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Habib’s tentou negociar com credores antes da recuperação judicial; entenda por que não deu certo

Publicado 28/08/2026 • 19:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Habib’s tentou negociar com credores antes de recorrer à recuperação judicial para reorganizar suas dívidas.
  • Tutela cautelar de 60 dias não foi suficiente para conter a pressão financeira e avançar nas negociações.
  • Grupo Gennius aponta pandemia, mudança no consumo e alta dos juros entre os fatores da crise financeira.
Habib’s tentou negociar com credores antes da recuperação judicial; entenda por que não deu certo

Foto: divulgação

Habib’s tentou negociar com credores antes da recuperação judicial; entenda por que não deu certo

Antes de pedir recuperação judicial, o Grupo Gennius, responsável pelas marcas Habib’s, Ragazzo e Tendal, tentou criar condições para negociar com seus credores. Para isso, recorreu à Justiça e pediu uma tutela cautelar, que garantiu inicialmente proteção patrimonial por 60 dias.

A medida, porém, não foi suficiente para solucionar o endividamento. Segundo a petição inicial, o período não permitiu chegar a uma solução para as dívidas. Além disso, alguns credores continuaram adotando medidas como bloqueios de contas, execuções e restrições ao fornecimento de produtos.

Com o agravamento da situação financeira, o grupo afirma que concluiu que precisava de uma reestruturação mais ampla. Por isso, apresentou o pedido de recuperação judicial.

Leia também: Em pedido de recuperação judicial, dono do Habib’s atribui crise financeira a efeitos da pandemia, mudança no consumo e alta dos juros

Por que a negociação com os credores não avançou?

A tentativa de negociação ocorreu em meio a uma forte pressão sobre o caixa. Na petição, o Grupo Gennius atribui a crise a uma combinação de fatores que afetaram as receitas, as margens e a capacidade de pagamento. Entre eles estão os efeitos prolongados da pandemia de Covid-19, a mudança nos hábitos dos consumidores e o aumento do custo do crédito.

Durante a pandemia, as restrições à circulação e a adoção do trabalho remoto reduziram o movimento em regiões comerciais e empresariais. Como parte das unidades estava instalada em shoppings e áreas urbanas de grande circulação, os restaurantes sentiram os efeitos da queda no fluxo de pessoas.

Segundo o grupo, o movimento também não voltou completamente após o fim das restrições. A expansão do trabalho remoto e híbrido manteve menor a circulação de trabalhadores nos centros urbanos, o que afetou a frequência dos consumidores.

Delivery também pressionou as margens

Ao mesmo tempo, o avanço das plataformas de delivery mudou a relação dos clientes com os restaurantes. Embora os aplicativos tenham ampliado as vendas por entrega, o grupo afirma que o modelo também pressionou as margens.

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Com menos consumidores nas lojas e uma parcela maior dos pedidos feita para consumo em casa, o Grupo Gennius diz ter registrado deterioração dos resultados operacionais.

Além disso, a alta dos juros aumentou a pressão sobre as contas. De acordo com a petição, a Selic passou de cerca de 4% para níveis próximos de 15% no período mencionado. O grupo afirma que o aumento encareceu dívidas contratadas, muitas delas durante a pandemia. A elevação dos juros também teria pressionado o capital de giro e contribuído para atrasos com fornecedores.

Leia também: Habib’s, Ragazzo e Tendal: recuperação judicial envolve 151 restaurantes; veja a divisão

Dívida do Habib’s supera R$ 265 milhões no processo

A petição informa que o passivo apresentado no processo soma R$ 265,2 milhões. Desse total, R$ 22,3 milhões estão na Classe I, R$ 241,7 milhões na Classe III e R$ 1,1 milhão na Classe IV. Ao mesmo tempo, o documento afirma que a dívida bancária supera R$ 300 milhões. A petição não explica, nesse trecho, a diferença entre esse valor e o passivo de R$ 265,2 milhões informado no processo.

O pedido envolve 178 pessoas jurídicas, além dos produtores rurais Alberto e Belchior Saraiva. A estrutura inclui holdings, franqueadoras, empresas de apoio e produção, seis churrascarias Tendal, 119 unidades Habib’s e 26 lojas Ragazzo.

Diante desse cenário, o Grupo Gennius sustenta que as negociações realizadas fora da recuperação judicial não foram suficientes para reorganizar suas obrigações. Assim, o Habib’s e as demais marcas do grupo recorrem ao processo para reestruturar o passivo e buscar a continuidade das operações.

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