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Mercedes-Benz pode ficar fora do mercado dos EUA por projeto de lei voltado à participação chinesa em montadoras

Publicado 29/05/2026 • 23:15 | Atualizado há 42 minutos

KEY POINTS

  • Projeto de lei na Câmara dos Representantes voltado a bloquear montadoras ligadas à China pode resultar na proibição da venda de novos veículos da Mercedes-Benz nos Estados Unidos.
  • A maior acionista individual da Mercedes-Benz é a BAIC, montadora estatal chinesa que detém participação de 9,98% na fabricante alemã.
  • Fontes disseram à CNBC que as exceções previstas na legislação não se aplicariam à Mercedes-Benz, apesar da forte presença industrial da empresa nos EUA.

A Mercedes-Benz pode acabar excluída do mercado automotivo dos Estados Unidos – proibida de fabricar ou vender novos veículos no país – sob uma legislação que avança no Congresso americano.

Uma nova proposta bipartidária destinada a limitar a participação chinesa no setor automotivo dos EUA pode atingir a Mercedes-Benz, a menos que o texto seja alterado ou que o maior acionista da montadora alemã venda sua participação.

O projeto de lei, denominado Motor Vehicle Modernization Act of 2026, proibiria montadoras que tenham “qualquer participação acionária direta ou indireta de um governo estrangeiro adversário”, como a China, de importar, vender ou fabricar veículos destinados ao mercado americano.

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A maior acionista individual da Mercedes-Benz é a BAIC, montadora estatal chinesa anteriormente conhecida como Beijing Automotive Industrial Corp., com uma participação de 9,98%. As possíveis consequências da proposta para a fabricante ainda não haviam sido divulgadas anteriormente.

Diversas pessoas familiarizadas com a legislação disseram à CNBC que existem zonas cinzentas no texto que, dependendo da interpretação adotada, poderiam impedir a Mercedes-Benz de operar nos Estados Unidos.

Duas fontes que falaram sob condição de anonimato por receio de represálias ou por não terem autorização para comentar publicamente afirmaram acreditar que o projeto, da forma como está redigido atualmente, proibiria a atuação da empresa no país.

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“A linguagem é inequívoca”, afirmou um ex-assessor de política automotiva e lobista consultado sobre a proposta.

Limite para participação estrangeira

O projeto surge em um momento em que parlamentares de ambos os partidos buscam impedir que montadoras chinesas ganhem espaço no mercado americano, mesmo com a presença de capital chinês já espalhada por diferentes segmentos da indústria automobilística global.

A proposta é patrocinada pelo presidente do Comitê de Energia e Comércio da Câmara, Brett Guthrie, republicano do Kentucky, e ainda não possui versão correspondente no Senado. O texto prevê exceções para empresas apoiadas pela China, mas não para aquelas que tenham participação direta ou indireta do governo chinês.

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Montadoras que fabricam veículos de passeio nos Estados Unidos há pelo menos cinco anos antes de 1º de janeiro de 2026 poderiam se qualificar para uma exceção. No entanto, a proposta determina que essa exceção não se aplica a empresas que possuam “qualquer participação acionária direta ou indireta de um governo estrangeiro adversário”.

A China aparece na lista de adversários estrangeiros ao lado de Rússia e Coreia do Norte.

O projeto prevê a proibição, por cinco anos após sua aprovação, da fabricação, venda ou importação de veículos nos Estados Unidos por empresas enquadradas nessas condições.

Não está claro como surgiu a redação referente à participação acionária nem se a Mercedes-Benz foi atingida de forma não intencional, mas a influência chinesa tem sido uma preocupação recorrente entre políticos americanos. No ano passado, o governo Trump aprovou um acordo para manter o TikTok operando nos EUA por meio da criação de uma nova estrutura societária, na qual investidores americanos e a MGX, de Abu Dhabi, detêm a maioria das ações, enquanto a chinesa ByteDance mantém quase 20% de participação.

