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Empresas sem histórico movimentando milhões: especialista aponta sinal de alerta
Publicado 11/08/2026 • 14:17 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 11/08/2026 • 14:17 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Movimentações de dezenas ou centenas de milhões de reais, envolvendo empresas recém-criadas e sem histórico financeiro, deveriam acionar mecanismos reforçados de monitoramento nas instituições financeiras. A avaliação é do advogado e especialista em compliance empresarial Flávio Bernardes, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo Bernardes, parte dos indícios que vieram à tona no caso do Banco Master envolve pagamentos expressivos a empresas recentemente constituídas, com questionamentos sobre a existência e a comprovação dos serviços prestados.
“Como milhões de reais circulam com empresas jovens, recém-constituídas, e o compliance das instituições não identifica? Realmente são indícios muito contundentes”, afirmou.
Para o advogado, operações desse porte fogem do padrão esperado para companhias sem histórico financeiro consolidado e deveriam passar por checagens adicionais.
Leia também: Liquidante do Banco Master amplia busca por ativos ligados a Vorcaro nos EUA
Bernardes explica que a rapidez na abertura de empresas faz parte de um processo de desburocratização considerado positivo para a economia, mas não elimina a necessidade de controles sobre transações atípicas.
Na avaliação dele, uma companhia recém-constituída que passa a movimentar valores muito elevados deve receber atenção diferenciada das instituições financeiras.
“Uma empresa nova e uma fatura que não é uma fatura qualquer, R$ 80 milhões, R$ 100 milhões, é uma fatura que, no compliance, deveria ter um destaque específico para uma empresa que não tem histórico financeiro”, disse.
O especialista observa ainda que, em empresas prestadoras de serviços, a entrega é menos tangível do que em operações envolvendo bens físicos, o que pode tornar mais difícil verificar o que efetivamente foi prestado.
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Siga o Times | CNBCOutro ponto levantado por Bernardes diz respeito a pessoas que aparecem como sócias ou diretoras de empresas, apesar de apresentarem perfis aparentemente incompatíveis com o volume movimentado, como beneficiárias de programas sociais.
Ele ressalta, porém, que essa incompatibilidade não permite concluir automaticamente que essas pessoas participaram de irregularidades. Há também a possibilidade de utilização indevida de dados de terceiros em registros empresariais.
Para o advogado, a situação reforça a necessidade de cruzar informações cadastrais, societárias e financeiras antes e durante o relacionamento das instituições com as empresas e seus responsáveis.
Bernardes afirma que operações fora do padrão precisam ser segregadas e monitoradas pelos sistemas internos das instituições financeiras e, quando aplicável, comunicadas aos órgãos responsáveis pela fiscalização.
Segundo ele, ferramentas de inteligência artificial e cruzamento de bases de dados já permitem identificar inconsistências e perfis que merecem análise adicional.
“Hoje, em plena era de inteligência artificial, eu tenho IAs que cruzam vários desses dados exatamente para destacar onde estão os riscos. O compliance deve ser mais efetivo na análise”, afirmou.
Na avaliação do especialista, as informações conhecidas até agora indicam que operações de alto valor e empresas sem histórico suficiente deveriam ter recebido maior atenção dos mecanismos de controle.
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