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Raízen: entenda por que a refinaria Dock Sud é estratégica na Argentina

Publicado 11/05/2026 • 15:55 | Atualizado há 5 meses

KEY POINTS

  • A possível venda dos ativos da Raízen na Argentina movimenta o mercado de energia da América do Sul.
  • O negócio envolve uma das principais refinarias argentinas, além de uma ampla rede de distribuição de combustíveis ligada à Shell.
  • Nos bastidores, as negociações avançaram nos últimos meses e já entraram na reta final.
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Foto: Raízen

Raízen: entenda por que a refinaria Dock Sud é estratégica na Argentina

A possível venda dos ativos da Raízen na Argentina movimenta o mercado de energia da América do Sul e pode mudar a disputa no setor de petróleo do país. O negócio envolve uma das principais refinarias argentinas, além de uma ampla rede de distribuição de combustíveis ligada à Shell.

Nos bastidores, as negociações avançaram nos últimos meses e já entraram na reta final. A operação reúne grandes grupos internacionais de energia, empresários influentes da Argentina e ativos considerados estratégicos para a cadeia de produção, refino e comercialização de petróleo.

Leia também: Raízen pode fechar negócio de até US$ 1,5 bilhão; veja o que está à venda

Envolvimento da Mercuria

De acordo com o Estadão, a Mercuria Energy Group e os empresários argentinos José Luis Manzano e Daniel Vila devem anunciar, a partir da metade de maio, a conclusão da compra das operações da Raízen na Argentina. O negócio pode movimentar entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 4,9 bilhões e R$ 7,3 bilhões na cotação atual).

A operação inclui cerca de mil postos de combustíveis Shell, uma das controladoras da Raízen, e a refinaria Dock Sud, uma das maiores da Argentina. As propostas foram apresentadas em novembro do ano passado. Após isso, os grupos realizaram movimentações necessárias para dar andamento ao negócio.

Dock Sud ocupa posição estratégica

A refinaria Dock Sud possui capacidade para processar 100.000 barris de petróleo por dia. Atualmente ele fica atrás apenas de duas refinarias controladas pela estatal argentina YPF. Além da capacidade de produção, a refinaria ocupa uma posição estratégica por integrar diferentes etapas do setor de energia.

A aquisição da Raízen permite que os compradores ampliem a presença no refino, transporte e comercialização do combustível. Atualmente, a Mercuria e os empresários já atuam na produção de petróleo por meio da Phoenix Global Resources.

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Empresários têm presença forte no setor

José Luiz Manzano ganhou notoriedade na política argentina durante os anos 1990. Na época, ele atuou como ministro do Interior no governo de Carlos Menem e também exerceu mandato como deputado nacional.

Já Daniel Vila começou a carreira como funcionário de Manzano e depois se tornou sócio do empresário. Atualmente os dois mantêm negócios em diferentes áreas, como comunicação, petróleo, turismo, mineração e energia elétrica.

Eles também controlam o Grupo América, considerado o segundo maior grupo de mídia da Argentina. Além disso, os empresários possuem participação nas distribuidoras de energia Edenor e Edemsa. Em parceria com a Mercuria, eles também participam da Mineradora Aguilar, que atua na exploração de prata e possui projetos ligados ao lítio e ao urânio.

Leia também: Raízen: entenda por que a empresa está vendendo ativos na Argentina

Reorganização financeira da Raízen

A venda das operações argentinas faz parte do processo de reorganização financeira da Raízen, considerado um dos principais desafios do Grupo Cosan. A companhia brasileira opera em parceria com a Shell e negocia um plano de recuperação extrajudicial com bancos e detentores de títulos de dívida no Brasil e no exterior.

Segundo fontes, parte dos recursos levantados com a venda da Raízen deve seguir para o pagamento de credores. A expectativa da companhia é fechar um acordo e encaminhar o plano para homologação judicial em junho.

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