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Anthropic divulga documentos para o IPO que pode superar recorde da SpaceX
Publicado 26/10/2026 • 11:39 | Atualizado há 35 minutos
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Publicado 26/10/2026 • 11:39 | Atualizado há 35 minutos
KEY POINTS
Thomas Fuller | Lightrocket | Getty Images
A Anthropic, responsável pelo Claude, divulgou nesta segunda-feira (26) os documentos de sua oferta pública inicial de ações (IPO), revelando informações financeiras e operacionais antes de uma possível estreia na bolsa americana Nasdaq. A operação, esperada para meados de novembro, pode avaliar a empresa em mais de US$ 2 trilhões e se tornar uma das maiores aberturas de capital da história.
Segundo os documentos apresentados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), a companhia pretende negociar suas ações sob o código “ANT”. Os bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley estão à frente da operação.
A Anthropic havia apresentado um pedido confidencial de abertura de capital em junho, permitindo que o órgão regulador analisasse suas demonstrações financeiras antes da divulgação pública.
Leia também: Prejuízo de US$ 80 bilhões da Anthropic é em grande parte contábil, mas capex de US$ 750 bilhões é real; entenda
Caso as expectativas se confirmem, a oferta poderá superar o recorde estabelecido pela SpaceX, de Elon Musk, que levantou US$ 75 bilhões em sua estreia na bolsa, em junho, com uma avaliação de mercado de US$ 2,1 trilhões.
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Um dos principais desafios financeiros revelados pela Anthropic é o aumento das despesas necessárias para executar seus sistemas de inteligência artificial. Segundo o documento encaminhado à SEC, os custos com serviços de computação em nuvem cresceram 300% no segundo trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Esse tipo de infraestrutura é utilizado para processar as solicitações dos usuários, executar modelos de IA e sustentar a operação dos produtos comercializados pela empresa.
O crescimento dessas despesas mostra que o aumento da demanda pelos serviços também exige uma ampliação significativa da capacidade computacional.
A Anthropic gastou US$ 7,33 bilhões com computação e infraestrutura em 2025, quase três vezes o valor registrado em 2024. O montante correspondeu a mais da metade dos US$ 12,65 bilhões em custos operacionais totais daquele ano.
O avanço dos gastos representa um desafio para a companhia, que precisa equilibrar a expansão comercial com os recursos necessários para manter seus sistemas funcionando.
A preparação para a estreia na Nasdaq coincide com um período de instabilidade no mercado de empresas ligadas à inteligência artificial. Investidores têm questionado se os investimentos em centros de dados, equipamentos e serviços de computação serão compensados pelo crescimento das receitas e dos lucros.
Apesar das preocupações, as ações de grandes companhias de tecnologia continuam apresentando valorização em 2026. O índice Nasdaq 100 acumula alta de 15% no ano, acima do avanço de 11% registrado pelo S&P 500.
Entretanto, a instabilidade já afetou empresas menores interessadas em abrir capital. Ao longo de outubro, algumas companhias adiaram ou cancelaram suas ofertas, citando as condições do mercado.
Mesmo diante das dúvidas sobre a rentabilidade do setor, grandes empresas continuam buscando recursos para financiar projetos ligados à inteligência artificial.
Nesta segunda-feira, a Meta anunciou uma oferta de ações que pode alcançar US$ 95 bilhões.
A SpaceX, por sua vez, informou ter obtido US$ 40 bilhões em financiamento para comprar processadores gráficos da Nvidia, equipamentos utilizados no desenvolvimento e na execução de sistemas de inteligência artificial.
A movimentação ocorre enquanto empresas especializadas em infraestrutura computacional enfrentam pressão sobre suas ações.
CoreWeave e Nebius, que atuam no fornecimento de capacidade de processamento para aplicações de IA, perderam mais de 30% de seu valor de mercado em outubro, em meio ao aumento das preocupações com riscos financeiros associados ao setor de centros de dados.
Nesse ambiente, a Anthropic terá de convencer potenciais investidores de que conseguirá manter seu crescimento e administrar os custos de uma operação que exige investimentos contínuos.
