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Climate Week 2026: Descarbonização deixa fase de diagnóstico e entra na agenda dos negócios, aponta VP de Sustentabilidade da Vale
Publicado 24/09/2026 • 19:58 | Atualizado há 42 minutos
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Publicado 24/09/2026 • 19:58 | Atualizado há 42 minutos
KEY POINTS
A descarbonização deve entrar em uma fase de forte aceleração até o fim desta década, com projetos que começaram como pilotos passando a ganhar escala, segundo Grazielle Parenti, vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale. Para ela, a agenda climática deixou para trás a etapa de diagnóstico e avança para uma abordagem mais pragmática, ligada diretamente aos negócios e às finanças.
“Não precisa mais de diagnóstico. A gente sabe o que tem que fazer. O que a gente tem que fazer agora é mostrar o que a gente está fazendo e quais são os projetos que vão ser escolhidos para escalar”, disse Parenti em entrevista durante a World Climate Summit New York. Segundo ela, sustentabilidade está cada vez mais conectada à construção de modelos de negócio capazes de gerar retorno econômico.
A executiva explicou que muitas das grandes companhias globais estabeleceram seus compromissos climáticos entre 2019 e 2021 e que o intervalo transcorrido desde então ainda é relativamente curto para projetos industriais de grande porte.
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“Aqueles projetos que foram pilotos, incubados, agora estão dando seus frutos”, avaliou. No caso da mineração, acrescentou, os ciclos de investimento são longos e exigem tempo para amadurecer.
Por isso, Grazielle Parenti espera uma mudança mais visível nos próximos anos. “A gente vai ver, nesse final desta década, uma aceleração muito grande desses projetos que eram piloto, que eram projetos de prancheta e hoje estão se tornando realmente realidade”, destacou.
Questionada sobre o principal obstáculo para acelerar a transformação, a executiva apontou a demanda como um dos fatores decisivos. Segundo ela, o interesse dos consumidores e das diferentes cadeias produtivas influencia diretamente o ritmo dos investimentos.
“A velocidade que essa transformação, que essa transição energética, que essa descarbonização vai acontecer depende muito da demanda”, explicou.
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Para a Vale, que está no início de cadeias como a da produção de aço, o desafio passa por desenvolver um portfólio competitivo e adequado à descarbonização, além de aprofundar a colaboração com clientes.
Ela também destacou a importância das políticas públicas que começaram a ser desenvolvidas no início desta década. Entre elas, citou o mercado de carbono brasileiro, cuja implementação, em sua avaliação, pode produzir uma transformação relevante e acelerar o processo de descarbonização.
A vice-presidente da Vale vê no Brasil uma combinação de vantagens que poucos países possuem para disputar investimentos associados à economia de baixo carbono, principalmente pela matriz renovável e pela disponibilidade de recursos naturais.
“A gente tem uma oportunidade que talvez seja muito única e que outros países não tenham”, ressaltou. “A gente tem uma grande oportunidade de ser o país, a geografia que vai trazer minerais de baixo carbono para descarbonizar a indústria, para eletrificar o que é possível ser eletrificado.”
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Siga o Times | CNBCNa Vale, uma das estratégias para transformar essas vantagens em projetos concretos envolve o uso de combustíveis alternativos nas operações industriais e logísticas, aproveitando a posição brasileira na produção de biocombustíveis.
“Quando a gente fala sobre descarbonizar operações industriais, as pessoas vão sempre para eletrificação. No nosso caso, a gente tem acelerado muito a busca por combustíveis alternativos, no caso do Brasil, que é a terra dos biocombustíveis”, observou.
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A transformação já alcança diferentes meios utilizados pela mineradora. “Nós estamos falando dos caminhões, dos trens, dos navios. Então isso é uma realidade acontecendo agora e que está avançando de forma muito rápida”, acrescentou.
Ao abordar o crescimento da inteligência artificial e a consequente expansão da demanda energética dos data centers, Grazielle Parenti destacou que a evolução tecnológica e a transição energética também exigirão volumes crescentes de metais.
“A transição energética, a gente diz que ela é uma revolução de metais, ela é intensa em metais”, disse. Nesse cenário, a executiva considera que o Brasil pode desempenhar um papel relevante no fornecimento necessário para sustentar essa transformação.
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Segundo ela, o País tem condições de “fornecer e apoiar essa evolução de uma forma limpa, descarbonizada e de baixo carbono”, conciliando seus recursos minerais com as vantagens de sua matriz energética.
Durante sua agenda em Nova York, Parenti participou de encontros com investidores, empresas brasileiras e grandes atores globais, com foco principalmente na descarbonização da cadeia do aço e na transição energética.
A executiva também destacou a escolha da Vale como uma das co-chairs do grupo de transição energética do Sustainable Business COP, iniciativa voltada à próxima COP, que será realizada na Turquia em novembro.
Para Parenti, a escala necessária para transformar os compromissos climáticos em investimentos exige cooperação entre empresas, investidores e instituições.
“Uma coisa que está muito clara para a gente é que só vai conseguir fazer essa transformação se fizer isso com mais gente, em coalizões”, concluiu. “Tenho dedicado bastante tempo para conversar com outras empresas, instituições, sobre como a gente amarra essa cadeia toda para conseguir acelerar esse processo.”
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