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Carros definidos por software podem durar quanto tempo? Indústria ainda não tem resposta
Publicado 15/08/2026 • 13:35 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 15/08/2026 • 13:35 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Os americanos estão mantendo seus carros por mais tempo do que nunca, com a idade média dos veículos nos Estados Unidos chegando a 12,8 anos, segundo a Mobility Global. Mas alguns analistas e especialistas em projeções do setor temem que veículos altamente complexos e definidos por software envelheçam de maneira mais parecida com smartphones.
Esses veículos dependem de computadores e softwares sofisticados para controlar muitas funções que antes eram estritamente mecânicas ou administradas por tecnologias mais simples. Eles também podem receber atualizações de software pelo ar (over-the-air) e normalmente ficam conectados à internet ou a redes de comunicação, permitindo que as montadoras diagnostiquem alguns problemas remotamente, realizem determinados reparos e adicionem novos recursos.
“Um veículo definido por software é realmente um veículo que não fica mais parado no tempo. É um veículo que continua melhorando ao longo do tempo por meio de atualizações over-the-air”, disse Wassym Bensaid, diretor de software da Rivian. “O que gostamos de dizer na Rivian é que o Rivian menos capaz que você receberá de nós será aquele do dia da compra, e depois ele continuará evoluindo e ficando cada vez melhor ao longo do tempo.”
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A ascensão desses veículos carregados de tecnologia traz implicações para todo o mundo automotivo. Um veículo custa, em média, quase US$ 50 mil (R$ 261 mil) nos Estados Unidos – um investimento muito maior do que um smartphone –, mas, à medida que envelhece, alguns recursos podem ficar indisponíveis por causa de hardware obsoleto ou da interrupção do suporte ao produto. Tecnologias em constante transformação e muitas vezes proprietárias também levantam dúvidas sobre a possibilidade de reparar um veículo no longo prazo.
“Na verdade, não sabemos por quanto tempo esses veículos vão durar”, disse Sam Fiorani, vice-presidente sênior de projeções de veículos da AutoForecastSolutions. “Já estamos vendo problemas com hardware que não consegue lidar com novos softwares.”
Não é a primeira vez que proprietários de veículos enfrentam a perda de recursos tecnológicos.
Em 2022, a AT&T foi a primeira empresa de telecomunicações a desativar sua rede sem fio 3G, deixando milhões de veículos de diversas marcas sem acesso a recursos como serviços de resposta a emergências e algumas opções de navegação e entretenimento. Os veículos continuaram funcionando, apenas sem benefícios que estavam incluídos quando seus proprietários os compraram.
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A Tesla, por sua vez, afirmou em 2016 que todos os veículos que estavam sendo produzidos tinham o hardware necessário para a direção totalmente autônoma, ou FSD, e o CEO Elon Musk reafirmou em 2019 que o então novo computador Hardware 3 da companhia seria compatível com o recurso. Mas, em abril deste ano, Musk afirmou que veículos com Hardware 3 precisariam de computadores e câmeras atualizados para o FSD “não supervisionado”. A Tesla informou que clientes elegíveis poderiam receber uma atualização de hardware ou um desconto na troca do veículo.
A Tesla não respondeu a um pedido de comentário.
Bensaid, da Rivian, afirmou que a companhia tenta incorporar capacidade de hardware suficiente – o que ele chama de “folga” – para comportar cerca de sete a dez anos de atualizações de software.
“Há uma distinção entre atualizações de recursos, que são novas funcionalidades adicionais que você pode receber depois do lançamento e da compra do carro, e atualizações de segurança ou proteção”, afirmou. “Nosso compromisso com nossos proprietários é que as atualizações de segurança e proteção serão oferecidas pela Rivian indefinidamente. Seu veículo continuará totalmente funcional, totalmente seguro, independentemente da duração da propriedade.”
Sam Abuelsamid, vice-presidente de pesquisa de mercado da Telemetry, espera que se torne comum que recursos sejam atualizados por alguns anos e depois deixem de receber suporte à medida que o software supere a capacidade do hardware. Mas as montadoras provavelmente continuarão oferecendo um nível básico de suporte, especialmente na forma de atualizações de segurança e proteção e correções de falhas.
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Siga o Times | CNBC“Do ponto de vista da responsabilidade pelo produto e da segurança, elas têm um incentivo para corrigir esses problemas tanto quanto for possível”, afirmou.
Mas manter softwares custa dinheiro, enquanto o hardware pode apresentar defeitos e precisar ser substituído.
A perda dos serviços 3G nesses carros em 2022 levantou a questão de se o valor de revenda cairia como consequência. Fiorani afirmou que uma parcela maior dos consumidores está recorrendo a carros usados e que se preocupa com a disponibilidade de veículos usados acessíveis no longo prazo.
Veículos definidos por software “provavelmente não mudarão fundamentalmente o mercado de carros usados”, afirmou Alex Yurchenko, vice-presidente de análise de dados da J.D. Power. No entanto, o mercado pode se dividir em duas categorias: veículos que continuam recebendo suporte over-the-air e preservam melhor seu valor e aqueles que não recebem. Programas de veículos usados certificados pelas fabricantes podem ganhar importância, já que os consumidores podem preferir essa garantia, afirmou.
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“A avaliação de valor continua sendo um desafio”, disse. “Não existem padrões amplamente aceitos para avaliar recursos habilitados por software, e os compradores podem ter preocupações sobre calibração de [sistemas avançados de assistência ao motorista], disponibilidade de recursos, privacidade de dados e disponibilidade de longo prazo de assinaturas ou serviços conectados.”
Fiorani, que é fã de carros clássicos, questiona o que a ascensão dos veículos definidos por software significará para a cultura automobilística, incluindo colecionadores, restauradores e outros entusiastas.
“Pensando mais adiante, quando esses veículos se tornarem clássicos, como eles serão mantidos e como terão suporte para manutenção no mercado independente?”, questionou.
Carros mais antigos podem trazer seus próprios desafios: peças pouco comuns e manuais de manutenção difíceis de encontrar, para citar alguns. Um veículo que funciona em uma plataforma de software proprietária apresenta um conjunto diferente de dificuldades, e sua manutenção pode exigir habilidades especializadas, ferramentas e acesso aos dados do veículo.
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As chamadas leis de “direito ao reparo”, que dão aos consumidores maior acesso para consertar seus telefones, carros e outras tecnologias, começaram a se espalhar pelos Estados Unidos.
Bensaid afirmou que os veículos da Rivian em breve darão aos proprietários mais acesso ao veículo para cumprir essas leis.
“Uma das próximas atualizações que teremos é justamente desbloquear o que chamamos de menu de serviço dentro do carro e realmente permitir que nossos proprietários realizem mais ações em conformidade com as regulamentações de direito ao reparo”, afirmou. “Mas queremos ir ainda além disso e realmente permitir que os proprietários, dentro do carro, façam uma verificação completa de diagnóstico usando nosso assistente de IA e os menus na tela, depois realizem alguns dos reparos básicos e, então, sejam orientados para alguns dos terceiros certificados que recomendamos.”
Abuelsamid afirmou que empresas que decidirem deixar de oferecer suporte aos próprios produtos deveriam ser obrigadas a liberar o software para terceiros capazes de mantê-lo.
“Se seguirmos por esse caminho, se realmente incorporarmos o direito ao reparo como algo ao qual todos tenham acesso, então, sim, estou mais otimista do que costumava estar”, afirmou.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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