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Energia

Brasil pode liderar mercado global de combustíveis de baixo carbono, diz CEO da FS

Publicado 03/08/2026 • 20:40 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Expansão do etanol de milho e novas tecnologias de captura de carbono ampliam potencial do Brasil na transição energética global.
  • FS prepara lançamento do primeiro projeto de captura e armazenamento de carbono (BECCS) aplicado ao etanol no Hemisfério Sul, com produção de etanol carbono negativo.
  • CEO da FS afirma que tarifaço tem impacto limitado sobre o setor e destaca crescimento da demanda internacional por combustíveis de menor emissão de carbono.

O Brasil reúne vantagens únicas para se consolidar como um dos principais fornecedores mundiais de combustíveis de baixo carbono, segundo Rafael Abud, CEO da FS. Em entrevista nesta segunda-feira (3) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que a combinação entre produtividade agrícola, energia limpa e novas tecnologias de descarbonização coloca o país em posição privilegiada para liderar a transição energética e ampliar a exportação de biocombustíveis e créditos de carbono.

Na avaliação do executivo, o avanço do etanol de milho representa uma das principais transformações recentes do setor. “Hoje, cerca de 30% do etanol produzido no Brasil já é de milho. Isso abriu grandes oportunidades de mercado não apenas aqui, mas também no exterior”, afirmou.

Etanol ganha novos mercados

Segundo Abud, o etanol deixou de ser utilizado apenas no transporte rodoviário e passou a ganhar espaço em novos segmentos da economia mundial.

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“O mundo está se abrindo para usos alternativos do etanol. Hoje ele avança para o transporte marítimo, para o combustível sustentável de aviação e para novos programas de descarbonização em diversos países”, disse.

O executivo destacou que o crescimento da demanda está ligado à busca por redução de emissões, segurança energética e combustíveis com menor intensidade de carbono.

“O etanol passou a ser uma alternativa importante tanto para descarbonização quanto para segurança energética, além de oferecer um custo bastante competitivo”, acrescentou.

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Produção concilia energia e alimentos

Ao comentar as críticas ao uso de milho para produção de combustíveis, Abud afirmou que o modelo brasileiro difere daquele adotado em outros países. “Quando utilizamos o milho para produzir etanol, usamos apenas o amido. A proteína, a gordura e a fibra se transformam em produtos para nutrição animal”, explicou.

Segundo ele, o Brasil ainda possui outra vantagem competitiva ao utilizar predominantemente o milho de segunda safra, cultivado após a colheita da soja, sem necessidade de ampliar a área agrícola.

“Conseguimos produzir energia e alimentos ao mesmo tempo, sem ocupar novas áreas. Esse é um diferencial muito importante do modelo produtivo brasileiro”, afirmou.

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Projeto produzirá etanol carbono negativo

Outro destaque apresentado pelo executivo foi o projeto de captura e armazenamento de carbono (BECCS) que a empresa colocará em operação em setembro, na unidade de Lucas do Rio Verde (MT).

Segundo Abud, o sistema capturará o CO₂ gerado durante a fermentação do milho e o armazenará em formações geológicas profundas. “É como explorar petróleo ao contrário. Em vez de retirar carbono do subsolo, capturamos o carbono que seria lançado na atmosfera, comprimimos e armazenamos em formações geológicas profundas”, explicou.

Segundo ele, o projeto permitirá produzir o primeiro etanol carbono negativo do mundo. “Quando o consumidor abastecer o veículo com esse etanol, estará utilizando um combustível que remove carbono da atmosfera, em vez de aumentar as emissões”, afirmou.

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Tarifaço tem pouco efeito sobre o setor

Sobre as tarifas envolvendo Brasil e Estados Unidos, Abud afirmou que os impactos para o setor são limitados. “O fluxo comercial de etanol entre Brasil e Estados Unidos nunca foi muito grande. Hoje produzimos mais do que o suficiente para abastecer o mercado interno e ainda exportamos”, disse.

Segundo ele, os principais destinos do etanol brasileiro atualmente são Japão, Europa, países da África, do Sudeste Asiático e da América Central.

Brasil pode exportar produtos de maior valor agregado

Na avaliação do executivo, o país reúne condições para ampliar sua presença internacional com produtos de maior valor agregado. “Hoje exportamos etanol. No futuro, também poderemos exportar combustível sustentável de aviação e créditos de carbono”, afirmou.

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Segundo Abud, a combinação entre produtividade agrícola, energia limpa, baixo custo de produção e um importante patrimônio ambiental torna o Brasil altamente competitivo na economia de baixo carbono.

“Temos vantagens comparativas que poucos países conseguem replicar. Essa combinação coloca o Brasil em posição privilegiada para liderar esse mercado”, concluiu.

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