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Bolha de chips de IA rivaliza com ações francesas de 1720 e supera Nasdaq da era pontocom
Publicado 15/05/2026 • 23:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 15/05/2026 • 23:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O rali das ações ligadas à inteligência artificial já alcançou proporções históricas e começa a superar alguns dos episódios mais famosos – e controversos – da história dos mercados financeiros.
O índice de semicondutores SOX atingiu um pico de preços 62% acima de sua média móvel de 200 dias, mais do que o dobro da distância registrada pelo Dow Jones antes da Black Monday de 1987 e também antes da Black Tuesday de 1929, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira pelo estrategista Michael Hartnett, do Bank of America.
A distância atual também supera a margem de 55% registrada pelo Nasdaq antes do estouro da bolha pontocom em 2000, período marcado pela expansão inicial da internet comercial e por empresas sem rentabilidade clara alcançando avaliações de centenas de milhões de dólares.
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X’O movimento chega até mesmo próximo dos 73% registrados pelo índice francês CAC All Tradable antes do colapso da chamada Bolha do Mississippi, em 1720.
Naquele episódio, ações da problemática Mississippi Company, companhia colonial francesa, passaram a ser aceitas como moeda legal, provocando uma duplicação da oferta monetária francesa.
“Movimento exponencial de preços, concentração de mercado, volatilidade em queda, ações pressionando os juros para cima. Por que a disparada virou o novo cenário-base de todos? Aqui vamos nós”, escreveu Hartnett.
As ações ligadas à inteligência artificial começaram a entrar em trajetória considerada “parabólica” no fim de março – um comportamento raro em gráficos financeiros.
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Papéis de fabricantes de chips como Micron, Advanced Micro Devices (AMD), SK Hynix, Marvell e Intel passaram a exibir esse padrão.
Parte dos economistas acredita que o volume de investimentos em inteligência artificial – que diversos bancos de Wall Street estimam superar US$ 1 trilhão (R$ 5,09 trilhões) no próximo ano – já caracteriza uma bolha.
“Ter que reunir mais de um trilhão de dólares em caixa para sustentar esses investimentos levou ao que todos chamam de bolha”, afirmou à CNBC a economista Ann Pettifor, diretora da organização Policy Research in Macroeconomics.
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Nem todos, porém, consideram o atual ciclo de investimentos em IA tão gigantesco quanto outras ondas históricas de expansão. O jornalista Robin Wigglesworth, do Financial Times, classificou o movimento como “um pequeno mosquito perto do boom ferroviário” da década de 1860.
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Siga o Times | CNBCSegundo ele, o volume de emissões de dívida no auge da expansão ferroviária, ajustado pela inflação e proporcionalmente ao PIB da época, superaria amplamente os níveis atuais de financiamento ligados à inteligência artificial.
“Foram emitidos cerca de US$ 5 bilhões (R$ 25,4 bilhões) a US$ 6 bilhões (R$ 30,5 bilhões) em títulos, o que parece pouco, mas proporcionalmente ao tamanho da economia americana da época equivale a US$ 10 trilhões hoje” (R$ 50,9 trilhões), afirmou no podcast “Unhedged”, citando análise do JPMorgan.
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Outros analistas reconhecem a possibilidade de bolha, mas sem demonstrar grande preocupação. O autor Derek Thompson escreveu no ano passado que diversas revoluções tecnológicas anteriores também passaram por bolhas especulativas.
“As ferrovias foram uma bolha e transformaram os Estados Unidos. A eletricidade foi uma bolha e transformou os Estados Unidos. A expansão da banda larga no fim dos anos 1990 foi uma bolha que transformou os Estados Unidos”, escreveu.
Segundo Thompson, é improvável que a inteligência artificial seja a primeira tecnologia transformadora a não passar por excesso de investimento seguido de uma correção dolorosa.
Apesar do forte endividamento e do uso crescente de estruturas financeiras fora dos balanços tradicionais, as receitas ligadas à inteligência artificial seguem crescendo. A Alphabet informou no mês passado que sua receita de nuvem avançou 63% no primeiro trimestre na comparação anual.
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A unidade de computação em nuvem AWS, da Amazon, registrou crescimento de 28% na receita trimestral, alcançando vendas de US$ 37,59 bilhões (R$ 191 bilhões).
Já a receita de nuvem da Microsoft cresceu 40%, enquanto a divisão que inclui o Azure reportou receita de US$ 34,68 bilhões (R$ 176,2 bilhões) no terceiro trimestre fiscal.
Os números ajudaram a sustentar parte do mercado acionário mais amplo, embora o avanço das bolsas esteja cada vez mais concentrado em ações de semicondutores e infraestrutura de IA.
Segundo relatório divulgado na quarta-feira pela Piper Sandler, o número de empresas subindo nas bolsas vem diminuindo mesmo com novos recordes do S&P 500 desde o fim de março.
“A linha de avanço e queda mostra uma divergência clara enquanto o S&P atinge máximas históricas, indicando que a liderança do mercado ficou mais concentrada, especialmente em tecnologia”, escreveu Craig Johnson, da Piper Sandler.
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