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Como o Grupo Pão de Açúcar se tornou uma das maiores redes alimentícias do Brasil; e por que entrou em recuperação extrajudicial
Publicado 13/03/2026 • 20:11 | Atualizado há 2 meses
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KEY POINTS
Foto: Reprodução
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As últimas semanas para o Grupo Pão de Açúcar (GPA) foram intensas. Isso porque o grupo entrou com um plano de recuperação extrajudicial (RE) para reorganizar as dívidas que chegam ao montante de R$ 4,5 bilhões. O movimento da empresa busca manter as atividades e renegociar os débitos diretamente com os credores, sem a necessidade de envolvimento judicial.
Antes do plano de RE, o Grupo Pão de Açúcar passou por diferentes fases de crescimento, expansão e reestruturação até chegar à recente decisão para reorganização de dívidas. A trajetória da empresa envolve mudanças estratégicas, troca de lideranças e transformações no setor de varejo, que ajudaram a moldar o atual cenário da companhia.
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Com base nas informações da própria empresa, a história do Grupo Pão de Açúcar começou em 1948, quando o empresário português Valentim dos Santos Diniz abriu uma pequena doceria na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo. O negócio cresceu rapidamente e, em 1959, o modelo evoluiu para a primeira loja de supermercado da empresa.
Em 1969, a empresa ampliou sua presença no mercado brasileiro e passou a contar com 60 lojas em 17 cidades diferentes. Com isso, o GPA passou a inaugurar outros estilos de negócios, como hipermercados e a entrada no mercado de energia com a compra da Eletroradiobraz.
Nos anos seguintes, a empresa ampliou suas operações e passou a investir em novos formatos de negócios. Entre eles está o Hipermercado Extra, que expandiu sua atuação para outros segmentos, como farmácias e postos de combustíveis. Esse processo de crescimento culminou na abertura de capital da companhia, que passou a ter ações negociadas na bolsa de valores a partir de 1995.
Antes da recente mudança na liderança da empresa, o cargo de CEO do Grupo Pão de Açúcar era ocupado por Rafael Sirotsky. O executivo esteve à frente da companhia em um período marcado por ajustes estratégicos e pela tentativa de reorganização do negócio diante de desafios financeiros e mudanças no mercado de varejo.
De acordo com as informações noticiadas pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, durante sua gestão, o GPA buscou fortalecer sua estrutura operacional e financeira, além de revisar estratégias para melhorar a competitividade da companhia no setor supermercadista.
Mesmo com as iniciativas de reorganização, o grupo continuou enfrentando dificuldades financeiras e pressões relacionadas ao nível de endividamento da empresa.
Com a mudança na estrutura de liderança, o conselho de administração do GPA anunciou Alexandre Santoro como novo CEO da companhia. O executivo tem experiência no setor financeiro e no mercado de capitais, tendo atuado anteriormente em instituições ligadas ao mercado financeiro e à gestão de investimentos.
Nos primeiros anos de carreira, ocupou cargos de liderança em empresas como a AmBev e a Danone. A primeira experiência como CEO aconteceu em abril de 2011, quando assumiu o comando da América Latina Logística.
Antes de chegar ao GPA, Santoro ainda atuou em empresas como Restaurant Brands International, XPO Logistics e International Meal Company, grupo responsável por marcas conhecidas como KFC, Viena, Pizza Hut e Frango Assado, entre outras.
Leia também: GPA: Justiça aceita pedido de recuperação extrajudicial
O processo de recuperação extrajudicial foi resultado de uma combinação de fatores financeiros e estratégicos enfrentados pelo grupo nos últimos anos. Como já citado anteriormente, os valores em aberto da empresa chegam a R$ 4,5 bilhões.
Desse montante, cerca de R$ 2,1 bilhões pertencem a credores que já aderiram ao acordo. Vale lembrar que o processo de recuperação extrajudicial só acontece após mais de 50% dos credores aprovarem o plano da empresa.
Nesse contexto, a alternativa buscada pelo GPA mantém o funcionamento normal das lojas do grupo, além de um fôlego entre dívidas que não entram no processo de RE. A liberdade de renegociar as dívidas diretamente com os credores evita que a empresa sofra um bloqueio judicial ou paralisação das atividades.
A Justiça de São Paulo, nesta semana, aprovou o pedido de recuperação extrajudicial apresentado pela Companhia Brasileira de Distribuição, controladora do Grupo Pão de Açúcar. A decisão da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista permite que a empresa renegocie cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas diretamente com credores.
Com a decisão judicial, o GPA passa a ter um período de 90 dias para ampliar o acordo com credores e estruturar uma solução definitiva para o endividamento. Durante esse prazo, os pagamentos das dívidas incluídas no plano ficam temporariamente suspensos.
Com o processo aceito pela Justiça, o GPA tenta agora consolidar o acordo com credores ao longo dos próximos três meses. Se conseguir ampliar a adesão e concluir a renegociação, a empresa poderá reorganizar o endividamento e fortalecer sua situação financeira. Com a decisão judicial, a companhia fica autorizada a renegociar parte de seus débitos diretamente com os credores, sem a necessidade de mediação do Judiciário.
De acordo com o Grupo Pão de Açúcar, a medida faz parte de uma estratégia para melhorar o balanço e criar condições de estabilidade no longo prazo.
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