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Trump Accounts podem ajudar a construir riqueza no longo prazo, aponta estudo exclusivo
Publicado 03/07/2026 • 13:19 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 03/07/2026 • 13:19 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Reprodução: X / @SophieLMartin
O lançamento do aplicativo ocorre pouco mais de um mês antes da estreia oficial das novas contas com diferimento fiscal, 4 de julho.
Mais de 6 milhões de famílias já inscreveram seus filhos nas chamadas Trump Accounts, que entram oficialmente em funcionamento em 4 de julho.
Também conhecidas como contas 530A, elas estão disponíveis para qualquer criança americana com número de Seguro Social e menos de 18 anos. O programa prevê uma contribuição inicial única de US$ 1.000, depositada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para bebês nascidos entre 2025 e 2028.
Algumas crianças também poderão receber um aporte adicional de US$ 250 do empresário Michael Dell e de sua esposa, Susan, enquanto outras poderão contar com contribuições feitas pelos empregadores de seus pais. Empresas como SoFi e Charter Communications prometeram igualar o valor do incentivo federal inicial.
O governo Trump apresenta as contas como uma ferramenta para que famílias de todas as faixas de renda construam patrimônio para seus filhos. No site oficial, TrumpAccounts.gov, uma simulação mostra o crescimento do investimento ao longo do tempo, com projeções para os 18, 27 e 55 anos dos beneficiários. Sem qualquer contribuição adicional, os US$ 1.000 iniciais poderiam se transformar em US$ 243 mil aos 55 anos, segundo o portal.
No entanto, cálculos realizados exclusivamente para a CNBC pela empresa de pesquisas financeiras Morningstar sugerem um cenário menos otimista. Ao incorporar variáveis como volatilidade dos retornos, renda familiar e comportamento dos investidores, a companhia estima que uma pessoa que receba apenas o aporte inicial de US$ 1.000 terá, aos 55 anos, um saldo médio de aproximadamente US$ 38 mil.
Ainda assim, os dados indicam que as Trump Accounts podem ser um instrumento poderoso para a construção de riqueza ao longo do tempo, desde que os investidores mantenham uma perspectiva de longo prazo.
Leia também: ‘Trump Accounts’ para crianças entra em vigor em 4 de julho; veja o que os pais precisam saber
“Intuitivamente, a acumulação de patrimônio no longo prazo é impulsionada principalmente pelas contribuições contínuas das famílias e dos empregadores”, afirmou Spencer Look, diretor associado de estudos sobre aposentadoria da Morningstar.
Os resultados também mostram que famílias com maior poder aquisitivo tendem a se beneficiar mais do programa. Segundo a Morningstar, pessoas de renda mais alta são mais propensas a realizar contribuições significativas e menos inclinadas a retirar recursos das contas para cobrir outras despesas.
Essas retiradas, chamadas pelos pesquisadores de “vazamento” (leakage), representam a principal razão pela qual muitos participantes obtêm resultados inferiores às projeções exibidas no site oficial. Em alguns cenários simulados, os saldos chegam a zero aos 27 ou aos 55 anos.
Para estimar como as contas podem se comportar na prática, a Morningstar adotou algumas premissas. Uma delas foi considerar contribuições apenas até os 18 anos, partindo do pressuposto de que, ao atingir a maioridade, os titulares priorizariam instrumentos com vantagens tributárias maiores, como planos 401(k) e contas individuais de aposentadoria.
As projeções de retorno utilizaram as premissas da empresa para ações de grandes companhias, descontada uma taxa anual de administração de 0,10%. Os retornos anualizados variaram entre 2,17% — no décimo percentil dos titulares aos 18 anos — e 10,29% — no nonagésimo percentil dos investidores aos 55 anos. A média aritmética de toda a pesquisa ficou em 9,17%.
A Morningstar também utilizou dados da Vanguard sobre contas de aposentadoria para estimar a probabilidade de os beneficiários retirarem recursos após assumirem o controle das contas aos 18 anos. O modelo considera saques aos 18 anos, para despesas como educação, e aos 30 anos, quando o dinheiro poderia ser usado para objetivos típicos da vida adulta, como a compra de uma casa.
