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Protagonistas: Empreendedoras precisam se reconhecer como CEOs, diz sócia da EY Raquel Teixeira

Publicado 09/07/2026 • 20:22 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • Raquel Teixeira afirma que muitas mulheres ainda têm dificuldade de se enxergar como fundadoras, donas e líderes dos próprios negócios.
  • Executiva diz que a experiência de empreender por 10 anos a ajuda a mentorar empreendedores “de igual para igual”.
  • Para ela, inteligência artificial aumenta produtividade, mas não substitui empatia, mentoria e relação humana.

Mulheres empreendedoras precisam se reconhecer como fundadoras, CEOs e donas dos próprios negócios para crescer com mais segurança, afirmou Raquel Teixeira, sócia da EY e líder de iniciativas voltadas ao empreendedorismo.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Raquel disse que muitas empreendedoras dominam a parte técnica de suas empresas, mas ainda têm dificuldade de ocupar simbolicamente o lugar de liderança que já exercem na prática.

“Muitas vezes, elas não conseguem enxergar o lugar que estão ocupando, porque parece que a cadeira é maior do que elas”, afirmou.

Raquel lidera programas de relacionamento, empreendedorismo e impacto na EY. Antes de voltar ao mundo corporativo, empreendeu por 10 anos em uma empresa de imigração e relocation, criada a partir de uma oportunidade de mercado quando tinha cerca de 28 anos.

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A executiva disse que a experiência de empreender a obrigou a aprender na prática temas como gestão de pessoas, finanças, vendas, despesas e relacionamento com clientes. Segundo ela, esse período também formou sua visão de liderança baseada em responsabilidade e cuidado.

“Quando eu falo em vender o almoço para comer o jantar, é literalmente você ter muita responsabilidade, porque você tem equipe que tem família”, disse.

Raquel vendeu sua empresa para a EY em 2008, em meio ao crescimento da demanda por serviços de imigração com a expansão do pré-sal. Na companhia, estruturou e liderou a área de migração por mais de uma década.

Em 2018, ao engravidar do filho, decidiu mudar de área e voltar às origens ligadas ao empreendedorismo, agora apoiando outros empresários dentro de uma grande organização.

Segundo Raquel, ter estado “do outro lado da mesa” facilita o trabalho atual com empreendedores. Ela afirmou que sua trajetória permite compreender melhor as dores de quem toca uma empresa pequena, especialmente em momentos de baixa estrutura e pouco suporte.

“Eu sei qual é a dor das empreendedoras, dos empreendedores. Eu me coloco muito no lugar deles, porque eu estive nesse lugar”, afirmou.

Na EY, Raquel atua na área de mercados e em iniciativas voltadas a pequenas e médias empresas. Entre os programas liderados por ela estão o Empreendedor do Ano, voltado ao reconhecimento de trajetórias empresariais, e o Winning Women, programa de aceleração para mulheres empreendedoras.

Raquel disse que, no caso das mulheres, um dos desafios mais recorrentes é fazer com que elas conheçam melhor seus negócios de ponta a ponta. Segundo ela, muitas empreendedoras dominam o produto ou serviço que oferecem, mas têm pouca familiaridade com indicadores financeiros, balanços e gestão.

A executiva afirmou que o objetivo não é transformar a empreendedora em contadora, mas garantir que ela tenha capacidade de fazer perguntas, interpretar documentos e tomar decisões melhores.

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Outro ponto central, segundo Raquel, é o reconhecimento da própria posição. Ela disse que homens tendem a se apresentar com mais naturalidade como fundadores, CEOs ou cofundadores, enquanto mulheres ainda demonstram mais receio.

“O homem não tem nenhum receio, e não tem que ter mesmo, de dizer: ‘Eu sou founder, eu sou co-founder, eu sou CEO’. As mulheres têm um pouco mais de receio”, afirmou.

Raquel associou esse comportamento à síndrome da impostora. Segundo ela, uma das primeiras etapas do Winning Women é trabalhar o autoconhecimento e a segurança das participantes para que elas consigam se posicionar melhor diante de clientes, investidores e parceiros.

“Uma mulher segura passa segurança para um cliente que vai querer comprar dela”, disse.

A sócia da EY também destacou a diferença entre mentoria e patrocínio na carreira e nos negócios. Para ela, mulheres costumam ter muitos mentores, mas poucos patrocinadores — pessoas dispostas a abrir portas, falar de suas empresas e levá-las a novos espaços.

Ao comentar o avanço da inteligência artificial, Raquel afirmou que empreendedores precisam se adaptar e aprender a usar a tecnologia para ganhar produtividade. Segundo ela, a IA já ajuda a reduzir trabalho operacional e acelerar processos.

Mas, para a executiva, a tecnologia não substitui a relação humana construída em programas de mentoria. Ela disse que a IA pode organizar informações, mas não replica empatia, escuta e troca de experiências entre pessoas.

“A IA não vai conseguir substituir essa relação que a gente cria dentro dos programas”, afirmou.

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Raquel disse que o contato humano segue essencial para compreender a dor de uma empreendedora ou de um empreendedor. Para ela, o olhar humano continuará sendo um diferencial em qualquer processo de desenvolvimento.

Questionada sobre o que significa ser protagonista da própria história, Raquel afirmou que protagonismo está ligado à capacidade de recomeçar, tomar decisões e assumir responsabilidade pelos próprios caminhos.

“Para mim, ser protagonista é saber o momento em que eu tenho que recomeçar, e não é retroceder”, disse.

Ela afirmou que quer construir uma trajetória baseada nas próprias escolhas, sem abrir mão de ouvir a razão e a intuição.

“Eu quero ter certeza de que a minha história é contada da forma que eu decidi”, afirmou.

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