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Como a indústria farmacêutica financia a inovação que não chega ao mercado
Publicado 04/01/2026 • 21:00 | Atualizado há 9 meses
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Publicado 04/01/2026 • 21:00 | Atualizado há 9 meses
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© Arquivo/Elza Fiúza/Agência Brasil
Publicada no Diário Oficial e já em vigor, a nova regra estabelece uma série de exigências para garantir a segurança do consumidor.
A indústria farmacêutica opera sob uma lógica financeira singular: para que um único medicamento chegue ao mercado, milhares de projetos de pesquisa são financiados, testados e descartados ao longo do caminho. Esse modelo de portfólio, sustentado por capital de risco e longos ciclos de desenvolvimento, define a estratégia econômica das grandes companhias do setor.
De acordo com o presidente executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini, o funcionamento da inovação farmacêutica exige que o sucesso de poucos produtos absorva o custo de fracassos. “De cada 10 mil tecnologias estudadas, apenas uma chega ao mercado. As outras 9.999 precisam ser financiadas, e isso só é possível porque existe uma lógica de portfólio por trás da indústria”, afirmou.
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O processo de pesquisa e desenvolvimento (P&D) envolve investimentos bilionários, prazos que frequentemente superam dez anos e elevado grau de incerteza regulatória e científica. Mesmo após aprovação, há riscos adicionais, como a retirada de produtos do mercado por questões de segurança, o que pode gerar perdas expressivas para empresas e investidores.
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Siga o Times | CNBCMussolini destaca que o investidor farmacêutico assume riscos comparáveis aos de setores de tecnologia de ponta. “Todo capital de alto risco exige retorno elevado. A indústria farmacêutica não é diferente. Ela financia não apenas a inovação que chega ao paciente, mas também toda a inovação que não deu certo no passado e aquela que ainda pode não dar certo no futuro”, explicou.
Esse modelo influencia diretamente as estratégias das grandes farmacêuticas, que diversificam seus investimentos em múltiplas frentes de pesquisa, áreas terapêuticas e plataformas tecnológicas, buscando equilíbrio entre risco, retorno e sustentabilidade de longo prazo.
Para o executivo, compreender essa dinâmica é fundamental para o debate público sobre preços, acesso e inovação. “Quando se fala em custo de medicamentos, é preciso considerar todo o sistema que sustenta a inovação. Sem esse modelo de financiamento, simplesmente não haveria novos tratamentos”, concluiu.
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