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IPO da Shein pode ampliar concorrência no varejo: “dados e IA são a engrenagem que diferencia a empresa”, diz professor da FGV
Publicado 30/07/2026 • 14:07 | Atualizado há 6 dias
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Publicado 30/07/2026 • 14:07 | Atualizado há 6 dias
KEY POINTS
A aguardada abertura de capital da Shein na Bolsa de Valores de Hong Kong, prevista para o fim deste trimestre, pode marcar uma nova fase na concorrência do varejo de moda. A expectativa do mercado é que o IPO fortaleça o caixa da empresa, ampliando sua capacidade de investimento e reforçando sua estratégia de preços competitivos, o que tende a intensificar a disputa por consumidores em diversos mercados, incluindo o Brasil.
Segundo Leandro Guissoni, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), em participação no programa Real Time da Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a relevância da empresa vai além da oferta de produtos de baixo custo. Para ele, a Shein consolidou um modelo de negócios apoiado em tecnologia e análise de dados.
Leia também: Shein é investigada por agência dos EUA durante preparação para IPO
De acordo com Guissoni, a empresa utiliza informações geradas pela navegação dos consumidores para antecipar tendências de compra e ajustar rapidamente sua cadeia de fornecimento.
“Ela consegue monitorar o comportamento dos consumidores e prever quais produtos provavelmente serão vendidos. Dados e inteligência artificial são a engrenagem que diferencia a empresa no varejo de moda”, afirmou.
O professor destaca ainda que a Shein tem ampliado seu marketplace, permitindo a entrada de outros vendedores na plataforma. Apesar disso, a companhia ainda concentra a maior parte das vendas realizadas em seu ambiente digital.
A entrada na bolsa também deve aumentar o nível de fiscalização sobre a empresa. Nos últimos anos, a Shein foi alvo de questionamentos envolvendo propriedade intelectual, comercialização de produtos considerados irregulares e práticas relacionadas à cadeia de fornecimento.
Para Guissoni, a listagem em bolsa exige maior transparência e prestação de contas, mas os desafios enfrentados pela companhia não são exclusivos dela.
“Quando você se torna uma empresa pública, obviamente os olhares vêm mais para você. Muita coisa boa vai aparecer, muita coisa ruim também vai aparecer”, disse.
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Ele lembra que outras empresas listadas também enfrentam questionamentos sobre sustentabilidade, cadeia produtiva e conformidade regulatória. Na avaliação do professor, a abertura de capital aumenta o nível de cobrança por parte de investidores, clientes e demais partes interessadas.
Antes da opção por Hong Kong, a Shein buscou abrir capital em outros centros financeiros, como Estados Unidos e Reino Unido. As tentativas encontraram obstáculos regulatórios e questionamentos relacionados às práticas da empresa, especialmente em temas ligados à sustentabilidade.
Segundo Guissoni, a escolha da bolsa de Hong Kong pode reduzir ainda mais as possibilidades de acesso da empresa a determinados mercados ocidentais.
“Ela tentou abrir capital em outros países e algumas questões envolvendo suas práticas acabaram criando barreiras. Agora, com a listagem em Hong Kong, talvez mercados como Estados Unidos e Europa se fechem ainda mais para a empresa”, afirmou.
Embora os preços baixos continuem sendo um dos principais atrativos da Shein, Guissoni avalia que o comportamento do consumidor, especialmente das novas gerações, tem ampliado o peso de fatores como conveniência, variedade e personalização.
“O preço é um grande diferencial, mas o consumidor também busca conveniência, personalização e uma experiência digital otimizada. A Shein consegue entregar essa combinação”, explicou.
Na avaliação do especialista, o modelo de produção sob demanda adotado pela empresa representa uma evolução do conceito de fast fashion ao permitir maior rapidez na adaptação às preferências dos consumidores e na oferta de produtos.
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