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Dr. Inovação: Saúde investe em IA, mas falta de preparo impede resultados práticos, diz Pedro Batista
Publicado 14/09/2026 • 17:08 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 14/09/2026 • 17:08 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O avanço dos investimentos em inteligência artificial na saúde esbarra na falta de preparo das organizações para transformar novas ferramentas em resultados concretos, afirmou Pedro Batista, médico, empresário e notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, durante o quadro Dr. Inovação desta segunda-feira (14)
Batista explicou que comprar sistemas não basta: hospitais, clínicas, operadoras e gestores públicos precisam desenvolver letramento digital e maturidade tecnológica, além de estabelecer formas de medir os resultados obtidos para que a inovação gere valor efetivo ao paciente.
“Não adianta tentar contratar ferramentas sem o que a gente chama de letramento digital”, afirmou.
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Segundo Batista, a estimativa é que US$ 80 bilhões (R$ 411,2 bilhões) sejam investidos em medtechs e healthtechs neste ano em todo o mundo, enquanto grande parte das iniciativas envolvendo inteligência artificial ainda não consegue produzir os resultados esperados.
Para o especialista, o problema começa quando responsáveis pelas decisões incorporam tecnologias sem conhecer suficientemente as necessidades da própria organização.
“Melhorar a decisão significa que você tem que entender todos os componentes que estão dentro da sua estrutura, da sua empresa, entender qual é o formato e a característica dos dados, entender qual é a real utilização daquele sistema, entender se você tem equipe apta para usar aquilo”, explicou.
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Batista alertou que esse desafio envolve desde donos de clínicas e hospitais até diretores de operadoras e secretários de Saúde, especialmente diante da euforia provocada pelo surgimento constante de novas ferramentas.
O médico divide a capacidade de gerar resultados com tecnologia em três pilares: letramento, maturidade e evidência. O primeiro está relacionado à capacidade de tomar uma decisão adequada sobre a tecnologia; o segundo, às condições que a organização possui para efetivamente utilizá-la.
“A maturidade é justamente a capacidade que aquele serviço que comprou a tecnologia tem de executar”, pontuou.
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Batista citou a telemedicina como exemplo. Uma ferramenta pode melhorar o atendimento remoto, mas o benefício se perde quando não existe estrutura para garantir a continuidade do acompanhamento do paciente depois da consulta.
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Siga o Times | CNBC“O problema é que, após o paciente passar pela consulta de telemedicina, ele não tem seguimento do seu acompanhamento médico. E isso traz gargalo para a saúde. Isso traz, infelizmente, perda de evidência, que é com o que a medicina trabalha”, explicou.
A capacidade de medir resultados completa esse processo. Sem evidências objetivas, segundo Batista, a organização não consegue determinar se a tecnologia adquirida efetivamente melhorou a operação ou o atendimento.
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Batista afirmou que 95% das ferramentas de inteligência artificial médica no Brasil ainda não justificam diretamente o próprio custo, situação que representa desperdício de recursos e limita o potencial das tecnologias. “É muito esforço, é muito dinheiro e, infelizmente, quem sofre com isso é o paciente”, ressaltou.
Segundo o especialista, disponibilizar uma ferramenta para uma equipe não significa simplesmente entregar licenças de uso. É necessário identificar quais profissionais têm condições de utilizá-la, estabelecer objetivos e preparar as pessoas para incorporar a tecnologia ao trabalho.
“Colocar o seu time dentro da sua clínica, dentro do seu hospital, dentro da sua operadora, dentro da sua secretaria de Saúde, não significa entregar uma licença de uma ferramenta qualquer de IA. Significa você entender realmente o que precisa ser feito dentro da sua estrutura”, afirmou.
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Para Batista, a inteligência artificial deve ser usada para ampliar a capacidade de atendimento, identificar riscos e aumentar a segurança, sem reduzir a proximidade entre profissionais de saúde e pacientes.
“Colocar IA, colocar novas tecnologias, não significa abandonar a capacidade de colocar cada vez mais o estetoscópio próximo do paciente”, destacou.
O especialista defendeu que executivos e gestores aprofundem seu conhecimento antes de decidir pela adoção de uma ferramenta. O objetivo, segundo ele, deve ser utilizar a tecnologia para aumentar a capacidade dos profissionais de chegar mais perto dos pacientes, e não apenas digitalizar processos.
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“Você que é um executivo, você que é um diretor de hospital, você que é um dono de clínica, precisa se aprofundar e se preparar mais para entender exatamente o que está comprando e o que está trazendo para dentro do seu serviço”, concluiu.
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