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Meta aposta em óculos sem câmera para contornar temor com privacidade

Publicado 23/09/2026 • 22:15 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • Meta apresentou óculos inteligentes sem câmera, com recursos de áudio e IA, diante das preocupações globais relacionadas à privacidade.
  • Empresa também anunciou novos modelos com câmera, óculos de realidade mista mais leves e o assistente pessoal de IA Muse.
  • Meta enfrenta questionamentos sobre segurança infantil e privacidade enquanto amplia investimentos para competir no mercado de inteligência artificial.

Foto: Divulgação / Meta

Ray-Ban Meta Audio no modelo Clubmaster, em preto brilhante com detalhes dourados e lentes Transitions verde-grafite

A Meta apresentou nesta quarta-feira (23) uma nova geração de dispositivos equipados com inteligência artificial, incluindo óculos inteligentes sem câmera e baseados apenas em áudio. O lançamento ocorre em meio ao aumento das preocupações globais com privacidade e com casos de mulheres e meninas filmadas sem consentimento por câmeras discretas instaladas em dispositivos vestíveis.

O CEO da companhia, Mark Zuckerberg, anunciou os produtos durante a conferência anual Connect, realizada na sede da Meta em Menlo Park, na Califórnia. O executivo também apresentou o Muse, novo assistente pessoal de inteligência artificial da empresa.

Há quase 2 bilhões de pessoas no mundo que usam óculos atualmente (…) e acreditamos que, nos próximos anos, a maioria deles será atualizada para óculos com IA”, disse Zuckerberg diante de desenvolvedores e executivos presentes no evento.

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Privacidade entra no centro dos novos óculos

A versão exclusivamente de áudio chega ao mercado em um momento de crescentes questionamentos sobre violações de privacidade provocadas por pequenas câmeras incorporadas a óculos e outros dispositivos vestíveis. Críticos chegaram a apelidar esses equipamentos de “óculos de pervertido”.

Os óculos inteligentes permitem que os usuários tirem fotografias, gravem vídeos, escutem música, façam chamadas telefônicas, traduzam textos e interajam com assistentes de inteligência artificial. O modelo sem câmera será oferecido paralelamente a dezenas de novos dispositivos que continuarão permitindo gravações de vídeo.

Vishal Shah, vice-presidente de produtos de IA da Meta, afirmou que recursos capazes de indicar claramente quando uma gravação está sendo realizada são fundamentais para a privacidade.

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Queríamos que as pessoas entendessem claramente que aquilo estava gravando, e tornamos essa luz mais explícita ao longo do tempo”, explicou Shah.

Segundo o executivo, a empresa já havia enfatizado o mecanismo quando os primeiros óculos chegaram ao mercado, mas precisa voltar a reforçar essa mensagem. “Nada disso mudou”, acrescentou.

Meta amplia linha de dispositivos

A Meta entrou no mercado de óculos inteligentes em 2021 e, desde então, adicionou recursos mais avançados aos equipamentos. No ano passado, a companhia apresentou modelos com display capaz de projetar imagens diretamente sobre as lentes.

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No início deste ano, a empresa lançou também óculos de IA com a própria marca Meta, separados da parceria com a fabricante EssilorLuxottica, responsável por diferentes modelos Ray-Ban Meta e Oakley Meta.

A companhia anunciou agora novos estilos de seus principais óculos Meta Ray-Ban. A versão equipada com display, com preços a partir de US$ 799 (R$ 4.130,83), será disponibilizada em novos mercados, entre eles Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Canadá.

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Outra novidade será uma linha de óculos de realidade mista mais leves que os antigos headsets Quest de realidade virtual. Batizados de Meta VR Glasses, os dispositivos utilizam um conjunto externo de bateria e memória conectado por um cabo, permitindo reduzir o peso do equipamento colocado sobre a cabeça.

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Segundo Zuckerberg, os óculos pesam aproximadamente o mesmo que um baralho de cartas. O dispositivo não possui controles externos e funciona por meio de gestos das mãos e comandos de voz.

Os Meta VR Glasses estão previstos para chegar ao mercado na primavera de 2027, por US$ 1.299 (R$ 6.715,83).

Muse amplia aposta em inteligência artificial

Além dos novos dispositivos, a Meta apresentou o Muse, primeiro aplicativo de IA agêntica da companhia voltado aos consumidores. O sistema foi desenvolvido para executar tarefas em nome dos usuários, funcionando como um assistente pessoal digital.

Depois de conectar contas pessoais, incluindo serviços financeiros, informações relacionadas à saúde e plataformas de compras, o usuário poderá pedir ao Muse que faça inscrições em serviços, marque compromissos e realize chamadas telefônicas.

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A Amazon bloqueou nesta semana o uso de robôs de IA da Meta para realizar compras automaticamente em nome dos usuários. Em sentido contrário, Instacart, Shopify e Expedia anunciaram parcerias para integrar seus serviços ao Muse. Segundo a Meta, Walmart, Best Buy, Gap e Sephora também participarão da plataforma.

Construído a partir dos próprios modelos de inteligência artificial da Meta, o Muse foi projetado para disputar espaço com o ChatGPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic.

Pressão sobre segurança e privacidade

A Meta, que obtém a maior parte de sua receita com publicidade no Instagram e no Facebook, enfrenta uma pressão crescente relacionada à segurança de crianças e à proteção da privacidade em diferentes países.

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Em agosto, a companhia fechou um acordo em um processo movido por estados norte-americanos que acusavam a empresa de violar leis de proteção ao consumidor e de privacidade infantil na internet. Pelo acordo, a Meta aceitou pagar até US$ 18 bilhões (R$ 93,06 bilhões) e adotar restrições destinadas a adolescentes.

A empresa também enfrenta restrições e proibições baseadas em idade em outros países, além de milhares de possíveis processos por danos pessoais nos Estados Unidos.

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