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EXCLUSIVO CNBC: Bessent comenta riscos do desenvolvimento acelerado da IA e cobra supervisão rigorosa de governos e empresas

Publicado 21/09/2026 • 10:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Scott Bessent afirmou à CNBC que o governo dos EUA pretende assumir responsabilidade sobre a supervisão dos riscos ligados à inteligência artificial.
  • O secretário defendeu mais fiscalização e mecanismos de controle, mas sem comprometer a liderança dos Estados Unidos na corrida tecnológica.
  • Bessent disse que a China também precisa participar das discussões sobre segurança, já que seus modelos de IA são “muito poderosos”.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o governo norte-americano não pode abrir mão da responsabilidade de supervisionar os riscos associados ao avanço da inteligência artificial (IA). Em entrevista exclusiva à CNBC, ele defendeu maior atenção regulatória a modelos avançados, sem abandonar a disputa tecnológica com a China.

Ao tratar dos riscos associados à tecnologia, Bessent foi direto ao definir o papel das autoridades. “O governo vai assumir a responsabilidade”, afirmou.

Segundo o secretário, os sistemas de IA continuam sendo desenvolvidos e administrados por pessoas, o que significa que empresas, pesquisadores e autoridades não podem atribuir exclusivamente à própria tecnologia a responsabilidade por eventuais falhas.

Leia também: Bessent defende intervenção no iene e alerta para riscos aos juros e mercados globais

Governo quer preservar capacidade de controle

Bessent comentou os alertas de pesquisadores de laboratórios de inteligência artificial sobre a possibilidade de que sistemas avançados representem riscos extremos. Para o secretário, porém, esses riscos não significam que os seres humanos já tenham perdido a capacidade de controlar os modelos.

“Os laboratórios de IA estão sendo controlados por humanos”, afirmou durante a entrevista. Na avaliação dele, problemas envolvendo agentes autônomos devem ser analisados também com base nas decisões tomadas pelas organizações responsáveis pelo desenvolvimento e pela operação desses sistemas.

Bessent indicou que o governo norte-americano considera necessário preservar sua capacidade de intervenção à medida que a tecnologia evolui. Ele também sinalizou que empresas podem reduzir o ritmo de desenvolvimento caso avaliem que isso seja necessário, desde que os Estados Unidos não comprometam sua posição estratégica no setor.

Incidentes ampliam pressão por fiscalização

As declarações ocorreram em meio ao aumento das preocupações com agentes autônomos de IA capazes de executar tarefas com maior autonomia.

Entre os episódios mencionados na discussão está um incidente envolvendo a plataforma Hugging Face, no qual agentes submetidos a avaliações de cibersegurança teriam ultrapassado limitações previstas no ambiente de testes e alcançado sistemas externos.

O episódio reforçou o debate sobre os mecanismos utilizados para impedir que modelos avançados realizem ações fora dos limites definidos pelos desenvolvedores.

Bessent afirmou que o governo precisa ampliar a atenção sobre esse tipo de ocorrência. Segundo ele, o presidente dos Estados Unidos tem defendido “colocar mais atenção” sobre o tema e dar maior definição à estrutura regulatória.

Na prática, a discussão envolve tanto regras para os laboratórios que desenvolvem modelos avançados quanto procedimentos para testes, monitoramento e resposta a incidentes.

China entra na discussão sobre segurança da IA

Bessent afirmou que a segurança da inteligência artificial também foi tema de suas conversas com autoridades chinesas.

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Segundo o secretário, os Estados Unidos precisam considerar a China na formulação de mecanismos internacionais de controle, principalmente porque os sistemas desenvolvidos no país asiático já alcançaram capacidades relevantes.

“Os modelos chineses são muito poderosos, mesmo os modelos abertos são muito poderosos”, declarou.

Bessent acrescentou que Washington ainda considera possuir vantagem tecnológica. “A gente continua, como Estados Unidos, na frente”, disse.

Ao mesmo tempo, ele apontou a falta de transparência como uma dificuldade adicional nas relações com Pequim. Na avaliação do secretário, incidentes envolvendo sistemas chineses nem sempre são comunicados de forma clara, o que limita a capacidade de outros países de avaliar os riscos envolvidos.

Ainda assim, Bessent defendeu que autoridades chinesas participem das conversas internacionais sobre mecanismos de segurança e controle da inteligência artificial.

Resiliência passa a ser uma das principais preocupações

Ao falar sobre as próximas etapas do debate, Bessent destacou que sua maior preocupação está relacionada à capacidade de empresas e instituições de continuar operando diante de falhas, ataques ou comportamentos inesperados dos sistemas.

“O perigo é a falta de resiliência”, afirmou.

Segundo ele, os laboratórios responsáveis pelos modelos mais avançados evoluíram rapidamente nos últimos anos, tanto em capacidade tecnológica quanto em valor econômico. Esse movimento, porém, precisa ser acompanhado por investimentos em segurança.

O secretário afirmou que a experiência acumulada pelo sistema financeiro pode servir de referência. Grandes bancos dos Estados Unidos, segundo Bessent, enfrentam constantemente tentativas de ataques digitais e desenvolveram estruturas robustas de cibersegurança.

A intenção é aproveitar parte desse conhecimento para fortalecer outros segmentos e ampliar a proteção de instituições menores, que normalmente dispõem de menos recursos tecnológicos.

Alertas sobre riscos extremos dividem o setor

O debate ganhou intensidade após pesquisadores ligados à segurança de IA fazerem advertências públicas sobre consequências potencialmente graves do avanço dos modelos. Entre eles está Jacob Coxon, ex-pesquisador da Anthropic, que deixou a empresa em setembro de 2026 após manifestar preocupação com a velocidade da corrida por sistemas mais avançados.

Coxon afirmou que profissionais diretamente envolvidos no desenvolvimento dessas tecnologias demonstram preocupação com a possibilidade de os modelos se tornarem progressivamente mais difíceis de controlar.

Outro pesquisador da Anthropic, Evan Hubinger, também apresentou uma estimativa elevada da probabilidade de uma catástrofe provocada por inteligência artificial.

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