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BC manteve decisão sobre liquidação do Master em sigilo por temor de vazamentos
Publicado 12/08/2026 • 09:44 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 12/08/2026 • 09:44 | Atualizado há 1 hora
Lula Marques/ Agência Brasil
Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central (BC)
O Banco Central manteve sob sigilo interno a decisão de liquidar o Banco Master e limitou previamente o acesso à informação diante do temor de vazamentos. A medida, segundo relato do diretor de Fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino, à Polícia Federal, buscava evitar que a decisão chegasse ao conhecimento do banco antes de sua execução.
Aquino disse aos investigadores que havia circulação antecipada de informações relacionadas ao Master dentro do BC, incluindo análises, decisões e minutas de votos. O conteúdo consta de depoimento prestado à PF em 25 de maio e obtido pelo Estadão.
O diretor foi ouvido como testemunha em uma investigação que apura suspeitas envolvendo dois servidores ligados à fiscalização do Master, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza.
Leia também: Defesa de Jaques Wagner cita problemas técnicos para justificar adiamento de depoimento
Aquino afirmou que Belline e Paulo Sérgio não foram previamente informados sobre a decisão de liquidar o Master. Segundo o relato publicado pelo Estadão, poucas pessoas no Banco Central tinham conhecimento da medida antes de sua execução.
O diretor disse que a restrição não decorria, naquele momento, de uma suspeita específica de que os dois servidores fossem responsáveis pelos vazamentos. A preocupação, segundo ele, era mais ampla e envolvia a circulação antecipada de informações relacionadas ao Master.
Aquino relatou que decisões, análises e até minutas de votos chegavam ao conhecimento de instituições fiscalizadas e da imprensa antes da formalização dos processos. Segundo ele, a identidade dos responsáveis pelos vazamentos não foi identificada.
No depoimento, Aquino também contou que foi chamado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em 7 de janeiro de 2026, para tratar de informações sobre supostos pagamentos envolvendo Belline e Paulo Sérgio e pessoas ligadas ao controlador do Master, Daniel Vorcaro. A reunião teve ainda a participação do procurador do BC Cristiano Cozer.
Após ser informado das suspeitas, Aquino chamou os dois servidores para prestar esclarecimentos.
Belline relatou ter recebido R$ 2 milhões por um trabalho de consultoria prestado ao empresário Leonardo Palhares. Paulo Sérgio informou ter vendido um imóvel rural em Minas Gerais por R$ 4,5 milhões a uma pessoa ligada a Vorcaro.
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Siga o Times | CNBCApós os relatos, o Banco Central abriu um procedimento na corregedoria e afastou os dois servidores.
As defesas de Belline e de Paulo Sérgio negam irregularidades.
A defesa de Paulo Sérgio afirma que a venda do imóvel foi legítima, declarada às autoridades fiscais e não teve relação com qualquer vantagem indevida. Também sustenta que o servidor atuou de forma técnica na fiscalização do Master e defendia internamente a liquidação da instituição.
A defesa de Belline afirma que ele nunca recebeu pagamentos de Daniel Vorcaro ou do Banco Master e que não praticou atos para favorecer a instituição.
Aquino relatou ainda que Vorcaro insistiu em realizar uma reunião com a Diretoria de Fiscalização para apresentar uma proposta de venda do Master ao grupo Fictor, em consórcio com investidores árabes.
A videoconferência ocorreu em 17 de novembro de 2025. Segundo Aquino, a decisão de liquidar o Master já havia sido tomada naquele momento.
O diretor afirmou que encerrou o encontro sem assumir compromissos com Vorcaro e manteve em sigilo os preparativos para a liquidação. Segundo o depoimento, o banqueiro só deveria ser informado quando as equipes do Banco Central já estivessem prontas para executar a medida.
Aquino disse à PF que chegou a desconfiar de que Vorcaro pudesse ter tomado conhecimento antecipadamente da liquidação, mas afirmou não ter certeza.
Procurados pelo Estadão, o Banco Central e Gabriel Galípolo não se manifestaram.
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