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Braskem volta ao lucro com R$ 3,3 bilhões, mas dívida líquida cresce 24% em um ano

Publicado 14/08/2026 • 08:26 | Atualizado há 44 minutos

KEY POINTS

  • A Braskem reverteu prejuízo de R$ 267 milhões e registrou lucro líquido de R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre.
  • O Ebitda recorrente saltou de R$ 427 milhões para R$ 5,25 bilhões, impulsionado pela alta dos spreads petroquímicos.
  • Apesar da melhora operacional, a dívida líquida ajustada cresceu 24% em um ano, enquanto o caixa disponível caiu 42%.
Placa com o logotipo da Braskem em unidade industrial

Foto: Divulgação

Unidade industrial da Braskem; companhia registrou lucro de R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre, mas a dívida líquida ajustada cresceu 24% em um ano.

A Braskem registrou lucro líquido de R$ 3,3 bilhões atribuível aos acionistas no segundo trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 267 milhões apurado no mesmo período do ano passado.

Apesar da melhora do resultado, a dívida líquida ajustada, excluindo Braskem Idesa e o Terminal Químico Puerto México (TQPM), cresceu 24% em 12 meses e encerrou junho em US$ 9,43 bilhões. Em comparação com março, o avanço foi de 3%.

O caixa e as aplicações financeiras disponíveis, desconsiderando Braskem Idesa, TQPM, recursos exclusivos de Alagoas e contas de reserva, recuaram 42% em um ano e 4% no trimestre, para US$ 1,02 bilhão.

A receita líquida consolidada somou R$ 21,7 bilhões, um crescimento de 22% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 40% em relação aos três primeiros meses deste ano. O custo dos produtos vendidos foi de R$ 16,4 bilhões, uma queda de 6% em um ano, apesar do aumento de 14% na comparação trimestral.

Com isso, o lucro bruto passou de R$ 362 milhões para R$ 5,32 bilhões em 12 meses. No primeiro trimestre, havia sido de R$ 1,1 bilhão.

O Ebitda recorrente chegou a R$ 5,25 bilhões, mais de cinco vezes os R$ 1,01 bilhão registrados no trimestre anterior e mais de 12 vezes os R$ 427 milhões apurados no segundo trimestre de 2025. Em dólares, o indicador atingiu US$ 1,04 bilhão.

Conflito amplia spreads petroquímicos

O resultado foi favorecido pelo conflito no Oriente Médio, que, segundo a Braskem, restringiu a oferta de matérias-primas, principalmente para a Ásia, e elevou as cotações internacionais do petróleo e da nafta. O aumento dos custos dos produtores asiáticos sustentou os preços de resinas e de produtos químicos no mercado internacional.

No segmento Brasil e América do Sul, o spread médio das resinas, diferença entre o preço do produto e o custo da matéria-prima, alcançou US$ 653 por tonelada, alta de 82% no trimestre e de 69% em um ano. Nos principais produtos químicos, o spread chegou a US$ 620 por tonelada, um avanço de 98% e de 67%, respectivamente.

O resultado brasileiro também recebeu um impacto positivo de US$ 115 milhões, ou R$ 578 milhões, relacionado aos créditos de PIS/Cofins do Regime Especial da Indústria Química (REIQ) na aquisição de matérias-primas.

A melhora dos spreads, no entanto, perdeu força ainda no fim do trimestre. Diante da expectativa de redução dos preços internacionais e de um possível cessar-fogo no Oriente Médio, a demanda global foi afetada pelo adiamento das compras. Segundo a companhia, os spreads internacionais de resinas encerraram o período próximos dos níveis observados antes do início do conflito.

Vendas de resinas recuam no Brasil

O avanço dos resultados ocorreu apesar da redução de parte dos volumes vendidos. No Brasil, as vendas de resinas totalizaram 763 mil toneladas, uma queda de 2% em relação ao primeiro trimestre e de 8% na comparação anual.

