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Entrelinhas de Mercado: Agronegócio, dados e IA são motores para expandir mercado de gás, diz CEO da Consigaz
Publicado 01/09/2026 • 21:56 | Atualizado há 50 minutos
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Publicado 01/09/2026 • 21:56 | Atualizado há 50 minutos
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Reprodução / Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC
Maher Kadri, CEO da Consigaz, em entrevista ao Entrallinhas de Mercado
A Consigaz vê espaço para ampliar o mercado de GLP no Brasil por meio do agronegócio, do uso de dados e da inteligência artificial, enquanto prepara a companhia para uma transformação mais ampla do setor de energia, afirmou Maher Kadri, CEO da Consigaz. Para o executivo, o combustível ainda possui oportunidades de crescimento mesmo diante do avanço de outras fontes energéticas.
Em entrevista ao Entrelinhas de Mercado, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele contou que a empresa deixou de se enxergar exclusivamente como uma distribuidora de gás e passou a se posicionar como uma companhia de energia, embora ainda não tenha identificado outra tecnologia capaz de substituir o GLP em escala.
“Uma empresa que quer ter perpetuidade tem que olhar outros cenários, tem que estar disposta a fazer alguma coisa diferente quando necessário”, afirmou. Segundo Kadri, a Consigaz acompanha alternativas como biogás, gás natural comprimido e energia elétrica, mas ainda não encontrou uma nova tese que justifique uma mudança mais profunda de portfólio.
Kadri destacou que, apesar das discussões sobre transição energética e eletrificação, uma parcela relevante do consumo residencial brasileiro ainda depende de fontes tradicionais. Segundo ele, 25% da matriz energética residencial está nas mãos do GLP e outros 25% ainda dependem da lenha.
“O GLP ainda tem muito espaço no Brasil”, afirmou o CEO. Para ele, a capilaridade do combustível é uma das vantagens do setor, especialmente em regiões nas quais outros serviços básicos ainda não estão disponíveis.
A companhia também participa do programa federal Gás do Povo, voltado à redução da pobreza energética. “O GLP chega em lugares que não têm eletricidade, o GLP chega em lugares que não têm saneamento básico. A gente brinca que é uma energia enlatada”, disse.
No longo prazo, Kadri acredita que a própria transformação do mercado poderá ocorrer por meio de versões renováveis do combustível, como o bioGLP, já encontrado na Europa.
“Acredito que a própria transformação do mercado de GLP vai se dar através do GLP, mas vindo de fontes renováveis como o bioGLP”, apontou.
Uma das principais oportunidades identificadas pela Consigaz está no agronegócio. O GLP já é utilizado em atividades como secagem de grãos e aquecimento de aves, mas a companhia vê potencial para avançar também na geração de energia.
Segundo Kadri, atualmente existem restrições regulatórias no Brasil ao uso do GLP para essa finalidade. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), porém, está revisando a regulamentação, o que pode abrir um novo mercado para o combustível.
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“Tem uma excelente oportunidade para o GLP no agro, para a geração de energia. A ANP está em revisão regulatória, então pode ser que seja liberado”, afirmou.
O executivo disse acreditar que a mudança ocorrerá e permitirá uma presença maior do combustível no campo. “Tenho certeza que em breve será liberada a utilização do GLP para a geração de energia e que a gente possa estar ajudando ainda mais o agro do que ajuda atualmente”, ressaltou.
Nos aviários, por exemplo, a substituição da lenha pelo GLP já ocorre. Para Kadri, além do custo, a confiabilidade do fornecimento é um diferencial relevante.
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“Em termos de custo, lenha e GLP vão estar muito próximos. Entretanto, é a própria confiabilidade do equipamento, de ter ali o GLP sem qualquer tipo de interrupção. A confiabilidade é um negócio que pesa bastante”, explicou.