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Siga o Times | CNBCAlém dos desafios financeiros, a Anthropic identificou questões relacionadas à segurança tecnológica, à disponibilidade de infraestrutura confiável e às diferenças entre as legislações nacionais como fatores de risco para seus negócios.
No documento apresentado à SEC, a empresa destacou a necessidade de atuar em um ambiente regulatório global em constante transformação, marcado por regras que podem variar entre países.
As preocupações surgem após episódios em que sistemas e agentes de inteligência artificial foram associados a invasões de sites e serviços públicos e privados, aumentando o debate sobre o controle dessas tecnologias.
A Anthropic e outras empresas do setor afirmaram que estão adotando medidas para reforçar a segurança de seus modelos.
Em setembro, Dario Amodei, presidente-executivo e cofundador da Anthropic, defendeu que o setor controlasse o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados, diante da possibilidade de suas capacidades evoluírem mais rapidamente do que a compreensão humana sobre seus efeitos.
A proposta recebeu apoio condicionado de alguns representantes da indústria, mas provocou resistência em Washington.
Amodei chegou a se reunir reservadamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de participar de um encontro com representantes do setor na Casa Branca.
Trump posteriormente defendeu que o desenvolvimento da inteligência artificial não fosse limitado por restrições que pudessem comprometer a competitividade americana. O presidente e dirigentes de empresas como Google, Anthropic, Meta, OpenAI, Nvidia e SpaceX assinaram um compromisso de autorregulação da segurança da inteligência artificial, descrito por Trump como moralmente vinculante.
Outro ponto apresentado nos documentos financeiros da Anthropic é a dependência de um grupo restrito de grandes contratantes.
Segundo informações da Reuters, aproximadamente um quarto das receitas da companhia em 2025 veio de apenas dois clientes.
A empresa também reconheceu que parte de seus maiores consumidores de serviços não estava vinculada a contratos de longo prazo, o que pode provocar variações no faturamento caso essas organizações reduzam seus gastos.
A Anthropic foi fundada em 2021 por Dario Amodei e pesquisadores que deixaram a OpenAI. Desde então, recebeu investimentos de grandes companhias de tecnologia, incluindo Amazon e Google, que também fornecem infraestrutura de nuvem utilizada no treinamento e na operação de seus modelos.
Ao final de 2025, a empresa possuía aproximadamente US$ 20,28 bilhões em caixa, equivalentes de caixa e investimentos de curto prazo, segundo os documentos analisados pela imprensa internacional.
Leia também: Anthropic negocia novo acordo de US$ 45 bilhões com Nscale para ampliar infraestrutura de IA
As demonstrações financeiras da Anthropic revelam uma expansão expressiva de suas operações, acompanhada por perdas bilionárias. No primeiro semestre de 2026, a empresa registrou prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões. O resultado supera os US$ 42 bilhões de perdas contabilizadas durante todo o ano de 2025.
Apesar do desempenho negativo, as receitas apresentaram crescimento acelerado. No trimestre encerrado em 30 de junho de 2026, o faturamento aumentou 1.368% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A expansão está relacionada à crescente adoção de ferramentas de inteligência artificial por empresas, especialmente em atividades de programação, automação e desenvolvimento de sistemas.
Entre os produtos que contribuíram para esse avanço está o Claude Code, ferramenta voltada à criação e à edição de códigos de programação. A Anthropic também ampliou suas operações com modelos como Claude Fable 5 e Mythos 5, em meio à concorrência com OpenAI e Google.
De acordo com informações divulgadas anteriormente pela agência Reuters, a receita da empresa havia passado de US$ 2,98 bilhões em 2024 para US$ 8,06 bilhões em 2025.
Segundo a imprensa internacional, cerca de US$ 34 bilhões do prejuízo registrado em 2025 estavam relacionados a um ajuste contábil decorrente da valorização de instrumentos financeiros conversíveis em ações. Excluídos determinados efeitos contábeis, as perdas operacionais daquele ano superaram US$ 8 bilhões.
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