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Receita da AMD sobe 50% e vendas para data centers dobram, mas ações caem

Publicado 04/08/2026 • 19:47 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • AMD supera expectativas no 2º trimestre, com receita de US$ 11,54 bilhões e forte avanço anual.
  • Data Center impulsiona crescimento da empresa, com alta de 107% e foco em chips para inteligência artificial.
  • Companhia amplia disputa com a Nvidia, lançando sistemas completos de IA e projetando forte expansão futura.

AFP

A Advanced Micro Devices (AMD) divulgou na terça-feira seus resultados do segundo trimestre, que vieram acima das expectativas dos analistas. Mesmo assim, as ações da empresa recuaram nas negociações após o fechamento do mercado, depois de terem registrado alta durante o pregão regular.

Confira o desempenho da fabricante de chips em comparação com as projeções de consenso da LSEG para o trimestre encerrado em 27 de junho:

  • Lucro por ação (EPS) ajustado: US$ 1,66, contra US$ 1,62 esperados
  • Receita: US$ 11,54 bilhões, contra US$ 11,28 bilhões previstos

A receita total da AMD avançou 50% na comparação anual, para US$ 11,54 bilhões, ante US$ 7,69 bilhões no mesmo período do ano passado. O resultado reforça o papel cada vez mais estratégico da companhia no mercado de chips voltados à inteligência artificial.

O principal destaque foi a divisão de Data Center, que continua sendo o maior impulsionador do crescimento da AMD. A receita do segmento alcançou US$ 6,7 bilhões, mais que dobrando em relação ao ano anterior, com alta de 107%, impulsionada pela demanda por unidades centrais de processamento (CPUs) e unidades de processamento gráfico (GPUs).

As ações da fabricante de chips praticamente triplicaram no último ano, sustentadas pelo otimismo de que os chips de inteligência artificial da linha Instinct possam conquistar uma fatia relevante de um mercado em rápida expansão, atualmente dominado pela Nvidia. Outro fator positivo tem sido a recuperação do negócio de CPUs, comercializadas pela AMD sob a marca Epyc, que passaram a ser vistas por especialistas em IA como peças fundamentais para operar agentes de inteligência artificial.

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Para o trimestre atual, a AMD prevê receita de aproximadamente US$ 13 bilhões, com uma margem de variação de US$ 300 milhões para cima ou para baixo. A projeção ficou acima da estimativa média da LSEG, de US$ 12,52 bilhões. Alguns analistas, porém, esperavam uma previsão mais próxima de US$ 14 bilhões.

Em julho, a AMD revisou para cima sua estimativa para o tamanho do mercado global de semicondutores, afirmando que a indústria pode atingir US$ 2 trilhões em receita anual até 2028. Segundo a empresa, cerca de US$ 1,4 trilhão desse total deverá vir de aceleradores de IA, como GPUs, bem acima da previsão anterior de US$ 500 bilhões.

A companhia também começará neste trimestre a enviar o Helios, seu primeiro sistema de inteligência artificial em escala de rack, para clientes como Meta, OpenAI e Oracle. O equipamento representa uma mudança de estratégia: em vez de vender apenas chips, a AMD passa a oferecer uma solução completa, reunindo suas CPUs, GPUs e componentes de rede para competir diretamente com os sistemas integrados da Nvidia.

A AMD afirmou na terça-feira que espera uma aceleração nos envios do Helios no quarto trimestre.

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“Esperamos que as vendas do segmento de Data Center ganhem força no segundo semestre de 2026, impulsionando um crescimento mais robusto da receita e uma expansão contínua dos lucros”, afirmou a diretora financeira da AMD, Jean Hu, em comunicado.

Durante uma teleconferência com analistas, a CEO da AMD, Lisa Su, disse que a empresa espera dobrar as vendas para data centers em 2027 e prevê que a receita de servidores cresça mais de 80% ao ano na segunda metade do ano fiscal de 2026.

“A demanda por aceleradores e CPUs está crescendo bem acima das nossas expectativas anteriores”, afirmou Su.

A executiva também destacou que a divisão de CPUs ganhou participação de mercado no trimestre. A principal concorrente da AMD nesse segmento continua sendo a Intel.

“Grandes provedores de nuvem continuaram ampliando o uso dos processadores Epyc em suas próprias infraestruturas e em suas ofertas de nuvem pública, incluindo AWS, Microsoft, Google, Oracle e outros”, disse Su.

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Já a divisão voltada a produtos de consumo, como notebooks e consoles, chamada Client and Gaming, teve um crescimento mais moderado: alta de 6% na comparação anual, chegando a US$ 3,8 bilhões em receita.

O segmento Embedded, que reúne chips usados em aplicações industriais e outros mercados específicos, cresceu 19% no ano, alcançando US$ 977 milhões.

A AMD informou ainda que investiu US$ 808 milhões em despesas de capital (CapEx), um salto em relação aos US$ 282 milhões registrados no mesmo período do ano anterior e aos US$ 389 milhões do trimestre anterior.

Sobre o mercado de computadores pessoais, Lisa Su afirmou que o desempenho da empresa no primeiro semestre foi forte e que, apesar da expectativa de uma desaceleração na segunda metade do ano, o setor permaneceu mais resiliente do que muitos esperavam.

No trimestre, a AMD registrou lucro líquido de US$ 2,3 bilhões, ou US$ 1,38 por ação diluída. No mesmo período do ano anterior, o lucro líquido havia sido de US$ 872 milhões, ou 54 centavos por ação diluída.

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