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Ambipar tinha R$ 2,57 bi em caixa e aplicações ao fim de 2025, mas apenas R$ 295 mi em recursos líquidos

Publicado 10/07/2026 • 15:35 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Ambipar informou R$ 2,57 bilhões em caixa, equivalentes e investimentos financeiros ao fim de 2025.
  • Desse total, apenas R$ 295,2 milhões estavam em recursos de maior liquidez.
  • Dívida consolidada do grupo somava R$ 13,3 bilhões em setembro de 2025.

Thomas Fuller / SOPA Images via Reuters Connect

Logo da Ambipar

A Ambipar detalhou pela primeira vez sua posição financeira desde que entrou em recuperação judicial. Em apresentação não auditada a credores obtida pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, a companhia informou que tinha R$ 2,57 bilhões em caixa, equivalentes e investimentos financeiros ao fim de 2025.

O valor, porém, não representa dinheiro disponível de forma imediata. Dos R$ 2,57 bilhões informados, apenas R$ 295,2 milhões estavam em recursos de maior liquidez. O restante aparecia em créditos judiciais, fundos, investimentos em bancos de segunda linha, garantias em dinheiro e participações societárias.

A abertura dos números ocorre em meio à reestruturação do grupo. A Ambipar entrou com medida cautelar em 24 de setembro de 2025 e pediu recuperação judicial no Brasil em 20 de outubro. No mesmo dia, a Ambipar Emergency Response iniciou voluntariamente um processo de Chapter 11 nos Estados Unidos.

Leia também: Banco Central pede à Justiça para participar da recuperação judicial da Ambipar

Pré-precatórios eram a maior fatia

A maior parcela dos ativos listados como caixa e investimentos estava em um fundo de créditos judiciais. Segundo o documento, esse fundo tinha R$ 1,219 bilhão em pré-precatórios federais, em valor de face.

Pré-precatórios são créditos reconhecidos judicialmente antes da expedição formal do precatório. Isso significa que podem representar um direito de recebimento futuro, mas não têm a mesma liquidez de dinheiro em conta, títulos públicos ou aplicações financeiras tradicionais.

A própria Ambipar afirma que esses créditos judiciais substituíram CDBs que estavam no fundo até o início de setembro de 2025. A troca ajuda a explicar por que o número cheio de R$ 2,57 bilhões precisa ser lido com cautela.

A companhia também informou R$ 84 milhões em cotas do FIDC Fênix. O valor já considera uma baixa de R$ 761 milhões, feita após provisão para parte relevante dos direitos creditórios do fundo. Segundo a empresa, esses créditos estão relacionados à própria Ambipar, que está em recuperação judicial.

Aplicações de menor liquidez e EMAE

Outro ponto sensível da apresentação é a existência de R$ 247,3 milhões em investimentos em bancos de segunda linha. O documento afirma que os recursos estavam em uma instituição atualmente em processo de liquidação.

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A Ambipar também registrava R$ 566,3 milhões em outros fundos de investimento em participações. Desse total, R$ 533 milhões correspondiam a uma fatia de 23% no capital da EMAE, valor histórico estimado pela administração em dezembro de 2025.

A participação na EMAE foi negociada no segundo trimestre de 2026. Na data do material, a companhia informou que já não tinha mais investimento na empresa.

Leia também: Pedido da Ambipar revela compra de R$ 500 milhões em ativos do Banco Master antes da recuperação judicial

Dívida passa de R$ 13 bilhões

Enquanto apenas uma parte pequena dos recursos tinha liquidez imediata, a Ambipar também detalhou o tamanho da pressão financeira. O endividamento consolidado do grupo somava R$ 13,3 bilhões em setembro de 2025.

Desse total, R$ 11,6 bilhões estavam dentro da recuperação judicial. A maior parte era dívida com credores financeiros, que somava R$ 10 bilhões.

A apresentação também mostra que a carteira de contratos no Brasil encolheu após o pedido de recuperação judicial. O backlog caiu de R$ 5,96 bilhões em setembro para R$ 5,18 bilhões em dezembro de 2025, uma redução de R$ 778 milhões.

Segundo a companhia, cerca de 40% da queda veio de cancelamentos de contratos, todos no segmento Environment. O restante refletiu consumo normal da carteira, sem renovação antecipada.

A Ambipar afirma que o segmento Environment foi o mais afetado pela crise, com contratos rescindidos ou redimensionados por clientes que buscaram reduzir exposição à empresa. A companhia também diz esperar contração de curto prazo nessa área.

O grupo sustenta que as operações internacionais ficaram fora da recuperação judicial brasileira e permanecem estáveis, com impactos concentrados na desaceleração de novas concorrências e na não renovação de determinados contratos.

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