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Entrelinhas de Mercado: Corrida por IA deve encarecer smartphones, diz Rodrigo Vidigal, CEO da Motorola Brasil

Publicado 29/09/2026 • 22:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Disputa global por infraestrutura de IA elevou os custos de memórias e semicondutores, segundo Rodrigo Vidigal.
  • Executivo afirma que Motorola consegue absorver parte da alta, mas prevê maior dificuldade para conter preços no próximo ano.
  • Motorola diz ter 30% do mercado brasileiro e mantém mais de 1.200 engenheiros dedicados a pesquisa e desenvolvimento no país.

A corrida global pela inteligência artificial deve pressionar os preços dos smartphones e fazer com que parte do aumento dos custos chegue ao consumidor, segundo Rodrigo Vidigal, CEO da Motorola Brasil. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, no programa Entrelinhas de Mercado, o executivo disse que a disputa por componentes destinados a data centers já provocou uma forte elevação nos preços de memórias e semicondutores.

“Isso já é muito perceptível. O custo de semicondutores, o custo da memória, memória RAM, memória interna, a gente está vivendo uma disparada nos últimos 12 meses globalmente por conta exatamente dessa corrida por IA”, explicou Vidigal.

Segundo o executivo, a pressão deve permanecer durante o período de expansão da infraestrutura necessária para atender ao crescimento da inteligência artificial. A estimativa da Motorola é de uma janela de dois a três anos até que a construção de data centers em diferentes regiões amplie a capacidade disponível.

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Rodrigo Vidigal explicou que o problema não se restringe aos fabricantes de celulares. Servidores destinados à IA disputam componentes utilizados também em computadores, automóveis, eletrodomésticos e outros equipamentos eletrônicos. A elevada demanda dos data centers acaba pressionando a disponibilidade e o preço desses insumos para toda a indústria.

Parte da alta deve chegar ao consumidor

A Motorola tem conseguido reduzir parte desse impacto devido à escala do grupo Lenovo, controlador da companhia. De acordo com executivo, o grupo está entre os dois ou três maiores compradores de memória do mundo, o que amplia seu poder de negociação com fornecedores.

“A gente sofre com esse aumento, mas, por conta da escala, tem conseguido mitigar boa parte desses aumentos de custos”, destacou.

Essa capacidade, porém, encontra limites. O CEO afirmou que a indústria tenta evitar o repasse dos custos ao preço final dos produtos, mas avaliou que a tarefa ficará mais difícil.

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“Quando a gente vai olhar no próximo ano, isso começa a ser cada vez mais difícil de mitigar. Então, é um desafio que a indústria está passando, tentando evitar que esse repasse chegue ao consumidor, mas uma parte deve chegar, sem dúvida nenhuma”, disse.

Motorola diz ter 30% do mercado brasileiro

A pressão sobre os custos acontece em um momento de expansão da Motorola no país. Rodrigo Vidigal afirmou que três de cada dez smartphones vendidos no Brasil são da marca, o equivalente a uma participação de 30% no mercado.

Segundo o executivo, o Brasil é atualmente o quarto maior mercado de smartphones do mundo, atrás de Índia, China e Estados Unidos, com mais de 35 milhões de aparelhos comercializados anualmente.

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Ele destacou que o consumidor brasileiro tende a buscar um aparelho superior ao anterior a cada troca, comportamento que aumenta a necessidade de investimentos constantes em câmera, processamento, memória, bateria e design.

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“O próximo é sempre melhor, ninguém quer um produto igual”, observou. Para o executivo, entender antecipadamente as mudanças no comportamento dos consumidores é essencial porque o desenvolvimento de novas tecnologias pode levar de um ano e meio a dois anos.

Brasil reúne mais de 1.200 engenheiros da Motorola

O país também ocupa uma posição relevante na estrutura de desenvolvimento tecnológico da companhia. A Motorola mantém mais de 1.200 engenheiros dedicados a pesquisa e desenvolvimento no Brasil, um dos quatro principais hubs globais de tecnologia da empresa.

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Além da operação brasileira, os outros centros estão nos Estados Unidos e na China, que abriga dois hubs. Segundo Rodrigo Vidigal, tecnologias relacionadas a câmeras e inteligência artificial utilizadas em smartphones foram desenvolvidas a partir de patentes da Motorola, incluindo trabalhos realizados por engenheiros brasileiros.

A companhia também mantém duas fábricas no país, em Jaguariúna (SP) e Manaus (AM). Na avaliação do CEO, a produtividade brasileira é comparável à das demais unidades internacionais da fabricante.

“A gente é tão produtivo quanto. A gente não deve nada a nenhum país do mundo”, ressaltou.

IA deve combinar celular e nuvem

O CEO também avaliou como a inteligência artificial deve transformar o uso dos smartphones. Para ele, não haverá uma única arquitetura para o processamento da tecnologia: parte das tarefas ocorrerá diretamente no aparelho e outra parte será executada na nuvem.

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A escolha deverá variar de acordo com o perfil de cada consumidor e com o nível de acesso que ele estiver disposto a conceder às suas informações. Dados pessoais e confidenciais armazenados no aparelho tendem a tornar o controle do usuário um elemento central dessa relação, segundo o executivo.

“Vai ter uma experiência mais generalizada na nuvem e você vai poder enriquecer ela de acordo com o seu perfil, com os dados que você tem no seu telefone”, explicou.

A Motorola trabalha com inteligência artificial em smartphones desde 2010, inicialmente em recursos destinados a otimizar o consumo de bateria. A tecnologia posteriormente avançou para outras funções dos aparelhos.

Para Rodrigo Vidigal, a próxima etapa será transformar a IA em uma espécie de assistente capaz de antecipar necessidades e tornar o uso do celular mais eficiente, reduzindo inclusive o tempo necessário para interagir com o dispositivo.

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“A finalidade da IA no smartphone é isso: identificar oportunidades para que você possa ser mais produtivo e ter um telefone mais útil sem que tenha que gastar tanto tempo com ele”, concluiu.

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