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Funcionários da Amazon são alvo de investigação após críticas à expansão de data centers de IA

Publicado 18/06/2026 • 18:15 | Atualizado há 1 dia

KEY POINTS

  • Engenheiros da Amazon estão sendo investigados internamente após criticarem a expansão acelerada de data centers de IA e defenderem maior regulação governamental.
  • Funcionários participaram de audiência em Seattle que aprovou moratória de um ano na construção de grandes data centers, acusando o setor de expansão “a qualquer custo”.
  • Caso levanta debate sobre liberdade de expressão e governança interna na Amazon, em meio a grandes investimentos em IA e cortes de empregos corporativos.

Divulgação / Amazon Brasil

Um grupo de engenheiros da Amazon afirmou que está sendo alvo de investigação interna da empresa após criticar a expansão acelerada dos data centers de inteligência artificial e defender uma regulação governamental mais rígida.

No início do mês, cinco funcionários da companhia participaram de audiências do Conselho da Cidade de Seattle, onde autoridades ouviam opiniões públicas sobre uma proposta de moratória de um ano na construção de grandes data centers, uma pausa para dar tempo à cidade de criar regras específicas para esses projetos. A medida acabou aprovada por unanimidade no dia 9 de junho.

Durante as sessões, os funcionários criticaram os altos investimentos das big techs em IA, chamando o movimento de uma “expansão da IA a qualquer custo”.

Depois das audiências, três desses trabalhadores foram chamados separadamente para reuniões virtuais com o RH da Amazon. Segundo uma denúncia enviada ao Escritório de Direitos Civis de Seattle, a empresa informou que estava apurando possíveis problemas relacionados aos depoimentos deles.

De acordo com a denúncia, os funcionários foram avisados de que a investigação poderia resultar em punições disciplinares, e, em um dos casos, até demissão. Eles dizem que isso gerou um clima de intimidação e insegurança sobre o futuro deles na empresa.

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A acusação também afirma que a Amazon estaria monitorando a atuação política dos funcionários no conselho da cidade e tentando identificar outras pessoas envolvidas em atividades semelhantes.

A empresa, por sua vez, diz que respeita o direito dos funcionários de se manifestarem, mas afirma que eles precisam seguir certos procedimentos caso falem em nome da companhia.

Segundo a porta-voz Margaret Callahan, ao analisar o caso, a empresa entendeu que os funcionários podem ter falado como se representassem a Amazon, e não como cidadãos em caráter pessoal.

Ela afirmou ainda que a investigação serve para verificar possíveis violações de política interna, como em qualquer outro caso, e que não há decisão sobre punições. A Amazon também nega qualquer intenção de demissão e diz não tolerar retaliação.

Os funcionários fazem parte do grupo Amazon Employees for Climate Justice, formado por empregados e ex-empregados que já pressionam a empresa há anos por mudanças em temas climáticos, condições de trabalho e uso de tecnologia.

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Em 2020, dois dos fundadores do grupo foram demitidos após críticas públicas à empresa, incluindo pedidos por mais proteção contra a COVID-19 para trabalhadores de armazéns. Eles chegaram a fazer um acordo com a Amazon no ano seguinte após denúncia a órgãos trabalhistas dos EUA.

Mais recentemente, o grupo vem pedindo mais responsabilidade da empresa no desenvolvimento de IA e uma avaliação mais realista dos impactos dessa tecnologia.

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A discussão acontece num momento em que a Amazon planeja investir até US$ 200 bilhões em infraestrutura ligada à IA neste ano, ao mesmo tempo em que já cortou cerca de 30 mil empregos corporativos desde outubro, dentro de uma reestruturação liderada pelo CEO Andy Jassy, que quer transformar a empresa na “maior startup do mundo”.

A construção de data centers de IA também vem gerando resistência nos EUA. Uma pesquisa da Gallup indica que cerca de sete em cada dez americanos são contra a instalação desses centros em suas regiões, citando preocupações ambientais e impactos na qualidade de vida.

Um dos funcionários, Darius Irani, que trabalha na Amazon há mais de cinco anos, disse que não se arrepende de ter participado da audiência. Segundo ele, o objetivo era justamente defender a necessidade de regulação.

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“Tudo o que fiz foi testemunhar porque acredito que é importante o governo regular os data centers e a IA. Os trabalhadores precisam fazer parte dessas discussões.”

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