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G7: Brasil perde força ao negociar minerais críticos e carne separadamente, diz Carlo Pereira
Publicado 17/06/2026 • 22:15 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 17/06/2026 • 22:15 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O Brasil perde força quando negocia separadamente temas como minerais críticos, agropecuária e energia, avaliou Carlo Pereira, especialista em sustentabilidade e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
A análise foi feita na esteira da participação do presidente Lula na cúpula do G7, em meio a discussões sobre cadeias globais de suprimentos, guerras, disputas comerciais e barreiras a produtos brasileiros. Minerais críticos estiveram entre os temas centrais da agenda do G7, em um esforço para reduzir vulnerabilidades em cadeias hoje dominadas pela China.
Segundo Pereira, o Brasil decidiu não aderir ao acordo de minerais críticos discutido no G7 por entender que o texto tinha viés geopolítico contra a China.
“O Brasil falou não ao G7 e ao Trump com relação ao acordo de minerais críticos”, afirmou. “A gente não tem um alinhamento automático. A gente entende que isso tem ali um viés contra a China.”
Pereira disse que a discussão não se limita a terras raras, mas envolve minerais críticos e segurança das cadeias de suprimento. Segundo ele, o Brasil é visto como ator estratégico por ter grandes reservas e por ser um país alinhado ao Ocidente, mas sem adesão automática às posições das maiores economias.
“O ponto é esse: a gente precisa ter segurança na cadeia de suprimentos de minerais críticos”, afirmou. “E quem chamar para esse acordo, senão o Brasil?”
Na avaliação do Notável, a decisão brasileira foi um gesto de soberania, mas também exige uma estratégia mais ampla para que o país não fique fora da reorganização global das cadeias produtivas.
Leia também: Carlo Pereira: tokenização pode colocar Brasil à frente na nova revolução financeira
No mesmo encontro, Lula tratou com lideranças europeias da barreira à carne brasileira. A União Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e produtos de origem animal ao bloco a partir de 3 de setembro, alegando falta de garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.
Pereira afirmou que a situação pode parecer contraditória, já que o Brasil recusou um acordo em uma frente e buscou reverter uma restrição em outra. Para ele, porém, são temas distintos.
“Pode soar contraditório, mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, disse.
Segundo o Notável, a barreira europeia tem componente técnico, ainda que também possa envolver protecionismo. Ele afirmou que não havia expectativa de reversão imediata durante a cúpula.
“É uma discussão técnica. Tem um protecionismo, mas tem um fundamento técnico por trás”, avaliou.
Para Pereira, o Brasil precisa deixar de tratar cada pauta comercial de forma isolada e passar a negociar com blocos e países em uma estratégia integrada.
“O Brasil tem que deixar de ter uma discussão parcelada e ter uma discussão mais concreta e de frentes mais amplas”, afirmou.
Ele defendeu que o país use seus ativos estratégicos — minerais, energia e agronegócio — de forma coordenada nas negociações internacionais.
Siga o Times Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Seguir no Google“Quer meu neodímio, que é uma terra rara, tem que comprar minha picanha”, disse. “Quer levar o neodímio, tem que levar a picanha.”
Na avaliação de Pereira, negociar tema a tema enfraquece o Brasil diante de blocos econômicos e grandes potências.
“O Brasil é um país riquíssimo em várias questões: energia, minerais, agro. Tem muitas frentes para serem colocadas de uma só vez”, afirmou.
Leia também: Carlo Pereira: Brasil deve tratar plano chinês para reduzir importações de soja como aviso ao agro
Pereira também citou o ambiente de tensão comercial liderado pelos Estados Unidos. Segundo ele, o presidente Donald Trump tem usado tarifas como instrumento de pressão sobre países que não negociam nos termos desejados por Washington.
Para o Notável, esse cenário reforça a necessidade de o Brasil agir de forma mais estratégica, articulando suas vantagens em diferentes setores.
“Quando vai discutindo tema a tema, acho que sem dúvida a gente fica enfraquecido”, afirmou.
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