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Apex Partners teme risco a seus projetos imobiliários em meio à crise de imagem e rombo multimilionário do caso Master Capixaba; veja a lista dos empreendimentos

Publicado 14/08/2026 • 07:36 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • Apex Partners diz que obras seguem em ritmo normal e que gestão financeira cabe às construtoras parceiras
  • Dívida líquida da Apex Partners quase dobra em um ano e meio e chega a R$ 975 milhões
  • Empresa afirma ter identificado sozinha as inconsistências e afastado o ex-presidente Fernando Cinelli
Empreendimento da Apex Partners em Vitória ES Master Capixaba

Divulgação

Empreendimento Parque Flora da Apex Partners em Vitória (ES), na Rua Oswaldo Bastos de Souza Freitas, 395, Jardim Camburi

A Apex Partners – sócia da CVC e pivô do escândalo conhecido como “Master Capixaba” – teme que a crise de imagem e o alto endividamento, que veio à tona após a revelação de um rombo multimilionário, publicou nota no LinkedIn para tentar conter a desconfiança de investidores e parceiros em torno dos empreendimentos imobiliários do seu portfólio.

Na publicação, a companhia capixaba diz que a gestão financeira e operacional de cada projeto segue sob responsabilidade das construtoras e incorporadoras parceiras, e que as obras em execução mantêm ritmo normal.

O momento é delicado para a Apex Partners, empresa de investimentos e assessoria financeira do Espírito Santo. Documentos apresentados pela própria companhia à Justiça mostram que a dívida líquida do grupo mais que dobrou em um ano e meio, para R$ 975 milhões.

Empreendimento Localização Parceiro
Arti Design Living Praia da Costa, Vila Velha (ES) Città Engenharia
Parque Flora Jardim Camburi, Vitória (ES) Sá Cavalcanti
Cyan Enseada do Suá, Vitória (ES) Nazca
Youniverse Enseada do Suá, Vitória (ES) Nazca
MoMa Residence Itajaí (SC) Aikon Empreendimentos
Solano Londrina (PR) Montrecon Construtora

Leia também: Master Capixaba: Apex Partners – sócia da CVC – consegue proteção judicial para não pagar R$ 985 milhões em dívidas

🔍 Apex Partners é uma gestora capixaba, privada, que comprou 15,5% da CVC e está no “Master Capixaba” – nada a ver com a Apex Brasil, agência federal de promoção de exportações e investimentos, vinculada ao MDIC.

Apex tenta afastar temor de investidores

Segregação patrimonial é o argumento central da nota. A Apex Partners explica que os empreendimentos são estruturados via Sociedade de Propósito Específico (SPE), modelo em que cada projeto forma um patrimônio próprio, separado do caixa da controladora.

🔍 Uma SPE é uma empresa criada apenas para tocar um projeto específico, como um empreendimento imobiliário, e responde de forma isolada pelas obrigações daquele negócio, sem misturar contas com a empresa que a criou.

A nota reforça ainda que a Companhia identificou por conta própria as inconsistências financeiras que motivaram a crise, e que agiu de forma imediata ao afastar o então presidente, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, do cargo. Uma auditoria externa está em fase final de contratação para dimensionar o tamanho do problema.

Leia também: Master Capixaba: Apex luta para evitar debandada de capital e segurar participação na CVC

Dívida da companhia quase dobra em um ano e meio

O quadro financeiro por trás do discurso tranquilizador é mais complexo do que a nota sugere. Debêntures próximas do vencimento, pedidos de resgate em fundos geridos pelo grupo e operações de cashback concentram centenas de milhões de reais em obrigações de curto prazo.

Parte dos ativos que sustentam essas obrigações vale menos em um cenário de venda rápida, o que reduz a margem de manobra da Apex para honrar compromissos sem recorrer a novas captações ou renegociações.

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Leia também: Caso ‘Master Capixaba’ faz CVC despencar na Bolsa e enfrentar crise da sócia às vésperas do balanço

Garantias internas ampliam a exposição da Apex

Um ponto que a nota não menciona é a composição das garantias por trás de parte da dívida. Algumas delas são formadas por participações em empresas do próprio grupo, o que amplia a pressão sobre o caixa em um cenário de estresse, já que o valor dessas garantias tende a cair junto com a crise da controladora.

A situação se conecta ao caso batizado pelo mercado de Master Capixaba, que envolve a compra de uma fatia superior a 15% da CVC pela Apex Partners e por fundos ligados à Carbyne e à Rhyno. A queda acentuada das ações da companhia de turismo desde o início de 2026 comprometeu parte da estrutura de garantias montada para viabilizar a operação.

Leia também: Master Capixaba: falha de governança expõe brecha usada por Apex Partners e GJP para mudar estatuto e evitar Oferta Pública de Aquisição de Ações na CVC

Cinelli é alvo de ação movida pela empresa

O afastamento de Cinelli, apresentado na nota como reação rápida da Companhia, teve desdobramento judicial. A Apex Partners informou que pretende cobrar o ex-presidente na Justiça por suposta gestão temerária e má-fé, além de buscar o bloqueio preventivo dos bens dele.

Em nota própria, Cinelli afirmou estar dedicado a contribuir para a preservação da companhia, dos investidores e dos acionistas, e disse ter disposição para esclarecer as questões levantadas com transparência.

O diretor financeiro Eduardo Siqueira também deixou o cargo. A presidência passou a ser exercida interinamente por Marcelo Murad, sócio da Apex Partners, enquanto a auditoria externa segue em contratação.

Leia também: Prejuízo ajustado da CVC mais que triplica e atinge R$ 51,3 milhões no segundo trimestre

A parceria com o BTG chegou ao fim

A Apex Partners encerrou a parceria com o BTG Pactual na frente de investimentos financeiros, ainda que as contas de clientes permaneçam sob custódia do banco durante a transição. O banco já havia fechado para resgates uma das classes de um fundo ligado à operação da CVC, depois que o volume de pedidos superou a liquidez disponível na carteira.

Fontes de mercado ouvidas por reportagens anteriores estimam que o problema financeiro por trás do caso pode variar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, faixa próxima à dívida líquida de R$ 975 milhões que consta nos documentos apresentados pela Apex Partners à Justiça.

Postagem no linkedIn da Apex Partners

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