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Amazon: para alimentar data center no Texas, empresa aposta em usina a gás que pode ser a mais poluente dos EUA

Publicado 09/08/2026 • 09:59 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Amazon comprou uma área no Texas (EUA) para construir uma usina termelétrica movida a gás natural para fornecer energia a um novo data center.
  • Empreendimento poderá gerar até 7,65 gigawatts de eletricidade e funcionará sem conexão com a rede elétrica estadual.
  • Usina tem potencial para superar as emissões anuais de qualquer outra usina elétrica dos Estados Unidos e levanta preocupações.
Amazon

Foto: Unsplash

As ações da Amazon dispararam após o forte crescimento da AWS e a ampliação dos investimentos em inteligência artificial.

A Amazon confirmou a aquisição de uma área no oeste do Texas onde está sendo construída uma usina termelétrica movida a gás natural para fornecer energia a um novo data center da empresa.

O empreendimento, localizado no condado de Pecos, poderá gerar até 7,65 gigawatts de eletricidade e, inicialmente, funcionará sem conexão com a rede elétrica estadual.

O projeto chama atenção pelo potencial de emissões. De acordo com registros regulatórios analisados pela Cleanview, empresa que acompanha a infraestrutura energética associada a data centers, a usina, conhecida como GW Ranch, recebeu autorização para emitir até 33 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano.

Segundo o portal The Verge, o limite previsto na licença supera, em termos potenciais, as emissões anuais de qualquer outra usina elétrica dos Estados Unidos. A comparação, porém, considera o teto autorizado, e não necessariamente a quantidade que a instalação efetivamente emitirá. Usinas normalmente operam abaixo dos limites estabelecidos em suas licenças.

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35 turbinas para atender ao data center

Segundo os documentos do projeto, a GW Ranch terá 35 turbinas alimentadas por gás natural. A maior parte da eletricidade produzida deverá ser destinada diretamente ao data center planejado pela Amazon.

A estratégia permite que a empresa evite, ao menos inicialmente, depender da expansão da rede elétrica para conectar a nova instalação. O local escolhido fica em uma região remota do oeste do Texas, próxima a áreas importantes de produção de gás natural.

A Amazon não informou quanto pagou pela propriedade. A empresa também afirmou que avalia a utilização de energia solar e sistemas de armazenamento por baterias no complexo.

Demanda de inteligência artificial pressiona infraestrutura

O projeto ocorre em meio à expansão dos data centers utilizados para serviços de inteligência artificial. Essas instalações exigem grandes quantidades de eletricidade, enquanto empresas de tecnologia buscam ampliar rapidamente sua capacidade de processamento.

A dificuldade de obter novas conexões à rede elétrica tem levado desenvolvedores a procurar alternativas próprias de geração. Usinas a gás natural estão entre as opções utilizadas porque podem ser implantadas mais rapidamente do que algumas outras formas de geração.

Amazon, Google e Meta estão entre as grandes empresas de tecnologia que passaram a buscar soluções próprias ou dedicadas para garantir o fornecimento de energia necessário à expansão de seus data centers.

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Para Michael Thomas, fundador da Cleanview, a iniciativa no Texas pode indicar uma expansão desse modelo, com novos projetos de geração a gás operando de forma independente da rede elétrica.

Potencial de emissões supera usina a carvão

A licença da GW Ranch prevê um limite anual de 33 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Esse valor é mais que o dobro das emissões atribuídas à usina James H. Miller Jr., no Alabama, apontada como a usina elétrica mais poluente dos Estados Unidos em termos de emissões de CO₂, com cerca de 16 milhões de toneladas anuais.

A comparação não significa que a futura instalação da Amazon necessariamente emitirá 33 milhões de toneladas por ano. O número representa o máximo autorizado nos registros ambientais.

Embora o gás natural produza menos dióxido de carbono por unidade de eletricidade gerada do que o carvão, a capacidade projetada para a GW Ranch amplia o volume potencial de emissões do empreendimento.

Além do CO₂, usinas movidas a combustíveis fósseis podem liberar poluentes atmosféricos associados à formação de smog e a problemas respiratórios e cardiovasculares.

Projeto coloca metas climáticas da Amazon sob pressão

A construção da usina também ocorre em um momento de aumento das emissões da Amazon. A empresa participa do Climate Pledge, compromisso criado para alcançar emissões líquidas zero até 2040.

A companhia reconheceu que a expansão de data centers voltados à inteligência artificial dificulta o cumprimento dessa meta. Ao The New York Times, a porta-voz Margaret Callahan afirmou que as condições atuais são diferentes das existentes quando o compromisso climático foi criado, mas disse que a Amazon mantém sua meta.

O avanço do projeto no Texas evidencia o desafio de conciliar a expansão da infraestrutura necessária para inteligência artificial com a redução das emissões associadas ao consumo de energia.

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A expansão de usinas dedicadas a data centers também ganhou espaço na política energética dos Estados Unidos. O governo de Donald Trump tem defendido a ampliação da produção de petróleo, gás natural e carvão e adotado medidas para acelerar a construção de infraestrutura associada aos data centers.

No Texas, a Amazon informou que a geração própria de energia não deverá aumentar os custos de eletricidade para as famílias do estado. A empresa também afirmou que o complexo poderá gerar milhares de empregos, mas não divulgou estimativas detalhadas sobre o investimento total no empreendimento.

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