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Energia

Como a Finlândia pretende armazenar combustível nuclear a 450 metros de profundidade?

Publicado 26/10/2026 • 10:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A empresa finlandesa Posiva recebeu autorização para operar a instalação.
  • O local poderá armazenar até 6.500 toneladas de urânio em combustível usado.
  • A operação ainda depende de inspeções e aprovação da autoridade reguladora.
Usina nuclear

Foto: Divulgação

Empresa da Finlândia recebe autorização para lidar com o combustível nuclear usado

A Finlândia avançou em seu plano de administrar os resíduos da geração de energia nuclear a longo prazo. O governo concedeu à empresa Posiva uma licença para operar uma instalação que prepara o combustível nuclear usado para o descarte definitivo em uma estrutura subterrânea construída em Olkiluoto.

O projeto Onkalo representa uma etapa importante na gestão de resíduos radioativos. A iniciativa busca armazenar o material em profundidade, com barreiras de proteção que reduzam o risco de contaminação do ambiente e garantam a segurança das próximas gerações.

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Operação para combustível usado

A Posiva, empresa finlandesa especializada na gestão de resíduos radioativos, recebeu autorização para operar a unidade de encapsulamento e o repositório subterrâneo de Onkalo. Segundo a companhia, trata-se do primeiro repositório de combustível nuclear usado do mundo a receber uma licença de operação.

A autorização permite que a empresa trabalhe com até 6.500 toneladas de urânio em combustível nuclear usado, relacionadas às usinas de Olkiluoto. A licença também contempla o tratamento, o armazenamento e a destinação de determinados resíduos radioativos de baixa e média atividade. 

O volume total desses resíduos não pode ultrapassar 3 mil metros cúbicos, dos quais até 1.500 metros cúbicos podem seguir para o descarte definitivo. A Autoridade de Segurança Radiológica e Nuclear da Finlândia (STUK) avaliou a segurança do projeto e concluiu que a instalação atende aos requisitos previstos na legislação nuclear do país.

Empresa da Finlândia recebe autorização para lidar com o combustível nuclear usado
Foto: Reprodução

Como funciona o projeto?

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O projeto prevê o armazenamento definitivo do combustível usado em uma estrutura subterrânea construída em uma rocha, a cerca de 450 metros de profundidade. O sistema utiliza diferentes barreiras para conter o material radioativo e reduzir o risco de liberação de radiação para a superfície.

O combustível ficará dentro de recipientes resistentes de ferro e cobre, cercados por bentonita, uma argila que ajuda a limitar a passagem de substâncias. A estrutura também contará com material para preencher os túneis, sistemas de vedação e a própria rocha como barreiras adicionais.

De forma simples, o projeto da empresa finlandesa “lacra” os combustíveis nucleares usados em um buraco feito em uma pedra. Apesar da expansão do setor, os resíduos nucleares devem ser descartados de forma segura para evitar a contaminação do solo e da água.

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Longa preparação

A Finlândia escolheu a região de Olkiluoto para receber o projeto em 2000. No ano seguinte, as autoridades aprovaram a proposta do projeto. A Posiva solicitou a licença de construção em 2013, e o governo autorizou as obras em novembro de 2015. 

Em 2022, a empresa da Finlândia concluiu a escavação dos cinco primeiros túneis, com cerca de 1,7 quilômetro de extensão total. Ao longo da vida útil do projeto, a Posiva prevê construir aproximadamente 100 túneis, que somarão cerca de 35 quilômetros.

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