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Crédito só vale a pena se melhorar resultado da empresa, avalia Sérgio All

Publicado 25/09/2026 • 18:28 | Atualizado há 22 minutos

KEY POINTS

  • Sérgio All afirma que queda dos juros exige cautela e contas antes de pequenas e médias empresas recorrerem ao crédito.
  • Comentarista recomenda avaliar fluxo de caixa, retorno esperado e capacidade de pagamento antes de financiar estoque ou equipamentos.
  • Renegociar dívidas pode ser mais vantajoso que contratar novo empréstimo quando a parcela aumenta a pressão sobre o caixa da empresa.

A queda dos juros não transforma automaticamente o crédito em uma boa opção para pequenas e médias empresas, e o empresário precisa avaliar se o dinheiro terá capacidade de gerar retorno, segundo Sérgio All, notável do Times Brasil. Em entrevista nesta sexta-feira (25) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele destacou que empréstimos podem financiar expansão, estoque e produtividade, mas também agravar dificuldades financeiras quando usados apenas para cobrir problemas de caixa. Markdown colado

“O mais importante é fazer conta para entender se vale a pena tomar o crédito para cobrir um rombo ou um problema que pode ser adiado mais para a frente ou para fazer investimentos estruturais”, explicou Sérgio All.

O comentarista ressaltou que, mesmo após os cortes recentes da taxa básica de juros, o custo do dinheiro continua elevado para as empresas. Por isso, a redução das taxas também pode ser encarada como uma oportunidade para discutir condições melhores sobre dívidas já existentes, em vez de necessariamente assumir um novo compromisso financeiro.

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Retorno precisa justificar empréstimo

Antes de financiar estoque, equipamentos ou tecnologia, o empresário deve avaliar se o investimento proporcionará vantagem competitiva e se a parcela poderá ser absorvida pelo fluxo de caixa, segundo ele. A análise também deve considerar risco, garantias exigidas pela instituição financeira e prazo para pagamento.

“Primeiro, acho que ela tem que fazer a análise se esse acesso a esse crédito vai trazer uma vantagem competitiva, se ela vai conseguir cumprir com o compromisso de pagar a parcela”, observou.

No caso dos estoques, a velocidade com que os produtos serão vendidos é uma variável decisiva. All explicou que recorrer ao crédito pode fazer sentido para uma empresa com demanda suficiente para transformar rapidamente o investimento em receita.

A situação muda quando o negócio apresenta vendas pouco frequentes ou não dispõe de outras fontes de receita capazes de compensar uma saída mais lenta dos produtos. Nesse cenário, o empresário corre o risco de manter a dívida enquanto o retorno esperado demora a chegar.

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“Quando o crédito faz sentido para o empresário? Quando ele tem uma loja, atende um público direto e sabe que isso gera retorno financeiro. Investir em estoque ou equipamentos que tenham saída acredito que faça sentido”, avaliou.

Renegociação pode ser alternativa

Para empresas que já carregam dívidas, a redução dos juros pode abrir espaço para renegociar compromissos com bancos e até fornecedores, em vez de contratar uma nova linha de crédito.

Sérgio All recomenda começar pelo levantamento de todas as obrigações da empresa, incluindo valores devidos, parcelas atrasadas, taxas e prazos. Com essas informações, o empresário pode procurar credores e avaliar se existem condições melhores para reorganizar os pagamentos.

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“Baixou a taxa de juros, pensa. Primeira coisa que você tem que pensar: fazer a conta sobre tudo da sua empresa, tudo que você deve, e principalmente sentar com o seu banco para renegociar as dívidas”, destacou.

O alerta se torna ainda mais importante quando a nova parcela não cabe no fluxo de caixa ou o recurso captado não melhora os resultados do negócio. Nesses casos, segundo Sérgio All, outro empréstimo pode apenas aumentar o endividamento e dificultar futuras renegociações.

Investimento deve aumentar vendas ou reduzir custos

O comentarista citou como exemplo uma empresa com operações consolidadas tanto no varejo físico quanto no digital, mas que precisa administrar simultaneamente estoques, fornecedores e compromissos bancários.

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Nesse caso, explicou, a linha de crédito pode funcionar como instrumento para dar maior flexibilidade ao caixa, permitindo negociar prazos e pagamentos e financiar uma estrutura capaz de ampliar as vendas.

“Quanto mais vendas ele tiver, mais dinheiro em caixa vai ter para renegociar e para ter mais estoque. Ele consegue melhorar a produtividade, contratar mais pessoas para aumentar as vendas e aumentar o resultado da empresa”, comentou.

Papel e caneta antes da decisão

Para Sérgio All, a conta fundamental envolve comparar o custo mensal do empréstimo com o retorno que o investimento poderá gerar. O empresário também deve calcular em quanto tempo o recurso aplicado se paga e se o prazo da dívida é compatível com a capacidade financeira do negócio.

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A busca pelo financiamento também exige comparar bancos, fintechs e outras instituições para encontrar condições mais adequadas, evitando tomar uma decisão apenas pela urgência de conseguir dinheiro.

“Vou pegar esse dinheiro emprestado: quanto isso vai custar para mim por mês? Dentro do meu faturamento e da minha previsão de crescimento, vou conseguir cumprir com essa parcela?”, exemplificou.

Na avaliação dele, a decisão final não precisa necessariamente ser contratar crédito. Depois de colocar receitas, despesas, dívidas e perspectivas de retorno no papel, o pequeno ou médio empresário pode concluir que o melhor caminho é renegociar, investir ou simplesmente esperar antes de assumir uma nova obrigação financeira.

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