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Dr. Inovação: Saúde mental vira obrigação para empresas com novas regras trabalhistas
Publicado 10/08/2026 • 16:22 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 10/08/2026 • 16:22 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O avanço dos afastamentos relacionados à saúde mental exige que as empresas deixem de tratar o problema apenas como uma questão de bem-estar e incorporem os riscos psicossociais à gestão do ambiente de trabalho, avalia Pedro Batista, médico e notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Em sua participação no quadro Dr. Inovação desta segunda-feira (10), Batista afirmou que a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) amplia a responsabilidade dos empregadores na identificação, prevenção e acompanhamento de fatores capazes de comprometer a saúde emocional dos trabalhadores.
O médico classificou o atual cenário como uma “pandemia emocional” e destacou que o problema envolve tanto profissionais mais jovens, que chegam ao mercado com novas expectativas sobre as relações de trabalho, quanto trabalhadores mais experientes submetidos durante anos a ambientes de elevada pressão.
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“A gente está vivendo uma situação muito grave no Brasil e no mundo. Quem está hoje na ponta do mercado de trabalho e tentando sustentar todo o padrão que vinha ocorrendo nos últimos 30 anos tem entrado em burnout cada vez mais acelerado”, afirmou Batista.
Dados apresentados durante a entrevista apontam que 546 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais em 2025, crescimento de 15% em relação a 2024. Os casos diagnosticados de burnout também quadruplicaram entre 2023 e 2025.
Batista ressaltou que o avanço não representa apenas uma percepção maior de esgotamento profissional. Os números se referem a quadros efetivamente diagnosticados e associados a afastamentos do trabalho.
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“Não é uma impressão de burnout. São burnouts diagnosticados, constatados e evidenciados nos afastamentos”, destacou.
O médico também citou estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) segundo a qual problemas provocados pela falta de saúde mental resultam em perdas de produtividade de US$ 1 trilhão (R$ 5,12 trilhões) por ano no mundo.
Para as empresas, segundo Batista, o impacto financeiro pode ultrapassar os custos diretamente relacionados ao afastamento. Trabalhadores com problemas de saúde mental podem demandar maior utilização dos serviços médicos e dos planos de saúde corporativos, com reflexos posteriores nos custos dos benefícios oferecidos pelas companhias.
Com as novas exigências, Batista avalia que as empresas precisarão estruturar mecanismos capazes de identificar fatores de risco e acompanhar trabalhadores que apresentem sinais de depressão, ansiedade grave ou outras condições capazes de comprometer sua atividade profissional.
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“A partir de agora, o empregador precisa dar suporte adequado a todos os programas de gestão de risco”, afirmou.
Na avaliação do médico, a adequação não deve ser encarada apenas como uma nova obrigação burocrática. A prevenção pode reduzir afastamentos e, consequentemente, trazer ganhos de produtividade e eficiência para as próprias companhias.
“Os dados já são claros. Está nítido que a gente tem hoje um número absurdo de afastamentos por saúde mental”, afirmou. Para Batista, investir na prevenção pode se traduzir em melhores resultados operacionais.
O médico também chamou atenção para a necessidade de as empresas registrarem e documentarem as ações adotadas. Segundo ele, a ausência de registros sobre o mapeamento dos riscos psicossociais pode aumentar a exposição do empregador em eventuais disputas judiciais.
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A inteligência artificial pode se tornar uma das ferramentas para auxiliar as empresas nesse processo. Batista destacou o potencial da combinação entre IA, dispositivos vestíveis e avaliações periódicas para acompanhar mudanças no comportamento e no estado emocional dos trabalhadores.
“São pequenos pontos, pequenas atitudes, pequenas ações e pequenos sintomas que vão exacerbando ao longo do tempo”, explicou.
A coleta periódica de informações por meio de questionários e dispositivos digitais, segundo o médico, pode ajudar a detectar mudanças no comportamento antes que o trabalhador desenvolva um quadro mais grave.
“A gente passa a ter uma antecipação de crises, e isso pode ser a grande disrupção no momento de diagnosticar casos que podem evoluir para a gravidade”, afirmou.
Para Batista, a combinação entre prevenção, acompanhamento e novas tecnologias pode transformar a adequação às novas regras em uma estratégia para reduzir afastamentos, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida no ambiente corporativo.
“A gente precisa botar a mão na massa e começar a implementar as medidas que vão fazer com que tenhamos mais produtividade, qualidade de vida e, principalmente, menos estresse no nosso trabalho”, concluiu.
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