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Daniel Kelly, secretário de imprensa do Comitê de Energia e Comércio, confirmou os detalhes da proposta, mas se recusou a comentar os impactos potenciais para empresas específicas, incluindo a Mercedes-Benz.

Um porta-voz da Mercedes-Benz, que possui duas grandes fábricas de montagem e emprega mais de 11 mil pessoas nos Estados Unidos, também se recusou a comentar, citando a política da empresa de não se manifestar sobre legislações em tramitação.

Participação acionária chinesa

Embora a BAIC seja controlada pelo governo chinês, o projeto também estabelece restrições para empresas “controladas por” um adversário estrangeiro, definição que inclui participação de 15% detida por uma pessoa ou grupo de pessoas estrangeiras.

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O segundo maior acionista individual da Mercedes-Benz é o bilionário chinês Li Shufu, fundador e presidente da Geely, por meio da empresa Tenaciou3 Prospect Investment. Sua participação corresponde a 9,69% das ações da Mercedes-Benz.

Juntos, Li Shufu e a BAIC controlam 19,67% da Mercedes-Benz Group AG, controladora da montadora, de suas marcas e de suas operações financeiras.

Outra proposta apresentada recentemente inclui cláusula semelhante de participação de 15%. O projeto, chamado Connected Vehicle Security Act of 2026, foi apresentado no Senado pelos senadores Bernie Moreno e Elissa Slotkin, e na Câmara pelos deputados John Moolenaar e Debbie Dingell. As exceções dessa legislação, porém, ainda não foram definidas.

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Dependendo das exceções adotadas, essa regra de 15% também poderá afetar outras montadoras com participação chinesa, como Volvo, além de fabricantes menores como Faraday Future, Lotus e Karma Automotive.

“Os detalhes importam”

A maior fábrica da Mercedes-Benz nos Estados Unidos está localizada em Tuscaloosa, no Alabama. Segundo a empresa, a unidade produziu mais de 4,5 milhões de veículos desde o início das operações, em 1997.

Os esforços de lobby da Mercedes-Benz têm sido limitados nos últimos anos e contam com apoio bipartidário, embora a montadora também atue por meio de associações setoriais das quais faz parte.

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John Bozzella, CEO da Alliance for Automotive Innovation, afirmou em carta enviada na semana passada a Guthrie e ao deputado Frank Pallone que o projeto representa “progresso substancial em várias prioridades de política pública que a indústria automobilística americana compartilha com os membros do comitê”.

Segundo Bozzella, a estratégia da China para “dominar a fabricação automotiva global” representa “um perigo claro e presente para a segurança econômica e nacional americana”.

Ele acrescentou que a entidade continuará trabalhando com os parlamentares para aperfeiçoar a legislação, ressaltando que “os detalhes importam”.

A Alliance for Automotive Innovation e a Autos Drive America, grupo que representa montadoras estrangeiras e inclui a Mercedes-Benz, se recusaram a comentar os impactos específicos da proposta.

As novas propostas se somam a restrições já aprovadas para veículos conectados que utilizem software de países como a China a partir do ano-modelo 2027 e hardware desses países a partir do ano-modelo 2030.

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Veículos conectados possuem acesso à internet e comunicação sem fio com outros automóveis, tecnologia que, segundo seus defensores, contribui para a segurança viária.

A Volvo, controlada majoritariamente pela Geely de Li Shufu, informou nesta semana ter recebido autorização específica do governo dos EUA para contornar restrições federais relacionadas a software e hardware chineses em veículos conectados.

A montadora confirmou a autorização, mas não respondeu imediatamente a perguntas sobre os demais projetos de lei e seus possíveis impactos.

A Volvo vendeu 121,6 mil veículos nos Estados Unidos no ano passado. Já a Mercedes-Benz comercializou 303,2 mil automóveis de passeio e 12,4 mil vans no mesmo período.

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