As exportações brasileiras de resinas recuaram 4% no trimestre e 23% em um ano, totalizando 175 mil toneladas. As vendas dos principais produtos químicos no mercado interno somaram 598 mil toneladas, uma redução de 4% e 5%, respectivamente.

Em sentido contrário, as exportações de produtos químicos cresceram 55% nas duas bases de comparação, totalizando 60 mil toneladas.

A taxa de utilização das unidades de eteno no país ficou em 70%, ante 69% no primeiro trimestre e 74% no mesmo período do ano anterior. Nas operações de eteno verde, a utilização foi de 66%, enquanto as vendas de polietileno verde cresceram 49% no trimestre, mas recuaram 19% em um ano, para 39 mil toneladas.

O Ebitda recorrente do segmento Brasil e América do Sul atingiu R$ 4,37 bilhões, ante R$ 1,26 bilhão no trimestre anterior e R$ 865 milhões no segundo trimestre de 2025. A margem Ebitda passou de 6% para 27% em 12 meses.

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Ebitda sobe nos Estados Unidos e na Europa

Nos Estados Unidos e na Europa, o Ebitda recorrente foi de R$ 739 milhões, ante R$ 112 milhões no primeiro trimestre e resultado negativo de R$ 111 milhões um ano antes.

O desempenho foi sustentado pelo aumento do spread médio do polipropileno, que chegou a US$ 469 por tonelada, uma alta de 28% no trimestre e de 24% em um ano.

A receita líquida do segmento cresceu 30% em relação ao segundo trimestre de 2025, para R$ 5,47 bilhões. As vendas ficaram praticamente estáveis, em 499 mil toneladas, enquanto a taxa de utilização das unidades alcançou 76%, três pontos percentuais abaixo do primeiro trimestre, mas dois pontos percentuais acima de um ano antes.

A demanda por polipropileno cresceu 8% em um ano na América do Norte, mas caiu 11% na Europa. Segundo a Braskem, o mercado europeu foi afetado pelos estoques mais elevados e pelas incertezas sobre os preços.

México melhora apesar da queda das vendas

No México, o Ebitda recorrente alcançou R$ 289 milhões, revertendo os resultados negativos de R$ 78 milhões no primeiro trimestre e de R$ 47 milhões no mesmo período do ano passado.

O spread do polietileno atingiu US$ 1.425 por tonelada, alta de 73% no trimestre e de 98% em um ano. A receita líquida aumentou 13% na comparação anual, para R$ 1,06 bilhão.

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A melhora financeira contrastou com a redução da atividade. As vendas de polietileno caíram 11% no trimestre e 20% em um ano, para 125 mil toneladas. A taxa de utilização das unidades mexicanas recuou 12 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre, para 43%.

A Braskem atribuiu a redução da demanda mexicana à antecipação de compras no começo do ano, quando os clientes se prepararam para possíveis aumentos de preços provocados pelo conflito no Oriente Médio.

Capital de giro limita geração de caixa

A Braskem apresentou geração operacional de caixa de R$ 1,93 bilhão no trimestre, revertendo o consumo de R$ 3,17 bilhões registrado no primeiro trimestre e de R$ 175 milhões um ano antes.

O aumento do Ebitda foi parcialmente compensado por uma variação negativa de R$ 2,76 bilhões no capital de giro. A companhia relacionou o movimento à volatilidade dos preços das matérias-primas, ao aumento dos estoques e à redução da disponibilidade de determinados convênios de pagamento com instituições financeiras e fornecedores.

Após juros, tributos e outros efeitos, a geração recorrente de caixa ficou em R$ 1,05 bilhão. No primeiro trimestre, houve consumo de R$ 4,56 bilhões; no segundo trimestre de 2025, o consumo foi de R$ 1,05 bilhão.

Os desembolsos relacionados ao evento geológico de Alagoas totalizaram R$ 241 milhões no período. Depois desse pagamento, a geração de caixa antes da dívida foi de R$ 807 milhões.

Pagamentos de dívidas, arrendamentos, variações cambiais e movimentações de aplicações financeiras levaram, porém, a um consumo final de caixa e equivalentes de R$ 748 milhões no trimestre.

