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CEO da Volkswagen diz que situação é ‘mais do que crítica’ e admite risco para fábricas
Publicado 23/08/2026 • 14:47 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 23/08/2026 • 14:47 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Foto: unsplash
O CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, afirmou que a situação da montadora é “mais do que crítica” e defendeu novos cortes de custos diante da pressão sobre os lucros, do avanço das fabricantes chinesas e das mudanças no comércio global.
O alerta ocorre antes de uma rodada de reuniões com funcionários em fábricas na Alemanha, nas quais a direção apresentará os próximos passos de seu plano de reestruturação. Unidades como Emden, Hannover, Zwickau e Neckarsulm estão entre as que enfrentam incertezas sobre a produção na próxima década.
“Estamos na maior transformação da história da indústria automobilística mundial”, afirmou Blume em entrevista divulgada pela Volkswagen. Segundo ele, tarifas americanas, pressão sobre o mercado chinês, conflitos geopolíticos, concorrência na Europa e custos regulatórios atingem simultaneamente o grupo.
Apesar de registrar margem operacional de 3,8%, Blume disse que a rentabilidade atual não é suficiente para sustentar, no longo prazo, investimentos em novas tecnologias, produtos e fábricas.
“A situação é mais do que crítica”, afirmou.
Leia também: Volkswagen planeja cortar 15% da força de trabalho e fechar quatro fábricas na Alemanha, diz reportagem
Nenhuma decisão sobre fechamento de unidades foi tomada, segundo o executivo. A Volkswagen, porém, admite que ainda não encontrou uma perspectiva competitiva para manter plenamente ocupadas as fábricas de Emden, Hannover, Zwickau e Neckarsulm durante a década de 2030.
Além disso, o grupo calcula que precisa reduzir uma capacidade excedente superior a 500 mil veículos por ano na Europa.
Blume afirmou que manter fábricas com capacidade acima da demanda deixou de ser sustentável.
O fechamento, segundo ele, seria a alternativa mais extrema. “Fechar fábricas é sempre a solução mais cara e o último recurso”, afirmou.
Para unidades que eventualmente deixem de fabricar automóveis, a Volkswagen procura outros usos industriais. Em Osnabrück, por exemplo, há negociações avançadas com empresas do setor de defesa.
Desde o fim de 2024, o grupo acertou a redução de cerca de 50 mil posições na Alemanha até 2030, envolvendo Volkswagen, Audi, Porsche e a divisão de software Cariad.
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Siga o Times | CNBCSegundo Blume, aproximadamente 37 mil acordos com funcionários já foram assinados. Os cortes previstos são principalmente voluntários e incluem programas de aposentadoria antecipada.
O executivo também afirmou que os custos das áreas administrativas e de suporte ainda estão cerca de 30% acima dos observados em empresas comparáveis, indicando que novas medidas podem ser necessárias.
Em julho, Blume apresentou ao conselho de supervisão um plano mais amplo para reduzir despesas, mas não recebeu naquele momento uma autorização definitiva para todas as medidas.
Agora, a direção prepara uma nova rodada de discussões enquanto tenta obter apoio de acionistas e representantes dos trabalhadores.
Leia também: Investidores da Volkswagen cobram mudanças imediatas para enfrentar concorrência chinesa
Parte da deterioração do cenário vem da China. Blume afirmou que o mercado chinês encolheu mais de 20% desde o início do ano e que fabricantes locais lançaram mais de 500 modelos no período. Os preços no país caíram mais de 15% em dois anos.
Ao mesmo tempo, montadoras chinesas ampliam participação na Europa. Segundo a Volkswagen, essas fabricantes já respondem por cerca de 9% do mercado europeu em 2026.
Nos Estados Unidos, o aumento das tarifas também pressiona os custos. Blume afirmou que veículos enviados da Europa, que há dois anos estavam sujeitos a tarifa de 2,5%, agora enfrentam alíquota de 15%. Para determinados veículos produzidos no México, a cobrança pode chegar a 27,5%.
Questionado sobre a possibilidade de melhora do ambiente internacional, o executivo descartou contar com uma reversão no curto prazo.
“Pelo contrário, temos que assumir que os riscos vão se intensificar ainda mais em todo o mundo”, afirmou.
A direção da Volkswagen deve detalhar seus próximos passos aos funcionários nos próximos dias. Blume também fez um apelo para que os trabalhadores apoiem o plano de transformação do grupo, enquanto o sindicato IG Metall promete resistir a eventuais fechamentos de fábricas.
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