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Dr. Inovação: Chip transforma pensamento em voz e abre nova fronteira na saúde, diz Pedro Batista

Publicado 28/09/2026 • 17:22 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • Tecnologia experimental consegue captar sinais cerebrais ligados à intenção de fala e convertê-los em palavras e voz sintetizada.
  • Pedro Batista explica que avanço depende da preservação dos sinais cerebrais e não pode ser aplicado da mesma maneira a todos os pacientes.
  • Empresas ampliaram investimentos em interfaces cérebro-máquina desde 2022, mas tecnologia ainda precisa avançar em estudos clínicos.

A capacidade de transformar a intenção de fala em uma voz sintetizada representa um novo avanço das interfaces entre cérebro e máquina, segundo Pedro Batista, médico, empresário e notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Em sua participação no quadro Dr. Inovação desta segunda-feira (28), o especialista analisou o caso do americano Terence Mandable, que perdeu a capacidade de falar devido à esclerose lateral amiotrófica (ELA) e voltou a se comunicar por meio de implantes capazes de captar a atividade cerebral e interpretá-la com auxílio de software.

“A IA realmente está transformando várias verticais da economia. E na saúde não é diferente”, destacou Batista.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais com um vídeo no qual o paciente olha para uma tela, chama a esposa e consegue dizer “eu te amo”. Segundo Pedro Batista, trata-se da aplicação de uma interface cérebro-máquina para recuperar uma forma de comunicação perdida pela progressão da doença.

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Como o pensamento vira voz

Pedro Batista explicou que o paciente recebeu chips e eletrodos implantados no cérebro, capazes de captar os padrões elétricos associados à intenção de fala. Esses sinais são enviados para um sistema que procura identificar a informação produzida pelo cérebro.

“Baseado na interpretação de todos esses micropadrões energéticos que passam pelo cérebro, esse dispositivo consegue mandar para um captador todas as informações geradoras de uma potencial fala”, explicou.

Em termos simplificados, o sistema identifica a tentativa de falar, os implantes registram os sinais e um software interpreta essa atividade, transforma a intenção em texto e pode sintetizá-la em voz.

No caso da ELA, segundo Pedro, a tecnologia se beneficia do fato de que o pensamento e determinados sinais cerebrais continuam preservados, embora a doença comprometa progressivamente a transmissão dos comandos aos músculos.

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“O sinal cerebral existe. O ímpeto do sinal acontece ainda. É por isso que esses captadores conseguem agregar essas informações que foram produzidas na região da fala do cérebro para poder enviar para o software que decodifica”, ressaltou.

O médico alertou, entretanto, que isso não significa que a mesma solução possa ser imediatamente aplicada a qualquer pessoa que tenha perdido a fala, como pacientes que sofreram determinados tipos de AVC. Se a região cerebral responsável por produzir o sinal tiver sido destruída, não haverá atividade correspondente para ser captada pelo dispositivo.

“Se o tecido cerebral não produz mais, se houve morte daquela parte daquele tecido cerebral, não tem como”, ponderou.

Tecnologia pode ir além da fala

O potencial das interfaces cérebro-máquina, segundo Pedro Batista, não se restringe à comunicação verbal. O mesmo princípio pode ser estudado para captar outros comandos produzidos pelo cérebro e convertê-los em ações externas.

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“Isso vale não só para a fala. Isso vale para a mobilização de membros, isso vale para a gente conseguir entender outros padrões de estímulos também produzidos pelo cérebro”, observou.

O desafio está em estabelecer uma interface capaz de interpretar corretamente a informação elétrica cerebral e convertê-la em uma resposta externa.

Para que essa tecnologia chegue a uma parcela maior da população, porém, ele considera necessário ampliar o número de pacientes estudados, os procedimentos realizados e o volume de informações clínicas disponíveis.

“A gente precisa de mais pacientes, a gente precisa de mais procedimentos cirúrgicos e de um estudo clínico aprimorado para que isso possa vir à população”, disse.

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Segundo o médico, a expansão precisa ocorrer com atenção à segurança e à capacidade de a tecnologia entregar os resultados esperados antes de uma utilização mais ampla.

Investimentos crescem em interfaces cérebro-máquina

Pedro Batista também chamou atenção para o volume crescente de recursos destinados ao desenvolvimento dessas tecnologias, especialmente a partir de 2022.

De acordo com o especialista, algumas das principais empresas que vêm apresentando avanços passaram a receber investimentos que chegam a dezenas ou centenas de milhões de dólares.

Entre elas está a Neuralink, uma das companhias que mais têm divulgado resultados relacionados a interfaces cérebro-máquina. Batista ressaltou, contudo, que os resultados ainda são iniciais, apesar do potencial demonstrado.

“São resultados iniciais, mas que chamam muita atenção, porque a IA está sendo capaz de interpretar com cada vez mais assertividade o que é produzido dentro do nosso cérebro”, avaliou.

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Para Pedro Batista, o avanço dessas tecnologias mostra que aplicações antes associadas principalmente à ficção científica estão progressivamente mais próximas da realidade, embora ainda dependam de pesquisa, testes clínicos e comprovação de segurança antes de alcançarem uso em larga escala.

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