CNBC

CNBCIrã desafia Trump por Ormuz em meio a novo ataque contra navio

Conflito no Oriente Médio

Irã desafia Trump por Ormuz em meio a novo ataque contra navio

Publicado 15/08/2026 • 09:45 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Teerã rejeitou declaração de Donald Trump de que o Estreito de Ormuz poderá se tornar território dos Estados Unidos após o conflito.
  • Chancelaria iraniana afirmou que não há negociações com Washington, apesar da troca de mensagens intermediada por Catar e Paquistão.
  • Novo incidente atingiu um navio cargueiro no estreito, enquanto Estados Unidos mantêm bloqueio naval e pressão econômica contra o Irã.

O Irã rejeitou a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o Estreito de Ormuz poderá se tornar território americano, em um momento de impasse diplomático entre Washington e Teerã e de novos relatos de ataques contra embarcações na estratégica rota marítima.

“O Estreito de Ormuz foi iraniano, é iraniano e continuará iraniano; esse estreito só será fechado e aberto sob o comando do Irã”, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, em uma publicação no X na noite de sexta-feira (14).

Gharibabadi acrescentou que “o Estreito de Ormuz não pode ser tomado por um tuíte, nem por um porta-aviões, nem pela emissão de uma ordem, nem por um discurso eleitoral”.

A declaração foi uma resposta a Trump, que havia afirmado anteriormente que, depois de os Estados Unidos derrotarem o Irã, “muito em breve declararei o Estreito de Ormuz um território dos Estados Unidos”.

Leia também: Novo ataque no Estreito de Ormuz atinge navio de estatal dos Emirados Árabes

Trump, que costuma recorrer à expressão de que “ao vencedor pertencem os espólios”, já havia levantado a possibilidade de os Estados Unidos cobrarem tarifas pela passagem de embarcações pelo estreito após o fim do conflito. Posteriormente, porém, abandonou a ideia.

Antes de Estados Unidos e Israel iniciarem a guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz funcionava como uma rota marítima internacional aberta e sem cobrança de pedágios.

Irã nega negociações com os EUA

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que os dois países não têm atualmente “nada parecido com um cessar-fogo”.

Segundo declarações de Araghchi reproduzidas pelo veículo iraniano Shahrara News neste sábado (15), também não há negociações em andamento entre Washington e Teerã.

Leia também: Irã diz que não teme ameaças de Trump e manterá controle sobre Ormuz

“Nenhuma negociação foi realizada entre nós e os Estados Unidos neste momento”, declarou o chanceler. Araghchi explicou que Catar e Paquistão estão atuando como intermediários, mas rejeitou a interpretação de que esse contato represente a retomada formal do diálogo.

“Catar e Paquistão estão trocando mensagens entre as partes e estão em contato conosco, mas isso não significa negociações”, afirmou.

Em paralelo ao impasse diplomático, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), organização apoiada pela Marinha britânica, informou neste sábado ter recebido um relato verificado de que um navio graneleiro foi atingido no Estreito de Ormuz.

Segundo o UKMTO, a embarcação foi “atingida por um projétil desconhecido que acertou o casco”.

Leia também: Em meio a tensão com Irã, Marinha dos Estados Unidos trabalha para substituir o problemático porta-aviões USS Abraham Lincoln

Desde o colapso do cessar-fogo provisório em junho, navios que atravessam o estreito têm sido atingidos repetidamente por projéteis iranianos. Os Estados Unidos, por sua vez, atacaram alvos do Irã como parte do bloqueio imposto aos portos iranianos.

Trump pede tolerância com gasolina mais cara

Enquanto persiste o impasse militar e diplomático, os preços da energia permanecem elevados em relação aos níveis registrados antes da guerra.

Trump afirmou na sexta-feira que os americanos precisarão aceitar preços ligeiramente mais altos dos combustíveis enquanto os Estados Unidos mantêm sua ofensiva contra o Irã.