Dívida aumenta apesar da queda da alavancagem

A dívida bruta consolidada chegou a US$ 12,21 bilhões ao fim de junho, alta de 1% no trimestre e de 10% em um ano. Desconsiderando Braskem Idesa e TQPM, mas incluindo passivos de arrendamento, a dívida bruta corporativa foi de US$ 10,31 bilhões, um crescimento anual de 12%.

A dívida líquida ajustada desse perímetro alcançou US$ 9,43 bilhões, ante US$ 9,18 bilhões em março e US$ 7,59 bilhões em junho de 2025.

Mesmo com o aumento da dívida, a relação entre a dívida líquida ajustada e o Ebitda recorrente caiu de 18,18 vezes no primeiro trimestre para 6,74 vezes. A redução decorreu do aumento do Ebitda acumulado nos últimos 12 meses, que passou de US$ 505 milhões para US$ 1,4 bilhão, e não de uma diminuição do endividamento.

Ao incluir US$ 1,13 bilhão em cartas de crédito e US$ 643 milhões em obrigações relacionadas ao evento geológico de Alagoas, as obrigações financeiras expandidas da Braskem chegaram a US$ 11,2 bilhões. O montante cresceu 1% no trimestre e 10% em um ano.

Braskem entrou em default após o trimestre

A Braskem segue negociando com credores uma reestruturação de sua estrutura de capital. Em junho, a Justiça de São Paulo concedeu tutela cautelar para suspender, por 60 dias, execuções e constrições de credores convidados a participar da mediação instaurada pela companhia.

A empresa também ajuizou um processo de Chapter 15 nos Estados Unidos para obter o reconhecimento da medida brasileira. A corte americana concedeu proteção preliminar pelo mesmo período.

Após a concessão das medidas judiciais, a Braskem suspendeu determinados pagamentos de obrigações financeiras abrangidas pela mediação. Com o encerramento dos períodos de cura e o não pagamento de outras obrigações, a companhia informou que entrou em default em determinados instrumentos financeiros em julho.

Os saldos das obrigações em default passarão a ser classificados no passivo circulante porque a Braskem não possui o direito incondicional de postergar sua liquidação por mais de 12 meses.

A companhia recebeu propostas indicativas e não vinculantes de grupos de credores, que incluem a eventual capitalização e a constituição de garantias sobre ativos. Até a divulgação do balanço, porém, não havia definição quanto aos termos da reestruturação nem sobre possíveis medidas judiciais ou extrajudiciais adicionais.

Segundo a Braskem, a tutela cautelar, o Chapter 15 e a mediação envolvem apenas credores financeiros e não afetam as operações regulares nem os pagamentos a fornecedores, clientes e demais públicos.

As agências Fitch e S&P atribuem à companhia ratings C e D em escala global, respectivamente. As notas foram revisadas em junho após o ajuizamento da tutela cautelar.

Provisão para Alagoas termina junho em R$ 3,25 bilhões

O saldo da provisão relacionada ao evento geológico em Maceió ficou em R$ 3,25 bilhões ao final do trimestre, ante R$ 3,37 bilhões em março.

Desde o início das ações relacionadas ao caso, a Braskem contabilizou R$ 18,18 bilhões em provisões. Desse total, R$ 15,8 bilhões já foram pagos ou reclassificados. Os ajustes a valor presente somam R$ 873 milhões.

Do saldo ainda provisionado, R$ 1,54 bilhão se destina ao fechamento e monitoramento das cavidades, ações ambientais e outros temas técnicos. Outros R$ 826 milhões correspondem a medidas adicionais, R$ 737 milhões a iniciativas sociourbanísticas e R$ 141 milhões a ações de realocação e compensação.

No primeiro semestre, a Braskem acumulou lucro líquido de R$ 4,77 bilhões atribuível aos acionistas, ante R$ 431 milhões no mesmo período de 2025. O Ebitda recorrente chegou a R$ 6,26 bilhões, alta de 258%, enquanto a receita líquida permaneceu praticamente estável, em R$ 37,2 bilhões.

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