Outra frente estratégica está no aproveitamento da quantidade de informações geradas pela operação. A Consigaz possui 30 mil clientes B2B, entre restaurantes, comércios e indústrias, o que permite acompanhar mudanças de consumo em diferentes setores da economia.
“A gente sabe movimentos de PIB antes de sair qualquer projeção. Por quê? Porque a gente está ali acompanhando através do consumo”, afirmou Kadri.
A estratégia, porém, não é simplesmente transformar as informações em um novo produto comercial. O CEO pretende utilizar os dados inicialmente para aumentar a eficiência dos próprios clientes.
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Siga o Times | CNBCEm restaurantes, por exemplo, a companhia pode comparar o consumo de GLP por refeição e identificar estabelecimentos com potencial de redução de custos. “Eu não quero só fornecer GLP, eu quero fornecer para ele uma solução de que ele utilize o nosso GLP, mas que utilize de forma eficiente”, explicou.
O impacto pode ser ainda maior entre clientes industriais, nos quais a energia representa parcela mais relevante das despesas de produção.
“Quando você traz um tipo de informação relevante, que o cara economizou 10%, 20%, é 10%, 20% de economia na cadeia de produção dele”, destacou. Para Kadri, essa capacidade cria uma nova camada de valor na relação entre a distribuidora e seus clientes.
A inteligência artificial também se tornou uma prioridade dentro do grupo. Segundo Kadri, a tecnologia está sendo aplicada principalmente para elevar produtividade e eficiência, desde a roteirização das entregas até processos internos e burocráticos.
“IA é um tema super prioritário dentro do nosso grupo. A gente tem visto o furacão que IA vem fazendo em outros segmentos”, afirmou.
A empresa contratou uma ferramenta de inteligência artificial para uso interno e criou um comitê de IA, responsável por identificar processos repetitivos e atividades que possam ser aprimoradas pela tecnologia.
“Foi formado o comitê de IA para a gente atacar processos repetitivos e processos burocráticos, para conseguir ser mais ágil”, explicou o CEO.
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Maher Kadri ressaltou que a estratégia não está centrada simplesmente na redução de postos de trabalho. O objetivo é usar a tecnologia para aumentar a capacidade de entrega das equipes.
“Muita gente fala de IA: ‘quero reduzir custos, quero reduzir administrativo’. Não. Nosso trabalho na Consigaz é: somos uma empresa que está crescendo, temos muitos desafios pela frente. Então, como a gente faz nossas pessoas entregarem o máximo?”, afirmou.
A capilaridade da distribuição também aparece como uma oportunidade ainda pouco explorada. Segundo Kadri, existem 52 mil revendas de GLP espalhadas pelo Brasil, alcançando todos os municípios.
Parte desses estabelecimentos já comercializa outros produtos, como água e carvão, mas ainda não existe uma estratégia estruturada para transformar essa rede de última milha em um canal mais amplo de serviços e produtos.
“Que outros tipos de serviço ele, que está lá na entrega fazendo last mile de gás, poderia agregar e também levar ao consumidor final?”, questionou.
O CEO afirmou que a ideia ainda não saiu do papel, mas permanece entre as possibilidades avaliadas pela companhia. “Ninguém conseguiu ainda tirar ela do papel, mas é uma coisa que está sempre no nosso radar”, disse.
À frente de uma empresa familiar, Maher Kadri também tem como desafio conduzir a transição entre gerações. O executivo assumiu o comando com seu pai e seus tios ainda ativos na companhia, situação que considera uma oportunidade para preservar os valores construídos pelos fundadores.
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“Eu tenho como maior desafio ser uma ponte entre a primeira geração e as próximas gerações”, afirmou.
Para ele, o principal legado não será apenas o crescimento da companhia, mas a capacidade de transmitir às próximas gerações características que atribui aos fundadores, como trabalho, simplicidade, respeito e união.
“Legado vai ser se eu conseguir traduzir o DNA do meu pai e dos meus tios para as próximas gerações e a gente continuar sempre unido dentro das mesmas crenças”, concluiu.
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