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Brasil larga na frente em biocombustíveis e tem vantagem em cenário de crise energética, diz economista da FGV
Publicado 06/04/2026 • 11:17 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 06/04/2026 • 11:17 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
Foto: Freepik
O Brasil chega mais preparado do que outras economias para enfrentar um novo choque energético global, impulsionado pela escalada de tensões no Oriente Médio. A avaliação é da economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Celina Ramalho, que em entrevista no programa Pré-Market, destaca a vantagem histórica do país no desenvolvimento de biocombustíveis.
Segundo ela, o protagonismo brasileiro no setor não é recente. “O Brasil historicamente já sai na frente”, afirmou, ao lembrar o papel da Embrapa na adaptação da produção agrícola ao clima tropical ao longo das últimas décadas.
Dados recentes reforçam esse cenário: em 2025, a agropecuária brasileira cresceu 11,3%, consolidando-se como um dos principais motores da economia. Para a economista, esse desempenho está diretamente ligado à capacidade produtiva construída ao longo do tempo.
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No atual contexto geopolítico, marcado por riscos no fornecimento global de petróleo, Celina avalia que o país vive uma situação mais confortável do que em crises passadas. “Nós temos uma tranquilidade relativa nesse cenário geopolítico”, disse. “Ao meu ver, é uma repaginação da crise do petróleo dos anos 70 — mas, naquela época, nós não tínhamos essa matriz energética.”
Hoje, cerca de 70% da frota brasileira é flex, o que permite adaptação imediata ao uso de etanol. Além disso, o biodiesel já está consolidado, inclusive no transporte pesado. “Nós já temos esse investimento na estrutura produtiva desde a agricultura adaptada até a produção em larga escala”, explicou.
A economista também ressaltou que o avanço da produtividade agrícola reduziu a necessidade de expansão territorial. “Não necessitamos expandir a fronteira agrícola, mas sim aumentar a produtividade de forma verticalizada”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCNo curto prazo, essa estrutura garante maior resiliência diante de choques externos. “Temos condição de relativamente suprir essa situação no curto prazo”, disse, referindo-se a eventuais interrupções no fornecimento global de petróleo.
Já no médio e longo prazo, o Brasil se beneficia do conhecimento acumulado, já possuindo a estrutura produtiva. “Nós temos o know-how, o conhecimento, estrutura para essa produção toda com produtividade, lembrando-se que o setor vende crédito de carbono […] Então, a lição de casa está feita nessas cinco décadas”, destacou.
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Apesar das vantagens, a economista alerta para os impactos fiscais das medidas adotadas para conter os efeitos da crise. Segundo ela, ações como isenções tributárias e esforços para segurar o preço do diesel devem pressionar as contas públicas.
“Essa intervenção do governo brasileiro vai ter penalidades fiscais num futuro breve. […] Existe um esforço financeiro do governo importante nesse momento”, afirmou. Ainda assim, ela pondera que o cenário poderia ser mais grave. “Poderia ser pior — e foi pior nos anos 70”, quando houve a necessidade realmente de financiar os estudos e o desenvolvimento de usinas de açúcar e álcool, comparou.
Na avaliação de Celina, a diferença atual está no fato de que o país já dispõe da infraestrutura necessária para a produção de biocombustíveis, reduzindo a necessidade de investimentos massivos como no passado.
Além disso, o conhecimento técnico se disseminou. Hoje, alunos de escolas técnicas mostrando quais são as técnicas de transformar os caroços das oleoginosas em biocombustível. Então, assim, já vem um conhecimento científico estabelecido desde as escolas”, concluiu.
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