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Com aquisição da South32, Alcoa amplia presença e consolida controle em ativos que movimentam bilhões; operação ainda depende de aprovação
Publicado 04/07/2026 • 13:59 | Atualizado há 57 minutos
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Publicado 04/07/2026 • 13:59 | Atualizado há 57 minutos
KEY POINTS
Quando a Alcoa anunciou a compra dos ativos de bauxita, alumina e alumínio da australiana South32 por US$ 4,1 bilhões, o movimento foi lido pelo mercado como uma consolidação global na cadeia do alumínio. No Brasil, a transação aumenta a exposição da multinacional americana a dois ativos estratégicos no Pará e no Maranhão, em um momento de expansão da cadeia do alumínio no país.
No Pará, a empresa passará a deter a fatia de 33% que hoje pertence à South32 na Mineração Rio do Norte (MRN), maior produtora de bauxita do Brasil. A Vale continuará como maior acionista do consórcio, com 40%.
No Maranhão, o efeito é mais forte. Com a aquisição, a Alcoa passará de 54% para 90% da refinaria de alumina do Alumar e de 60% para 100% da fundição de alumínio. Com isso, a companhia reduz a presença de sócios no ativo e ganha mais autonomia sobre um dos principais complexos industriais do setor no país.
A conclusão da operação ainda depende da aprovação dos acionistas da South32, do aval de órgãos regulatórios e do cumprimento de outras condições, com fechamento previsto para o primeiro semestre de 2027.
A compra da South32 reforça a presença da Alcoa em três etapas da cadeia do alumínio no Brasil: bauxita, alumina e alumínio primário.
A bauxita é a matéria-prima extraída pela MRN no Pará. A alumina é produzida na refinaria do Alumar, no Maranhão. Já o alumínio primário sai da fundição do mesmo complexo, reativada em 2022.
Com a operação, a Alcoa aumenta a participação econômica nessa cadeia e reduz a dependência de estruturas compartilhadas com a South32. Isso não significa mudança imediata na rotina das operações, mas pode dar à companhia mais flexibilidade para decisões futuras de investimento, produção, modernização e alocação de capital.
O movimento também ocorre em um momento em que o Brasil volta a ganhar peso na estratégia global da companhia. A MRN acaba de garantir horizonte de operação até 2041, enquanto o Alumar voltou a operar integralmente a fundição após anos de paralisação.
A MRN opera no oeste do Pará há décadas, nos municípios de Oriximiná, Terra Santa e Faro. Em 2025, a mineradora produziu 12,8 milhões de toneladas de bauxita e investiu R$ 810,9 milhões na região.
Foram R$ 389,7 milhões pagos em tributos, alta de 5,3% em relação ao ano anterior, e R$ 727,5 milhões em compras no estado, com prioridade para fornecedores regionais. No total, a empresa injetou mais de R$ 1,1 bilhão na economia paraense em 2025.
O quadro de pessoal também cresceu. O número de trabalhadores próprios e terceirizados chegou a 7.518 em 2025, aumento de 10,8% em relação a 2024. Desses, 85% são paraenses.
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Siga o Times | CNBCA aquisição da fatia da South32 ocorre em um momento estratégico porque a MRN acaba de destravar seu próximo ciclo de operação. Em abril de 2026, a mineradora obteve do Ibama a Licença de Instalação para o Projeto Novas Minas, que prolonga a vida útil das operações por 15 anos, até 2041.
O projeto prevê investimentos de R$ 9 bilhões entre 2027 e 2041, além de R$ 1,9 bilhão já programado para 2026. A estimativa é manter produção anual de 12,5 milhões de toneladas de bauxita, garantir mais de 7.500 empregos e gerar cerca de 2.300 novas vagas durante a fase de implantação.
Para a Alcoa, a entrada no bloco de 33% da MRN significa ampliar exposição a uma fonte relevante de bauxita justamente quando a mineradora ganha previsibilidade de longo prazo. A empresa, porém, não assumirá o controle da MRN. Os demais sócios, Vale (40%), Rio Tinto (12%), CBA (10%) e Hydro (5%), permanecem no consórcio, com a Vale mantendo a maior participação acionária.
No Maranhão, a compra da South32 tem impacto maior sobre o controle do ativo.
O Alumar, em São Luís, é um dos maiores complexos industriais de produção de alumina e alumínio do mundo. Inaugurado em 1984 e gerenciado pela Alcoa, o consórcio é formado hoje por Alcoa, South32 e Rio Tinto, com participações diferentes na refinaria e na fundição.
Na refinaria de alumina, a Alcoa detém 54%, a South32, 36%, e a Rio Tinto, 10%. Com a compra, a fatia da Alcoa passará a 90%, enquanto a Rio Tinto seguirá com 10%.
Na fundição de alumínio, a mudança é ainda mais relevante. A Alcoa tem hoje 60% e a South32, 40%. Após a conclusão da operação, a multinacional americana passará a deter 100% da planta.
Isso torna o Alumar o principal ponto de consolidação da operação no Brasil. Ao absorver a fatia da South32, a Alcoa ganha mais autonomia sobre um ativo que combina produção industrial, infraestrutura portuária e capacidade de exportação.
A fundição foi reativada em 2022, após investimento de R$ 1 bilhão, com capacidade de produção de 447 mil toneladas métricas de alumínio por ano. A retomada gerou 2.500 postos de trabalho diretos e indiretos na região.
Segundo a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), a reativação permitiu ao Brasil retomar a autossuficiência em alumínio. Segundo a Alumar, o complexo emprega mais de 9 mil colaboradores diretos e indiretos, dos quais 86% são maranhenses.
O complexo também conta com terminal portuário privado no Rio dos Cachorros, na Baía de São Marcos, com capacidade para receber navios de até 83 mil toneladas e movimentar cerca de 15 milhões de toneladas por ano. A estrutura é considerada estratégica para a logística e exportação da produção.
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