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Cosan perde peso da Raízen, é rebaixada pela S&P e vê Rumo virar peça-chave

Publicado 09/07/2026 • 21:38 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • S&P rebaixou a nota da Cosan de BB- para B+ e manteve a perspectiva negativa.
  • Reestruturação da Raízen prevê conversão de 45% da dívida em ações e aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell.
  • Cosan avalia alternativas para sua participação na Rumo, mas a S&P vê risco de perda adicional de diversificação.

A S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito da Cosan de BB- para B+ e manteve a perspectiva negativa para a holding nesta quinta-feira (9). O corte foi atribuído à perda de força do perfil de negócios da companhia após a reestruturação da dívida da Raízen, joint venture com a Shell.

A Raízen passa por uma reestruturação de cerca de R$ 65 bilhões em dívida. O plano prevê a conversão de 45% do passivo em participação acionária e um aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell. A Cosan não deve acompanhar o aumento de capital.

Com isso, a holding fundada por Rubens Ometto perde peso em um dos ativos que historicamente ajudavam a sustentar sua diversificação. Segundo a S&P, a diluição da participação na Raízen reduz a importância da empresa dentro do portfólio da Cosan.

Raízen deixa de ser peça central

A Cosan já havia deixado de reconhecer os efeitos da Raízen em suas demonstrações financeiras desde março, depois que impairments reduziram a zero o valor contábil do investimento na companhia.

Com isso, a Raízen deixa de ser uma fonte relevante de caixa para a controladora. Em teleconferência com investidores no dia 15 de maio, para comentar os resultados do primeiro trimestre, o presidente da Cosan, Marcelo Martins, afirmou que a participação da holding na Raízen não deve ser expressiva após a reestruturação.

Na mesma teleconferência, Martins disse que a Cosan poderá vender sua participação na Raízen, ainda sem prazo definido. Segundo ele, a joint venture deixará de ser um “investimento relevante” para a holding.

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Rumo vira ativo-chave

Sem a Raízen no centro da estrutura, a Cosan passa a se apoiar em ativos como Rumo, Compass, Moove e Radar. O ponto mais sensível agora é a Rumo.

A Cosan informou no fim de junho que avalia alternativas para sua participação na operadora ferroviária. A companhia disse que o processo está em fase inicial e que ainda não há decisão sobre uma eventual transação.

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A venda de parte da fatia na Rumo pode ajudar a holding a reduzir a dívida. A própria administração da Cosan já declarou ter como meta atingir dívida líquida zero e indicou disposição para avaliar alternativas envolvendo subsidiárias estratégicas, segundo a S&P.

O risco, para a agência, é que novas vendas de ativos enfraqueçam ainda mais a diversificação do grupo e reduzam a geração de dividendos no longo prazo.

Dívida melhora, mas caixa ainda preocupa

A S&P reconhece avanços na desalavancagem. Desde dezembro de 2025, a Cosan amortizou cerca de R$ 9 bilhões em dívida, com apoio de um follow-on de R$ 10 bilhões e da oferta de ações da Compass, que levantou R$ 2,3 bilhões.

A agência projeta que a alavancagem líquida consolidada da Cosan fique entre 2,5 vezes e 3 vezes em 2026 e entre 2 vezes e 2,5 vezes em 2027, abaixo das 3,4 vezes registradas nos 12 meses encerrados em março.

Ainda assim, o principal alerta está na capacidade da holding de cobrir suas despesas financeiras com dividendos das controladas. A S&P estima que essa cobertura deve seguir abaixo de 1 vez nos próximos dois anos, caso não haja novas vendas de ativos.

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Holding em transição

Na mesma teleconferência de 15 de maio, Marcelo Martins afirmou que a holding deve ser dissolvida em um processo que pode começar em 2027. A ideia é que os acionistas passem a receber participações diretas nas empresas investidas.

O rebaixamento da S&P reforça essa virada. A Cosan tenta reduzir dívida e simplificar a estrutura, mas precisa fazer isso sem esvaziar demais o portfólio que ainda sustenta geração de caixa da companhia.

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