“Então, quando vocês tiverem que pagar um pouquinho a mais pela gasolina, lembrem-se de que estão fazendo isso para que um país muito maligno não possa ter [uma arma nuclear], um país que realmente é o principal patrocinador estatal do terrorismo no mundo”, afirmou Trump durante um discurso.

Leia também: Trump diz que declarará Estreito de Ormuz território dos EUA

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

O presidente americano voltou ao tema ao citar diretamente o impacto nas bombas de combustível. “Não queremos que eles tenham uma arma nuclear. Então lembrem-se disso quando tiverem que pagar um pouco mais, quando estiverem pagando quatro dólares”, declarou.

O preço médio do galão de gasolina nos Estados Unidos estava em US$ 4,07 (R$ 21,25) neste sábado, segundo a American Automobile Association. Um ano antes, a média era de US$ 3,15 (R$ 16,44).

Além da pressão militar, Washington mantém um amplo regime de sanções econômicas contra Teerã.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o governo americano pretende aplicar contra o Irã medidas econômicas “que nunca foram vistas”.

“Será uma combinação de isolamento econômico como o mundo nunca viu antes e a continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz, que impedirá qualquer coisa de entrar ou sair dos portos iranianos”, disse Bessent em entrevista à Newsmax na noite de quinta-feira (13), sem apresentar mais detalhes sobre as medidas.

Leia também: “Estreito de Ormuz continua bloqueado”: Irã contesta declarações de Trump enquanto tráfego cai para perto da mínima de três meses

EUA falam em bloqueio por tempo indeterminado

As declarações de Bessent ocorreram enquanto o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmava que as Forças Armadas americanas têm condições de manter o bloqueio naval contra o Irã por tempo “indeterminado”.

Segundo Hegseth, a Marinha continuará fazendo o rodízio das embarcações empregadas na operação. Os navios serão substituídos “como temos feito e continuaremos fazendo”, afirmou a jornalistas.

Reportagens indicaram que o porta-aviões USS George Washington estava a caminho da região para substituir o USS Abraham Lincoln, que já está mobilizado no Oriente Médio há mais de 250 dias. Inicialmente, a missão do Lincoln deveria ter terminado em maio.

O grupo de ataque liderado pelo George Washington deixou o Vietnã em 12 de agosto, segundo comunicado da Marinha americana.

Leia também: Capital Sustentável: Reabertura de Ormuz não garante normalização do petróleo, avalia Carlo Pereira

Hegseth também contestou relatos sobre as condições a bordo do Abraham Lincoln. Entre as informações divulgadas estavam escassez de alimentos, deterioração do moral da tripulação e até tentativas de marinheiros de saltar da embarcação. Para o secretário de Defesa, essas informações foram “completamente deturpadas”.

Após as declarações de Hegseth, o deputado democrata Mike Levin, da Califórnia, afirmou no X ter enviado uma carta ao secretário de Defesa e ao secretário interino da Marinha, Hung Cao, manifestando sérias preocupações com as condições no porta-aviões.

“Os relatos vindos de famílias de militares e de pessoas próximas sobre as condições a bordo do USS Lincoln são simplesmente inaceitáveis”, diz a carta. O documento menciona relatos de chuveiros com mofo, banheiros quebrados, falta de água quente, dificuldade de acesso a produtos frescos e escassez de suprimentos.

A carta afirma ainda que marinheiros e fuzileiros navais enfrentam uma “carga de trabalho esmagadora”, situação que estaria contribuindo para “fadiga extrema e esgotamento”.

Leia também: Trump afirma que os EUA manterão o ‘controle total’ sobre o Estreito de Ormuz

O Comando Central dos Estados Unidos também se manifestou no X para negar relatos de que teria ocorrido uma briga a bordo do porta-aviões. Segundo o órgão, nenhum integrante das Forças Armadas americanas morreu.

A manifestação ocorreu depois de veículos iranianos afirmarem, na terça-feira (11), que sete integrantes da Marinha dos Estados Unidos haviam morrido e vários outros ficaram feridos “em um confronto violento” a bordo do USS Abraham Lincoln.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

MAIS EM Conflito no Oriente Médio