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Executivos debatem modernização com IA em evento do Times | CNBC e IBM

Publicado 28/05/2026 • 22:56 | Atualizado há 13 horas

KEY POINTS

  • Evento realizado nesta quinta-feira (28), em São Paulo, reuniu executivos para discutir modernização corporativa com IA, segurança e ambientes híbridos.
  • IBM apresentou o Bob, assistente de IA voltado a equipes de tecnologia, com potencial de ganho de produtividade de 40% a 60% em desenvolvimento.
  • Executivos defenderam que a IA deve ser aplicada com contexto, governança e planejamento para evitar custos altos, perda de performance e riscos em sistemas críticos.

A inteligência artificial pode acelerar a modernização corporativa, mas só deve gerar valor em escala se for aplicada com contexto, governança e conhecimento dos sistemas que sustentam as operações críticas das empresas.

Essa foi a principal mensagem do evento O potencial da modernização com IA, realizado nesta quinta-feira (28), em São Paulo, em parceria entre o Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC e a IBM. O encontro discutiu eficiência, segurança e escala em ambientes híbridos, com foco em integração de mainframes conectados à nuvem e nos impactos da IA nos processos de modernização corporativa.

A discussão ocorre em um momento em que empresas tentam avançar da fase de testes para o uso efetivo da IA em áreas centrais do negócio.

No evento, a IBM apresentou o Bob, assistente de IA voltado a equipes de tecnologia, criado para apoiar a modernização de sistemas e o desenvolvimento de software com mais produtividade e segurança.

Wagner Arnaut, CTO da IBM Brasil, afirmou que o assistente deve funcionar como um integrante das equipes de desenvolvimento e operação, com capacidade de executar tarefas ao longo do ciclo de software.

“Nós, da IBM, estamos trabalhando muito o Bob como o membro da equipe de desenvolvimento e operação, que pode desempenhar uma série de atividades dentro do ciclo de desenvolvimento e operação”, disse.

Arnaut afirmou que a IBM vê potencial de ganho de produtividade de 40% a 60% em equipes de desenvolvimento com o uso de assistentes especializados. Segundo ele, o avanço vem menos da simples geração de código e mais da capacidade de a ferramenta entender o ambiente tecnológico de cada cliente.

“Ele [Bob] conhece o ambiente do cliente”, afirmou. “Eu já sei qual é o padrão da empresa, eu já fui treinado por padrões das empresas.”

Para o CTO da IBM Brasil, esse conhecimento é decisivo em sistemas críticos, nos quais a previsibilidade é parte da segurança operacional. “Para algumas operações, eu não posso uma hora responder de um jeito e outra hora responder de outro”, disse.

IA precisa chegar ao negócio

Catherine Fagundes, diretora de ZStack da IBM Brasil, afirmou que a IA já passou por uma fase de experimentação em áreas de suporte, como recursos humanos, finanças, contabilidade e gestão de contratos.

“O desafio agora é como trazer todos esses ganhos, esses casos de uso, para o lado do negócio”, afirmou. “Como melhorar a experiência de um cliente, como colocar novos produtos, novos serviços rapidamente no mercado.”

Segundo Catherine, a IBM tem usado a própria operação como ambiente de teste antes de levar soluções aos clientes. A companhia já implementou mais de 150 casos de uso de IA internamente, em áreas como supply chain, RH, gerenciamento de contratos e otimização de infraestrutura.

“A IBM tem uma preocupação muito grande em levar para os nossos clientes soluções comprovadas e nós somos o nosso próprio cliente beta, cliente teste”, disse. “A gente fala que nós somos o nosso cliente zero.”

A executiva afirmou que esses projetos trouxeram ganhos “na casa de bilhões de dólares” nos últimos anos. Em recursos humanos, segundo ela, 94% dos chamados já são respondidos por assistentes internos.

“Quando você pensa 94% de chamados em mais de 300 mil funcionários, olha o tamanho do benefício”, afirmou.

Para Catherine, agentes genéricos não bastam para a modernização de sistemas críticos. A IA precisa considerar dados, códigos, regras de negócio e linguagens já usadas pelas empresas ao longo dos anos.

Modernização não é substituição automática

Marcelo Bergamini, superintendente sênior de tecnologia do Bradesco, afirmou que modernizar não significa desligar tecnologias existentes, mas entender o papel de cada ambiente na arquitetura corporativa.

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“Quando a gente fala em modernização, a primeira coisa que vem à mente é que a gente precisa desativar uma tecnologia. E não é esse o contexto”, disse.

Segundo Bergamini, empresas precisam avaliar o que faz sentido migrar para a nuvem e o que deve permanecer em ambientes mais robustos, como o mainframe. A decisão, afirmou, deve considerar custo, estabilidade, segurança, performance e criticidade da operação. “Eu não preciso dar um cavalo de pau no transatlântico”, afirmou.

Para o executivo, a modernização deve ocorrer por etapas, começando por jornadas menos críticas e preservando o core do negócio quando esse ambiente for o mais adequado.

Planejamento evita custo e perda de performance

Rodrigo Rondon, associate partner Latam da IBM Consulting, IBM Tech & Red Hat, afirmou que parte das empresas iniciou jornadas de modernização de forma desordenada, movida pelo “hype” tecnológico. O resultado, disse, aparece em custos mais altos, problemas de performance, integração e governança.

“Elas começaram modernizando de forma desordenada e hoje estão coletando um pouco a questão de custo alto, algumas questões com performance e integração”, afirmou.

Segundo Rondon, cada carga de trabalho deve estar no ambiente adequado. Sistemas centrais, que processam milhões de transações em pouco tempo e não podem parar, precisam ser modernizados sem interrupção da operação.

“Cada workload tem o seu lugar”, disse.

Na avaliação do executivo, o caminho é combinar ambientes críticos modernizados com camadas mais flexíveis, como canais digitais, atendimento e mobile. “Casando esses dois mundos, a gente consegue extrair o máximo de benefício, sem interrupção e de forma muito ordenada”, afirmou.

IA no ponto da transação

Lívio Sousa, CTO de IBM Z e especialista em modernização da IBM Brasil, afirmou que a IA precisa estar onde as transações acontecem e onde os dados são gerados.

“Eu preciso trazer a IA para onde a transação acontece, onde os dados novos estão sendo gerados”, disse.
Sousa comparou o mainframe a uma turbina de avião ou ao motor de um transatlântico: uma estrutura que o usuário final não vê, mas que sustenta operações críticas. Segundo ele, cerca de 70% das transações de valor no mundo passam por esse tipo de ambiente.

“Mainframe é como turbina de avião, é como motor de transatlântico”, afirmou. “É aquilo que a gente não vê hoje, é uma tecnologia, uma plataforma absolutamente estruturante.”

O executivo disse que há clientes em São Paulo processando até 150 mil transações por segundo. Para esse tipo de operação, afirmou, a IA precisa ser aplicada com previsibilidade de custo, consumo energético, segurança, criptografia e conformidade.

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