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Mais executivos miram conselhos no Brasil, mas renovação cai a 18%
Publicado 25/07/2026 • 18:30 | Atualizado há 48 minutos
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Publicado 25/07/2026 • 18:30 | Atualizado há 48 minutos
KEY POINTS
O interesse de executivos por cadeiras em conselhos de administração cresce no Brasil justamente em um momento em que as empresas reduzem o ritmo de renovação e se tornam mais seletivas na escolha dos novos integrantes.
O Board Index Brasil 2025, da Spencer Stuart, identificou 191 novos conselheiros nas companhias analisadas, o equivalente a 18% do total de membros. No levantamento anterior, essa parcela era de 24%.
A própria pesquisa atribui parte da queda ao menor número de empresas que ingressaram na amostra. Ainda assim, os dados revelam que a abertura efetiva para novos perfis continua limitada.
Dos 191 classificados como novos, 106 começaram o primeiro mandato em uma ou mais empresas analisadas. Eles representaram 55% das novas nomeações, mas apenas 10% de todos os integrantes dos conselhos da amostra.
O resultado revela o contraste entre mais profissionais buscando cursos de governança e cada vaga passando a ser associada a uma necessidade estratégica.
“Cada cadeira nova precisa justificar uma lacuna estratégica”, afirma Fátima Gouveia, sócia-fundadora da Tryvea e integrante do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, o IBGC.
Segundo ela, o movimento representa mais seletividade do que uma paralisação da renovação. Nos últimos anos, temas como sustentabilidade, cibersegurança e digitalização levaram empresas a rever a composição dos conselhos. Agora, a tendência seria renovar com objetivos mais definidos.
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A formação em governança pode ajudar um candidato a entrar na lista inicial, mas deixou de funcionar como diferencial suficiente.
A escolha de um conselheiro não segue a mesma lógica da contratação de um executivo. Enquanto um cargo de direção costuma responder a uma necessidade operacional imediata, a composição do conselho está ligada à estratégia de médio e longo prazo.
As empresas buscam preencher lacunas em áreas como inteligência artificial, gestão de riscos, internacionalização, sustentabilidade, sucessão e cultura organizacional. Também procuram profissionais capazes de questionar decisões consolidadas e apresentar perspectivas que ainda não estejam representadas no colegiado.
Para Fátima, o processo continua influenciado por reputação e relacionamentos profissionais. A confiança construída ao longo da carreira pode pesar tanto quanto a aderência técnica do candidato à necessidade do conselho.
Os dados mostram que a circulação entre diferentes empresas é relativamente baixa. Cada conselheiro participa, em média, de 1,14 conselho, e 89% ocupam apenas uma cadeira entre as companhias analisadas. Cerca de 8% participam de dois conselhos e aproximadamente 2% estão em três.
Apesar dos números não comprovarem que as empresas escolham apenas nomes conhecidos, mas, segundo Fátima, indicam que quem já está inserido nesse mercado ainda possui vantagem.
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Siga o Times | CNBCA experiência como presidente de empresa continua funcionando como filtro relevante nos processos de seleção.
Ter comandado uma companhia traz repertório em estratégia, gestão de crises, alocação de capital e relacionamento com diferentes públicos. O problema surge quando essa trajetória é tratada como garantia automática de desempenho no conselho.
“Ser CEO ensina a decidir e executar; conselho pede o oposto: perguntar, provocar, sustentar posição sem estar na operação”, afirma Fátima.
O conselheiro influencia uma decisão colegiada, supervisiona a gestão e acompanha riscos, mas não deve substituir a diretoria na condução cotidiana da empresa.
Essa mudança exige o abandono do impulso de resolver pessoalmente os problemas. Um dos erros mais comuns, segundo Fátima, é o ex-executivo continuar dando ordens, interferindo na operação ou atuando como se ainda ocupasse a cadeira de CEO.
Segundo a pesquisa, um CEO participava do conselho da própria companhia em 20% das empresas analisadas em 2025, abaixo dos 26% do levantamento anterior. A proporção de conselheiros com funções executivas na mesma empresa também recuou, de 4,6% para 4,1%.
Para Fátima, a tendência reflete um amadurecimento da governança. A relação entre CEO e conselho deve permanecer próxima, mas com responsabilidades diferentes: a diretoria executa, enquanto o colegiado questiona, supervisiona e amplia a perspectiva.
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A ampliação das responsabilidades dos conselhos também alterou as competências exigidas.
Em inteligência artificial, não se espera necessariamente domínio técnico, mas capacidade de avaliar como a tecnologia muda a estratégia, os riscos e a vantagem competitiva da companhia.
Na gestão de riscos, ganham espaços profissionais capazes de antecipar impactos de cibersegurança, geopolítica e mudanças regulatórias antes que se transformem em crises.
A sucessão também se tornou uma atribuição permanente, uma vez que o conselho precisa acompanhar a preparação de potenciais substitutos para o CEO e outros executivos, em vez de tratar o tema apenas quando uma saída se torna iminente.
Além disso, cultura organizacional e capital humano completam esse conjunto. O conselheiro deve compreender como retenção de talentos, comportamento da liderança e ambiente interno influenciam a execução da estratégia, sem assumir a gestão direta das equipes.
Mulheres representaram 20% dos novos integrantes, acima dos 18,7% registrados no conjunto dos conselhos. Para Fátima, diversidade e experiência não são critérios concorrentes, mas fatores complementares na qualidade das decisões.
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