadas pelo agronegócio brasileiro.
“A gente garantir que a gente continua mantendo a rastreabilidade do que a gente produz, comunicando melhor o quão sério o Brasil leva a sério as leis ambientais, o cultivo justo, que os agricultores adotam as melhores práticas, vai ser muito importante pra gente continuar na liderança”, afirmou.
Segundo Tatiana, esse movimento também permitirá ao país continuar impulsionando a inovação no agronegócio em escala global.
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