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Dr. Inovação: Planos de saúde crescem, mas custos ameaçam rentabilidade do setor, avalia Pedro Batista
Publicado 31/08/2026 • 17:00 | Atualizado há 52 minutos
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Publicado 31/08/2026 • 17:00 | Atualizado há 52 minutos
KEY POINTS
O avanço do número de beneficiários deixou de ser garantia de maior rentabilidade para as operadoras de planos de saúde, diante da escalada dos custos assistenciais e da necessidade de acompanhar com mais eficiência a jornada dos pacientes. A avaliação é do médico Pedro Batista, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ao apontar a integração de dados e a inteligência artificial como ferramentas importantes para equilibrar essa conta.
Batista destacou que as principais operadoras ampliaram suas carteiras nos últimos anos, mas passaram a administrar uma estrutura assistencial mais complexa. “As cinco maiores cresceram em número de vidas nos últimos quatro, cinco anos. Porém, isso também trouxe mais responsabilidade e mais complicações técnicas para poder deixar esse mercado em controle”, afirmou.
O mercado de saúde suplementar alcançou 53,1 milhões de beneficiários em planos médico-hospitalares em junho de 2026. Para Batista, o tamanho dessa população evidencia a importância do setor, mas também aumenta a necessidade de as operadoras acompanharem como os recursos são utilizados.
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“A gente entende que o brasileiro pode ter mais tranquilidade para ter a assistência mais rápido, porque já está pagando uma operadora. Porém, isso começa a prejudicar justamente a eficiência das operadoras”, explicou.
Batista avalia que parte do problema está no modelo historicamente adotado pela saúde suplementar, no qual as operadoras estruturavam redes credenciadas e concentravam sua atuação principalmente no pagamento das despesas geradas pelos prestadores.
“As operadoras passaram a ser como bancos, faziam suas estruturas de redes assistenciais, hospitais credenciados e basicamente mandavam os seus pacientes para serem atendidos, só se preocupando com a conta no final do mês para pagar”, lembrou.
A falta de acompanhamento mais detalhado das informações clínicas e assistenciais, segundo ele, contribuiu para elevar despesas. O resultado aparece na diferença entre a evolução do custo médico-hospitalar e os índices tradicionais de inflação.
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“Quando a gente faz a análise de custo, que é o VCMH, o valor do custo médico-hospitalar, ele descola absurdamente do IPCA”, destacou Batista. Segundo ele, essa diferença pode fazer com que a variação dos custos médico-hospitalares chegue a 15% no fim do ano.
A pressão também aparece na sinistralidade. No primeiro semestre, o indicador acumulado chegou a 82,2%, 1 ponto percentual acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Embora a variação pareça pequena, Batista ressaltou que o impacto financeiro é relevante diante do tamanho do setor.
“Se a gente pegar 1% de um mercado que tem uma receita anual de R$ 300 bilhões, 1% faz muita diferença. E isso vai refletir, obviamente, dentro dos custos assistenciais”, frisou.
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Nesse ambiente, Batista vê a inovação como parte da resposta das operadoras. O acompanhamento mais próximo dos pacientes pode permitir a identificação de tratamentos inadequados, desperdícios e oportunidades para uma atuação preventiva.
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Siga o Times | CNBCAo comentar o caso da Hapvida, Batista citou a revisão de uma carteira de 947 mil beneficiários. “O correto seria fazer uma readequação de precificação ou então uma maior ação assistencial nesses 947 mil pacientes para entender como estão justamente os tratamentos e custos”, apontou.
Para o médico e executivo, melhorar o acompanhamento não significa simplesmente restringir procedimentos, mas usar informações clínicas para direcionar os pacientes aos tratamentos adequados no momento correto.
“Se forem bem cuidadas, bem tratadas, bem aderidas a protocolos assistenciais mais eficientes, essas vidas podem ter uma utilização melhor da rede”, explicou Batista. “Tratamento bem feito é o tratamento que é feito na hora certa e ele traz economia”, acrescentou.
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A aproximação entre operadoras, hospitais, laboratórios e outros prestadores também faz parte dessa transformação. Batista destacou que a verticalização deixou de representar apenas uma estratégia de controle de custos e passou a ter impacto sobre a capacidade de acompanhar o paciente durante diferentes etapas do atendimento.
“A verticalização não é mais um sinônimo somente de controle, mas é um sinônimo também de capacidade de melhor atendimento”, afirmou.
Batista citou movimentos envolvendo Dasa, Amil, Rede D’Or, SulAmérica, Bradesco Saúde e Fleury como exemplos de um mercado que busca maior integração entre diferentes partes da cadeia. O objetivo é permitir que informações geradas em consultas, exames e internações sejam utilizadas para construir um histórico mais completo do paciente.
“Rede D’Or, SulAmérica, Bradesco e Fleury compartilham hoje investimentos no mesmo sentido para que as operações sejam mais sinérgicas e tragam mais eficiência”, ressaltou.
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A próxima etapa, segundo Batista, passa pela capacidade de transformar esse volume de informações em decisões assistenciais. Nesse processo, ferramentas de inteligência artificial podem acelerar a análise de dados e ajudar as empresas a identificar padrões de utilização e custos.
“O foco é poder visualizar cada vez mais rápido as ações e interações assistenciais dos pacientes, de maneira que esse custo não descole da realidade e possa prover cada vez mais entrega de satisfação para o cliente e, principalmente, redução de custo”, explicou.
Batista também apontou a Rede Nacional de Dados em Saúde como peça relevante para ampliar a interoperabilidade das informações. “Assim que a gente conseguir a efetividade da Rede Nacional de Dados em Saúde, já promulgada pelo nosso governo lá em 2020, essa é a meta”, disse.
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Para o notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a maior integração entre empresas pode acelerar esse processo. “Essa facilidade empresarial desses conglomerados estarem mais próximos pode, sim, trazer uma eficiência gigantesca, principalmente nesse cruzamento e nessa interação dos dados necessários para a melhoria assistencial”, concluiu.
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