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EUA e Irã trocam exigências de indenização enquanto diminuem as esperanças de um acordo sobre Ormuz

Publicado 11/08/2026 • 09:01 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O presidente Donald Trump exigiu que o Irã pague indenizações “pelos danos que causou ao longo de um período de 50 anos”.
  • Ele também afirmou que os Estados Unidos têm controle sobre o Estreito de Ormuz.
  • O impasse faz com que Washington trate sua presença naval como uma estrutura permanente que garante o acesso ao estreito, enquanto Teerã considera essa mesma presença o principal obstáculo para a normalização do tráfego marítimo.
Donald Trump

Foto: AFP

Trump afirmou que o Irã deveria pagar indenizações pelo que classificou como “os danos que causou” ao longo dos últimos 50 anos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que o Irã deveria pagar indenizações pelo que classificou como “os danos que causou” ao longo dos últimos 50 anos.

“Eles pediram indenizações, pode-se dizer, ou pediram dinheiro pelos danos que causamos, e eu disse que é uma boa ideia. Bem, nós vamos pedir dinheiro pelos danos que eles causaram ao longo de um período de 50 anos”, disse Trump a repórteres no Salão Oval da Casa Branca.

Ele acrescentou que a compensação poderia ser usada para pagar danos relacionados a militares e funcionários americanos mortos ou feridos no Oriente Médio, assim como às famílias de manifestantes mortos durante uma repressão do regime iraniano aos protestos em massa ocorridos neste ano.

“Se houver danos a serem pagos, acho que o Irã deveria pagar por esses danos”, afirmou.

Os preços do petróleo dispararam nesta terça-feira. O Brent, referência global, subia 2,5%, para US$ 89,89 por barril, enquanto os contratos futuros do petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) avançavam 2,9%, para US$ 84,49 por barril.

Separadamente, o presidente afirmou em uma publicação na rede Truth Social nesta segunda-feira que estava “exigindo compensação do Irã”.

“É uma ideia interessante porque agora eu também estou exigindo uma compensação do Irã”, disse, referindo-se às mortes e aos feridos entre civis e militares. “Instruí meus representantes a incluir isso de forma firme em todas e quaisquer negociações futuras.”

Leia também: Estados Unidos retiram sanções contra empresas iraquianas ligadas ao Irã

EUA e Irã trocam exigências de indenização

A exigência de indenizações feita por Trump criou um novo ponto de impasse depois que o Irã apresentou, no sábado, suas próprias condições para reabrir o Estreito de Ormuz, uma importante rota marítima que, antes da guerra, transportava aproximadamente um quinto do petróleo mundial.

Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmou no sábado que o estreito não será reaberto até que Washington suspenda o bloqueio naval e as sanções, retire as forças americanas da região, pague indenizações de guerra e descongele ativos iranianos. O conselho também pediu o fim dos ataques dos Estados Unidos contra aliados regionais do Irã.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã reagiu nesta terça-feira também no campo econômico. O porta-voz Esmaeil Baqaei respondeu às declarações do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, de que as sanções americanas estavam “sufocando” o Irã.

Segundo Baqaei, Washington recorre às sanções sempre que a diplomacia fracassa e aumenta as medidas quando elas não funcionam — um padrão que, segundo ele, deixou de ser uma “política” e se tornou mais uma “dependência compulsiva”.

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Esperanças de acordo sobre Ormuz diminuem

Trump também afirmou nesta segunda-feira que a Marinha dos Estados Unidos havia retirado minas do Estreito de Ormuz e agora detinha “100%” do controle da rota marítima, enquanto as exigências de indenização surgiam como o mais recente ponto de tensão entre Washington e Teerã.

“Está aberto agora”, disse ele a repórteres na Casa Branca, acrescentando que os Estados Unidos eram “os únicos que têm o controle do Estreito de Ormuz neste momento”.

Na manhã desta terça-feira, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou ter recebido um relato de um incidente envolvendo um navio-tanque e forças militares no Golfo de Omã, próximo ao Estreito de Ormuz.

“Os navios são aconselhados a considerar as informações mais recentes sobre segurança marítima e manter-se atentos à evolução do ambiente operacional”, afirmou o órgão de segurança marítima. “As autoridades estão cientes da situação e as investigações pertinentes continuam em andamento.”

Autoridades iranianas insistiram que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos concordem com suas exigências, incluindo a suspensão do bloqueio naval. Segundo Teerã, as discussões com Omã sobre um acordo de transporte marítimo não levariam à reabertura completa da via.

Trump sinalizou que estava disposto a deixar que o agravamento da situação econômica atingisse o Irã, em vez de lançar novos ataques militares.

O impasse faz com que Washington trate sua presença naval como uma estrutura permanente que garante o acesso ao estreito, enquanto Teerã considera essa mesma presença o principal obstáculo para a normalização do tráfego marítimo.

O Irã afirmou que não reabrirá o Estreito de Ormuz enquanto os Estados Unidos continuarem bloqueando seus portos.

As interrupções no fornecimento de energia continuam sendo uma das principais preocupações dos mercados, com o tráfego de petroleiros pelo estreito ainda reduzido, afirmou Lloyd Chan, analista sênior de câmbio do MUFG Bank, em Cingapura. Segundo ele, os preços do Brent continuam bem acima dos níveis registrados antes do conflito.

Leia também: Irã nega ter pedido novas negociações com os Estados Unidos

Embora novos episódios de tensão continuem sendo possíveis, uma guerra regional em larga escala ainda não é o cenário-base, acrescentou Chan.

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