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‘Raízen foi agressiva em um momento ruim’, diz advogado sobre recuperação extrajudicial
Publicado 11/03/2026 • 12:15 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 11/03/2026 • 12:15 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
“A Raízen foi muito agressiva num momento não muito bom.” A avaliação é de Matheus Henrique Chemite, advogado especializado em recuperação de crédito e direito empresarial do escritório TGA Advogados, ao comentar o pedido de recuperação extrajudicial protocolado pela Raízen nesta quarta-feira (11) na Justiça de São Paulo para reestruturar R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras.
Segundo fato relevante divulgado ao mercado, credores que representam mais de 47% dessas dívidas já aderiram ao plano, percentual suficiente para o ajuizamento do pedido e que indica apoio relevante à reestruturação. A empresa tem até 90 dias para obter as adesões necessárias à homologação do plano.
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Chemite explicou que a via extrajudicial escolhida pela Raízen é menos agressiva do que uma recuperação judicial convencional. No modelo adotado, a empresa mantém o controle operacional enquanto negocia com os credores.
“Na judicial, a empresa perderia o controle operacional e seria nomeado um administrador para pagar a dívida ou, eventualmente, decretar falência”, afirmou em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
A própria Raízen reforçou, em nota oficial, que o escopo da recuperação é estritamente financeiro. Clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros seguem atendidos normalmente pelos contratos vigentes.
Na avaliação do advogado, o endividamento resultou de uma expansão além da capacidade financeira da companhia. O grupo investiu em novas usinas, no desenvolvimento do etanol de segunda geração e na ampliação da logística de distribuição de combustíveis sem estrutura adequada para sustentar esses projetos. A Selic elevada, atualmente em torno de 15%, agravou o quadro.
“Quando a empresa não se estrutura financeiramente e não prevê o futuro do mercado, ela acaba entrando num endividamento não planejado”, disse Chemite.
O plano de reestruturação deve incluir alongamento de vencimentos, redução de juros, eventual troca de dívida por participação acionária e venda de ativos para geração de caixa. Shell e Cosan, sócias da Raízen, já anunciaram aportes financeiros na companhia.
Para Chemite, a Raízen passará por uma reestruturação, não por encolhimento. “Obrigatoriamente precisarão se reestruturar, porque senão seria continuar investindo de maneira talvez equivocada e só aumentar a dívida”, avaliou.
O advogado considera limitado o risco de impacto no abastecimento de combustíveis no curto prazo, já que a recuperação afeta apenas a estrutura financeira da empresa. “A parte operacional vai continuar a todo vapor. Essa recuperação vai afetar principalmente os bancos e o setor de crédito de energia”, afirmou. A médio e longo prazo, porém, Chemite não descarta algum efeito nos preços.
Para os acionistas, as ações da Raízen acumulam perdas relevantes em razão do endividamento. O especialista acredita em recuperação do papel a médio prazo, diante do avanço nas negociações com os credores e do suporte dos sócios. “Quem não tem ações, acho que está no momento certo de comprar, porque acredito que vão sim conseguir se recuperar”, disse.
A Raízen informa que protocolou nesta quarta-feira (11) pedido de homologação de um plano de recuperação extrajudicial, voltado à reorganização de parte de suas obrigações financeiras junto a credores da companhia.
A proposta foi estruturada em diálogo com esses credores e tem como objetivo estabelecer um ambiente jurídico adequado para a negociação e implementação de ajustes em determinadas obrigações financeiras, no âmbito da estratégia da companhia de otimização de sua estrutura de capital.
A empresa ressalta que o escopo da recuperação extrajudicial é estritamente financeiro e não envolve dívidas ou obrigações operacionais. Dessa forma, permanecem integralmente preservadas as relações da Raízen com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros de negócios, que seguem regidas normalmente pelos respectivos contratos.
Todas as operações da companhia continuam sendo conduzidas normalmente, incluindo o atendimento a clientes, a relação com fornecedores e a execução de seus planos de negócios.
O plano apresentado prevê prazo de até 90 dias para a obtenção das adesões necessárias à sua homologação, nos termos da legislação aplicável.
A Raízen manterá seus acionistas e o mercado informados acerca de quaisquer desdobramentos relevantes relacionados a este tema.
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