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Climate Week 2026: Segurança jurídica, saneamento e energia pautam agenda de transição climática em evento do Times | CNBC
Publicado 04/08/2026 • 17:25 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 04/08/2026 • 17:25 | Atualizado há 1 mês
KEY POINTS
Segurança jurídica, capacidade de investimento e previsibilidade para transformar compromissos climáticos em projetos concretos foram alguns dos principais pontos que atravessaram os debates do Climate Week 2026 – Brasil 2030. O evento foi promovido pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC nesta terça-feira (4), em São Paulo.

O encontro reuniu integrantes do governo, lideranças empresariais, representantes do Judiciário e especialistas para discutir como o Brasil pode conciliar crescimento econômico, transição climática e competitividade. Saneamento, energia, infraestrutura digital e ambiente regulatório estiveram entre os principais eixos da programação, mediada pelos jornalistas Marcelo Torres e Natália Ariede.
Um dos destaques foi a participação do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho. Segundo ele, uma agenda dessa dimensão depende da articulação entre poder público, empresas e sociedade.
“Uma agenda com esse nível de complexidade desafia a relação entre o Estado, o mercado e a sociedade. É uma agenda que demanda que as iniciativas sejam concertadas, que sejam colaborativas”, afirmou.
Vinícius Marques destacou a taxonomia sustentável como instrumento para criar referências comuns entre os agentes. “Quando o governo cria um sistema de taxonomia sustentável, um vocabulário único para que todo mundo possa conversar usando os mesmos termos, isso reduz as assimetrias de informação, viabiliza o diálogo e viabiliza a implementação dessas políticas.”

Leia também: Climate Week 2026: ministro da CGU enfatiza integridade na agenda climática e destaca combate a fraudes
Na prestação de serviços essenciais, a Aegea destacou que a prioridade está na execução dos contratos já existentes. Leandro Marin, vice-presidente regional da companhia, afirmou que as concessões em operação já sustentam uma trajetória relevante de expansão.
“A gente tem um crescimento já contratado dentro dos contratos de concessão da ordem de 20% ao ano pelos próximos dez anos”, disse.
Segundo Marin, a companhia concentra esforços em acelerar investimentos e amadurecer os ativos. “O momento da companhia agora é se voltar para dentro para performar seus ativos, amadurecê-los mais rápido, e isso passa por investimento, por operação, por gerar emprego, gerar renda e, principalmente, saúde e prosperidade para todos os nossos clientes e comunidades.”
A segurança jurídica apareceu como condição transversal para que esses e outros investimentos avancem. Sérgio Leverdi, CEO da LAWINFRA, afirmou que o país precisa oferecer previsibilidade ao capital.
“Para que possamos ter um ambiente fértil para atrair investimentos, precisamos mostrar que aqui é um lugar seguro para que esses investimentos sejam aportados”, disse. Para ele, o Brasil já conta com instituições e agências reguladoras consolidadas, mas precisa ganhar velocidade: “É preciso um pouco menos de leis e um pouco mais de agilidade.”
Pedro Dante, sócio da área de Energia do Lefosse Advogados, reforçou que a regulação deve garantir contratos sem se transformar em obstáculo para novos projetos.
“A gente precisa conseguir fazer com que essas regras sejam devidamente cumpridas para não ter quebra de contratos e expectativas, mas, principalmente, fazer com que essa regulação não trave investimentos”, afirmou.
Lenisa Rodrigues Prado, advogada da Brasil Prado e ex-conselheira do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), defendeu que infraestrutura e meio ambiente sejam tratados como políticas de Estado, com horizonte superior aos ciclos eleitorais.
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Siga o Times | CNBC“O grande fator para o nosso desenvolvimento é a segurança jurídica, é a previsibilidade das tomadas de decisão pelo governo e pelo Poder Judiciário”, disse.
Segundo Lenisa, o país também precisa aumentar o caráter técnico da produção legislativa. “Nós temos que passar a ter critérios internos para a edição das leis, para que as leis sejam cada vez mais técnicas, de modo que elas também tenham a perenidade garantida.”
“Não há como se falar em infraestrutura sem garantir previsibilidade dos investimentos e previsibilidade do entendimento pelo Poder Judiciário”, afirmou a advogada.
A expansão dos data centers e da inteligência artificial colocou a disponibilidade e a estabilidade do fornecimento elétrico no centro das discussões.
Marcela Martins, diretora de Gestão Energética da Ascenty, afirmou que o planejamento energético passou a integrar a fase inicial dos novos empreendimentos.
“Se não tiver energia, não tem data center. Hoje, dado esse volume, essa demanda muito maior de energia, há necessidade de olhar, desde a origem do projeto, se existe conexão e capacidade de expansão”, disse.
André Pepitone, diretor financeiro executivo da Itaipu, chamou atenção para os desafios trazidos pela ampliação das fontes renováveis. Segundo ele, eólica e solar já têm participação expressiva na potência instalada, mas exigem soluções adicionais para assegurar estabilidade ao sistema.
“Isso é bom, mas traz um desafio porque essas fontes não oferecem potência para o sistema. Elas não oferecem nem a estabilidade de tensão nem a de frequência”, afirmou.
Para Pepitone, o avanço da matriz precisa ser acompanhado por tecnologias complementares. “As soluções vêm por meio das usinas hidrelétricas e também por meio do armazenamento por baterias, uma novidade que vem se inserindo agora no setor.”
No agronegócio, a discussão se concentrou na adaptação aos efeitos das mudanças climáticas e na necessidade de ampliar instrumentos de proteção ao produtor. Muni Lourenço, vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), defendeu políticas públicas, maior alcance do seguro rural e disseminação de tecnologias sustentáveis, sobretudo entre pequenos produtores.
“Nós precisamos de um conjunto de iniciativas para atenuar, minimizar e mitigar os impactos das questões climáticas no agro brasileiro”, afirmou.
Os debates do Climate Week 2026 – Brasil 2030 também passaram por adaptação climática, seguros, agronegócio e financiamento sustentável na Amazônia. Um dos temas de destaque foi a necessidade de transformar vantagens brasileiras — como recursos naturais, matriz renovável e potencial de expansão da infraestrutura — em projetos capazes de atrair capital e gerar crescimento de longo prazo.
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