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Casas Bahia: pressão dos juros e crédito restrito levaram à recuperação judicial, afirma CEO

Publicado 17/08/2026 • 09:41 | Atualizado há 59 minutos

KEY POINTS

  • O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial após a combinação de juros elevados, crédito mais restrito e consumo pressionado agravar as condições financeiras da companhia.
  • CEO da empresa, Renato Franklin, afirmou que as medidas adotadas nos últimos anos para reduzir o endividamento não foram suficientes.
  • Pedido envolve mais de R$ 17 bilhões em dívidas com bancos, fundos de investimento, seguradoras, fornecedores, além de aluguéis e dívidas trabalhistas.
Casas Bahia.

Divulgação / Casas Bahia

Casas Bahia enfrenta pressão sobre resultados enquanto amplia medidas de ajuste operacional e financeiro.

O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial após a combinação de juros elevados, crédito mais restrito e consumo pressionado agravar as condições financeiras da companhia. Segundo o CEO Renato Franklin, as medidas adotadas nos últimos anos para reduzir o endividamento não foram suficientes diante da mudança no ambiente econômico.

“Reduzimos de forma relevante o endividamento financeiro, melhoramos nossa estrutura de capital, avançamos em eficiência e fortalecemos a geração de caixa. Mas precisamos reconhecer que essa evolução, embora crucial, não foi suficiente diante de um cenário de crédito mais restritivo, juros elevados e consumo pressionado”, afirmou Franklin.

O pedido envolve cerca de R$ 17,3 bilhões em obrigações com bancos, fundos de investimento, seguradoras, fornecedores, além de aluguéis e dívidas trabalhistas. A medida inaugura uma nova etapa de reorganização financeira e operacional da companhia.

Leia também: Casas Bahia pede recuperação judicial com agravamento da crise financeira e dívida de R$ 17,3 bilhões

Alternativas de financiamento perderam espaço

Antes de recorrer à recuperação judicial, a empresa buscava reforçar o caixa por meio de aporte de capital ou novas linhas de crédito. De acordo com Franklin, a piora do cenário global e o aumento da aversão ao risco dificultaram as negociações.

“A realidade mudou e, junto ao nosso Conselho de Administração, tomamos decisões para adequar a Companhia a essa nova realidade”, disse o executivo.

A Casas Bahia vinha apresentando redução da dívida líquida e da alavancagem. No segundo trimestre de 2026, a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado caiu para 0,5 vez, ante 2,2 vezes no mesmo período do ano anterior. O fluxo de caixa livre chegou a R$ 800 milhões no trimestre, contra R$ 173 milhões no 2T25.

Apesar da melhora desses indicadores, a companhia considera necessário reestruturar suas obrigações financeiras para adequá-las às condições atuais. “A recuperação judicial faz parte de uma reorganização do passivo da empresa de forma mais ampla”, afirmou Franklin.

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Segunda fase reduz tamanho da operação

A recuperação judicial ocorre em paralelo à segunda etapa do Plano de Transformação da empresa. A estratégia passa a priorizar geração de caixa e rentabilidade, com redução da estrutura operacional e maior seletividade nos investimentos.

Entre as medidas já adotadas está o fechamento de 298 lojas consideradas de baixo desempenho e a redução de custos e despesas. A empresa também prevê rever os canais digitais, ajustar estoques e capital de giro, reduzir investimentos e buscar alternativas para diminuir o custo financeiro.

No comércio eletrônico, a companhia pretende deixar de priorizar crescimento de volume que não resulte em retorno econômico. Margem, geração de caixa e retorno sobre o capital empregado passam a orientar as decisões.

Leia também: Casas Bahia divulga balanço com prejuízo de R$ 10,1 bilhões no 2º trimestre

Atividades seguem durante o processo

O pedido de recuperação judicial não interrompe as operações da Casas Bahia. As lojas físicas e os canais digitais continuarão funcionando, assim como o atendimento aos clientes e as relações com fornecedores, de acordo com as condições estabelecidas no processo.

“A estratégia daqui em diante é operar uma Companhia menor, mais seletiva e concentrada nas atividades capazes de gerar retorno e caixa”, afirmou Franklin. Segundo o CEO, a empresa também deverá adequar custos e investimentos ao novo nível de atividade, melhorar o giro de estoques e reduzir a necessidade de capital empregado.

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