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Entrelinhas de Mercado: IA vai eliminar negócios antes de revelar o que criará, diz VP executivo da Oracle

Publicado 22/09/2026 • 22:23 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Luiz Meisler afirma que a inteligência artificial já permite enxergar o que tende a desaparecer, mas ainda não mostra quais negócios surgirão em seu lugar.
  • Executivo da Oracle vê espaço para novos competidores ultrapassarem empresas consolidadas e considera a resistência à mudança um dos principais riscos.
  • Meisler defende que companhias abandonem a simples automação de processos atuais e usem a IA para construir novas formas de operar e atender clientes.

A inteligência artificial já permite identificar atividades e modelos que podem desaparecer, mas ainda não oferece clareza sobre o que ocupará esse espaço, segundo Luiz Meisler, vice-presidente executivo da Oracle. Em entrevista ao programa Entrelinhas de Mercado, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele avaliou que essa incerteza abre caminho para novos protagonistas e aumenta o risco para empresas que tentarem preservar modelos construídos em ciclos tecnológicos anteriores.

A gente sabe o que vai desaparecer, mas não tem ideia do que vai surgir”, afirmou Meisler. Segundo o executivo, é justamente a dificuldade de enxergar o que virá depois que alimenta a resistência das empresas em dar um salto mais profundo na adoção da tecnologia.

Para Meisler, o tamanho dessa incerteza diferencia a IA das grandes transições tecnológicas das últimas décadas. Internet, smartphones e computação em nuvem transformaram mercados, mas, na avaliação dele, nenhuma dessas mudanças produziu uma ruptura comparável à atual.

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IA não tem nada parecido. Nenhuma das outras foi parecida com isso. Nem perto”, ressaltou.

Novos competidores podem assumir protagonismo

A falta de previsibilidade também altera a relação de forças entre empresas consolidadas e novos participantes. Meisler acredita que companhias recém-criadas podem avançar rapidamente sobre mercados dominados durante décadas pelos mesmos grupos.

Os new incomers podem se tornar os grandes protagonistas. Então, essa é uma diferença brutal”, avaliou. O executivo lembrou que empresas hoje podem nascer, alcançar avaliações bilionárias e ganhar relevância em apenas dois ou três anos.

Esse cenário exige, segundo ele, uma disposição permanente para abandonar certezas e assumir riscos. O desafio não está apenas em adotar novas ferramentas, mas em aceitar que produtos, processos e até modelos de negócio considerados sólidos podem perder espaço rapidamente.

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Meisler reconhece que avançar antes dos concorrentes envolve riscos, mas considera a inação uma ameaça ainda maior. “Você fazer tem risco, tem. Mas não fazer é a certeza da derrota.

Empresas ainda tentam usar IA para preservar o que já existe

Para o executivo, parte das companhias está cometendo um erro ao usar inteligência artificial apenas para automatizar processos existentes, em vez de explorar a tecnologia para construir uma operação diferente. “As pessoas ficam muito focadas nas ferramentas. E ficam pouco focadas na transformação”, observou.

Meisler usou como exemplo um call center. Em vez de simplesmente automatizar as tarefas realizadas atualmente por atendentes, a IA poderia permitir um serviço capaz de ouvir antes de responder, procurar informações de forma autônoma e modificar completamente a interação com o cliente.

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O problema, segundo ele, é que quem já opera determinado processo tende a imaginar a nova tecnologia a partir da experiência atual. “O usuário é o último a romper”, explicou, ao defender que mudanças mais profundas dificilmente nascerão apenas da reprodução das rotinas existentes.

Negócio ganha espaço sobre ferramenta

Essa transformação também modifica as competências exigidas dos profissionais de tecnologia. Meisler afirmou que conhecimento técnico permanece essencial, mas considera cada vez mais importante entender como a tecnologia pode efetivamente alterar o negócio.

O que faz a diferença realmente cada vez mais é o negócio. O que você agrega ao negócio”, destacou.

Na avaliação do executivo, essa é uma das razões pelas quais empresas implantam agentes de inteligência artificial sem conseguir obter os benefícios esperados. A tecnologia é introduzida sobre estruturas existentes, sem uma revisão mais profunda da experiência e dos processos.

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A gente está construindo juntos esse caminho”, disse Meisler, ao afirmar que ainda não existe uma fórmula consolidada para essa transformação.

Nuvem permanece como base da transformação

Mesmo diante do avanço da IA, Meisler considera que a migração para a nuvem continua sendo uma etapa fundamental, inclusive porque muitas empresas ainda mantêm parte relevante de sua infraestrutura fora desse ambiente.

“Acho que ir para o cloud é uma questão de segurança”, ressaltou. Para ele, segurança deixou de ser um atributo adicional e passou a representar uma exigência básica das operações corporativas.

O executivo reconheceu que a Oracle entrou mais tarde na disputa pela computação em nuvem, o que impediu a companhia de alcançar a mesma escala de concorrentes que fizeram esse movimento antes.

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Fizemos tarde. Isso é interessante. Saímos 10 anos depois”, lembrou. Em contrapartida, Meisler argumentou que a entrada posterior permitiu construir uma infraestrutura baseada em tecnologias mais recentes e com maior atenção à segurança.

Estratégia aberta para um futuro imprevisível

A incerteza sobre quais tecnologias prevalecerão também está por trás da estratégia da Oracle de permitir que clientes utilizem diferentes provedores de nuvem e modelos de inteligência artificial, segundo Meisler.“Não adianta eu me fechar”, afirmou o executivo ao explicar a opção por uma estrutura multicloud.

A companhia passou a disponibilizar sua infraestrutura dentro de ambientes de concorrentes e, na área de inteligência artificial, busca oferecer suporte a diferentes grandes modelos de linguagem. Para Meisler, não exigir que o cliente aposte exclusivamente em uma tecnologia ganha importância justamente quando ninguém sabe qual solução dominará o mercado no futuro.

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Hoje está totalmente aberto a qualquer LLM”, destacou.

Venda dá lugar a parceria

Meisler afirmou ainda que a própria relação da Oracle com grandes clientes está mudando. Em projetos de inteligência artificial, a empresa passou a trabalhar de maneira mais próxima das necessidades específicas de cada negócio. “Nós não estamos mais fechando contratos de vendas. São contratos de parceria”, explicou.

O desafio agora é levar essa abordagem também a empresas menores. Segundo ele, o obstáculo não está necessariamente no preço da tecnologia, mas no acesso a soluções suficientemente específicas para cada negócio. “Não é o problema de custo. É o problema de acesso e fazer coisas específicas”, avaliou.

Incerteza exige profissionais dispostos a arriscar

A mesma lógica se aplica ao mercado de trabalho. Para Meisler, empresas de diferentes setores passaram a disputar profissionais com características semelhantes, reduzindo o peso exclusivo da especialização prévia.

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O executivo definiu como “crise de vontade” a dificuldade de encontrar pessoas dispostas a avançar em um cenário sem respostas prontas. “Você tem que achar gente que tem vontade. Sede. Fome de dar o próximo passo nesse mundo que desafia todos nós”, afirmou.

Para Meisler, o futuro da inteligência artificial permanece essencialmente aberto – e essa ausência de certezas exige curiosidade, coragem e aprendizado permanente. “O futuro pode ser qualquer coisa. Ninguém sabe o que vai ser. E nesse futuro que pode ser qualquer coisa a gente precisa de gente com coragem”, concluiu.

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