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Com Retatrutida, a ‘evolução do Mounjaro’, pipeline da Eli Lilly mira próxima geração de tratamentos contra obesidade
Publicado 04/02/2026 • 11:50 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 04/02/2026 • 11:50 | Atualizado há 2 horas
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Unsplash.
Com Retatrutida, Eli Lilly avança para além do GLP-1 e mira nova geração de tratamentos
A consolidação do Mounjaro e Zepboumd, medicamentos baseados em GLP-1, colocou a Eli Lilly na liderança do mercado global de terapias metabólicas com a molécula Tirzepatida. Agora, a companhia começa a se preparar o próximo ciclo de crescimento. A Retatrutida, princípio ativo em estágio avançado de desenvolvimento, mantém a Lilly na vanguarda tecnológica do combate à obesidade.
Ao avaliar a empresa, o mercado financeiro não olha somente para as vendas do Mounjaro, que vão muito bem, mas aposta – e muito, nesse pipeline de novos tratamentos. É isso que mantém a empresa como a maior farmacêutica do mundo, avaliada acima de US$ 1 trilhão na bolsa. Nesta manhã, as ações da farmacêutica avançam quase 10%, após a divulgação do balanço do quarto trimestre e de 2025, e um guidance bastante otimista.
Leia também: Eli Lilly supera projeções, dobra vendas de Mounjaro e Zepbound e ação dispara 9%
Diferentemente de Mounjaro e Zepbound, a Retatrutida atua como agonista triplo, combinando os receptores GLP-1, GIP e glucagon. Essa arquitetura farmacológica amplia o impacto sobre metabolismo energético, controle glicêmico e redução de peso, abrindo espaço para ganhos clínicos mais amplos.
Ensaios clínicos de fase 3 indicaram perda média de peso elevada, acompanhada de melhora funcional em pacientes com obesidade associada à osteoartrite de joelho, um diferencial relevante em relação às terapias hoje disponíveis. A combinação de efeitos metabólicos e funcionais amplia o mercado potencial do medicamento, que deixa de atuar apenas sobre o peso corporal.
O avanço da Retatrutida também tem implicações de longo prazo, pois ao priorizar uma molécula mais complexa, a Eli Lilly reduz a dependência de uma única classe terapêutica e se antecipa a um ambiente mais competitivo, marcado pela entrada de novos tratamentos e pela pressão regulatória sobre preços e acesso.
Atualmente em fase 3, a Retatrutida ainda não teve cronograma oficial de submissão regulatória divulgado. Analistas trabalham com a expectativa de que, caso os dados se mantenham consistentes, o medicamento avance para aprovação na segunda metade da década, tornando-se o principal vetor de crescimento da companhia no médio prazo.
Embora a Retatrutida concentre as atenções, o pipeline da Eli Lilly se mostra mais amplo e diversificado. Um dos destaques é o orforglipron, que seria o ‘Mounjaro em comprimidos’, GLP-1 oral, já submetido aos órgãos reguladores nos Estados Unidos, Japão e União Europeia.
A versão em comprimido pode ampliar significativamente a adesão ao tratamento, ao atingir pacientes que evitam terapias injetáveis, além de baratear a produção e armazenamento resfriado das canetas com mecanismo de disparo complexo.
Outro ativo relevante é o eloralintide, agonista seletivo de amilina em fase intermediária de desenvolvimento. A molécula mostrou resultados positivos em perda de peso e tolerabilidade, sendo vista como potencial complemento às terapias baseadas em GLP-1, com impacto sobre efeitos colaterais e aderência ao tratamento.
Fora do eixo metabólico, a Eli Lilly mantém avanços consistentes em oncologia. O Jaypirca apresentou redução expressiva do risco de progressão ou morte em estudos clínicos recentes, enquanto o Inluriyo (imlunestrant) avançou em indicações para câncer de mama avançado, inclusive em terapias combinadas.
Já o sofetabart mipitecan recebeu designação de terapia inovadora da FDA para câncer de ovário resistente à platina, acelerando seu caminho regulatório. Esses ativos reforçam a estratégia da companhia de equilibrar o pipeline entre áreas de alto crescimento e terapias especializadas.
O avanço do pipeline vem acompanhado de investimentos relevantes em manufatura. A Eli Lilly anunciou novas plantas de medicamentos injetáveis, fábricas de ingredientes farmacêuticos ativos nos Estados Unidos e expansão da produção de medicamentos orais na Europa, reduzindo riscos de gargalos em lançamentos futuros.
No conjunto, a Retatrutida emerge como o principal símbolo da próxima fase da Eli Lilly, mas não atua de forma isolada. A combinação de novas moléculas, formatos de administração e indicações clínicas sustenta a leitura de que a companhia constrói um pipeline em camadas, capaz de manter crescimento mesmo após a maturação do ciclo atual do GLP-1.
Para o mercado, o avanço coordenado dessas frentes redefine a tese de longo prazo da Eli Lilly e reforça sua posição como uma das farmacêuticas mais bem posicionadas para a próxima década.
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