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Etanol: tarifa de 37,5% deve ter impacto limitado; crescimento do segmento de milho pode ser trunfo em negociações com os EUA
Publicado 27/07/2026 • 13:15 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 27/07/2026 • 13:15 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: UNSPLASH
A sobretaxa cumulativa de 37,5% aplicada pelos EUA sobre o etanol brasileiro tem impacto limitado no setor, segundo especialista.
A sobretaxa cumulativa de 37,5% aplicada pelos Estados Unidos sobre o etanol brasileiro tem impacto limitado no setor, já que o mercado americano representa uma parcela relativamente pequena das exportações do produto nacional. A avaliação é de Edmar de Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, em entrevista ao programa Real Time. “O máximo que nós já chegamos a exportar é cerca de 8% da nossa produção. Então, a produção do nosso etanol, principalmente no mercado interno”, explica Edmar.
Segundo o especialista, a medida anunciada por Washington tem como justificativa as barreiras tarifárias impostas pelo Brasil ao etanol de milho produzido nos Estados Unidos, especialmente para proteger as usinas instaladas nas regiões Norte e Nordeste. “O etanol americano tem, sim, uma competitividade elevada. Os Estados Unidos são grandes exportadores de etanol de milho e chegam a vender cerca de 15% da produção para diversos países”, afirmou.
De acordo com Almeida, além de ser produzido ao longo de todo o ano, sem depender da sazonalidade da safra, o etanol de milho americano conta com uma vantagem econômica adicional: a comercialização do subproduto utilizado como ração animal, o que aumenta a rentabilidade da produção.
O professor explica que, do ponto de vista logístico, o combustível americano consegue competir com facilidade no Norte e Nordeste do Brasil, regiões que também precisam receber o etanol produzido no Centro-Sul por longas rotas de transporte. “É relativamente barato levar o etanol dos Estados Unidos para essas regiões. Por isso, o Brasil adotou tarifas de importação, hoje em torno de 18%, para preservar a competitividade da produção nacional”, explicou.
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Siga o Times | CNBCNa avaliação do especialista, os Estados Unidos encontram respaldo ao criticar as barreiras comerciais brasileiras no caso específico do etanol. “O Brasil, historicamente, é um país muito fechado. Nossa industrialização foi baseada na substituição de importações, o que levou à adoção de barreiras tarifárias em diversos setores”, afirmou.
Para Almeida, embora essa estratégia tenha feito sentido em determinados momentos da economia brasileira, ela acabou sendo mantida em segmentos que já possuem elevada competitividade internacional. “O etanol é um caso típico. O Brasil é competitivo e pode ganhar ainda mais competitividade. Hoje, cerca de 20% da nossa produção já vem do milho, utilizando a mesma tecnologia empregada nos Estados Unidos”, destacou.
Nesse contexto, o professor defende que uma eventual negociação comercial entre os dois países poderia incluir a abertura gradual do mercado brasileiro ao etanol americano em troca de melhores condições para outros produtos brasileiros. “O Brasil poderia negociar a abertura desse mercado em troca da abertura do mercado americano para produtos nos quais temos força, como a agroindústria e o próprio etanol”, afirmou.
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Apesar da sobretaxa de 37,5%, Almeida avalia que os efeitos econômicos para o setor sucroenergético brasileiro tendem a ser limitados. Segundo ele, os preços do etanol no Brasil são determinados principalmente pelo comportamento da gasolina, e não pelas exportações. Além disso, o especialista vê o tema como uma oportunidade para futuras negociações comerciais entre Brasília e Washington. “Temos um setor competitivo e que continuará crescendo, especialmente com o avanço do etanol de milho. Isso pode ser usado como uma agenda positiva em uma negociação entre os dois países”, concluiu.
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