Duas conclusões principais emergem do estudo.
Leia também: Bessent diz que “Trump Accounts” buscam aproximar Wall Street da população
Os números da Morningstar mostram que, embora o aporte inicial possa crescer ao longo do tempo, as contas que efetivamente acumulam riqueza são aquelas que recebem contribuições regulares de famílias ou empregadores.
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Siga o Times | CNBCAos 18 anos, um beneficiário que recebeu apenas os US$ 1.000 iniciais teria, em média, um saldo de US$ 3.324. Com contribuições anuais de US$ 250, o valor sobe para US$ 15.154. Já um aporte de US$ 2.500 por ano — metade do limite anual permitido — elevaria o patrimônio para US$ 121.632.
O governo Trump destaca corretamente que contribuições consistentes podem ajudar os americanos a construir riqueza ao longo do tempo. Mas, para que isso aconteça, o dinheiro precisa permanecer investido e se beneficiar dos efeitos dos juros compostos.
Na prática, porém, trabalhadores de renda baixa e média tendem a utilizar esses recursos para atender a outras necessidades financeiras, observa Spencer Look.
“É bastante provável que muitas pessoas — especialmente aquelas que mais deveriam se beneficiar do programa e que proporcionalmente ganhariam mais com ele — acabem tendo uma probabilidade maior de sacar esse dinheiro, provavelmente por motivos legítimos”, afirmou.
A Casa Branca sustenta que, independentemente das discussões sobre retiradas antecipadas, as contas representam uma vantagem financeira inicial importante para uma geração de americanos.
“Ninguém questiona que essas sejam ferramentas poderosas para ajudar cidadãos comuns a poupar para a aposentadoria”, disse Kush Desai, porta-voz da Casa Branca, à CNBC.
Ainda assim, o chamado leakage pode determinar se as Trump Accounts realmente se transformarão em um mecanismo de construção de riqueza no longo prazo. No estudo da Morningstar, uma pessoa que recebesse contribuições anuais de US$ 1.000 poderia acumular, em média, quase US$ 850 mil aos 55 anos. No entanto, nos 25% piores cenários projetados para esse nível de contribuição, o saldo final era de zero.
Isso não ocorreu por causa de perdas nos mercados, mas porque indivíduos de menor renda e com retornos menores tinham maior probabilidade de esvaziar suas contas para comprar um carro, pagar estudos ou simplesmente cobrir despesas do dia a dia.
Leia também: Após relatório sobre fortuna, Trump nega lucrar com a Presidência
O estudo traz duas lições claras para os pais que desejam fortalecer o patrimônio futuro dos filhos. A primeira é que aumentar o valor das contribuições pode fazer uma enorme diferença nos resultados de longo prazo.
Naturalmente, algumas famílias terão mais facilidade para poupar do que outras. Em 2024, a renda mediana das famílias americanas foi de aproximadamente US$ 84 mil, segundo o Departamento do Censo dos Estados Unidos. Uma contribuição anual máxima de US$ 5.000 representaria cerca de 6% desse valor.
Mesmo assim, um aporte de US$ 1.000 por ano já produz resultados expressivos. A Morningstar estima que uma criança poderia acumular mais de US$ 50 mil até completar 18 anos.
Segundo Doug Boneparth, planejador financeiro certificado e fundador da Bone Fide Wealth, esse montante “parece gigantesco” para um jovem de 18 anos. Por isso, será fundamental orientar os filhos sobre o potencial de longo prazo dessas contas.
A tarefa, porém, não será simples. Para um adolescente, US$ 50 mil podem significar um carro novo ou dois anos de aluguel em um bom apartamento. Boneparth defende o uso de projeções como as da Morningstar para mostrar as vantagens de manter os recursos investidos.
“Esses US$ 50 mil na sua conta? Se você deixá-los lá, existe um caminho realista para que se transformem em US$ 500 mil ou mais quando você tiver 55 anos”, sugere ele como argumento. “Se gastar agora, você não estará gastando US$ 50 mil, mas meio milhão de dólares.”
Leia mais: Aplicativo Trump Accounts é lançado; veja como começar a usar
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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