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Nvidia pode crescer mais de 90%, mas desaceleração exige cautela com balanço, diz CEO da Dolado

Publicado 25/08/2026 • 17:31 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Comparação anual pode inflar a percepção sobre o avanço da Nvidia, já que a base anterior foi afetada por restrições à China.
  • Crescimento trimestral deve cair de 20% para 11,5%, sinalizando perda de ritmo mesmo com a demanda elevada por chips de IA.
  • Energia, financiamento e regulação serão decisivos para determinar até onde pode avançar a expansão global dos data centers.

O crescimento de mais de 90% esperado para a Nvidia na comparação anual pode transmitir uma percepção exagerada sobre o ritmo atual da companhia, segundo Guilherme Freire, CEO da Dolado. Para ele, o mercado deveria observar principalmente a evolução trimestre a trimestre, que já indica uma desaceleração, além dos obstáculos ao financiamento da infraestrutura necessária para sustentar a corrida pela inteligência artificial.

Em entrevista nesta terça-feira (25) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Freire afirmou que os resultados da fabricante de chips devem ser analisados além da demanda por semicondutores, considerando também energia, financiamento, regulação e construção de data centers.

Base de comparação distorce crescimento

A expectativa de avanço superior a 90% no faturamento em relação ao mesmo período do ano anterior chama atenção, mas Freire ponderou que a comparação parte de uma base prejudicada por dificuldades enfrentadas anteriormente pela Nvidia.

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Eu olharia isso com muita cautela, porque esse número analisado isoladamente dá uma impressão de um crescimento realmente maluco”, afirmou. Segundo ele, a Nvidia apresentou um resultado mais fraco no primeiro trimestre do ano passado devido a questões envolvendo exportações para a China.

Por isso, Freire considera mais adequado acompanhar a evolução sequencial da companhia. “Eu acho um erro olhar ano contra ano e dar essa impressão de que praticamente dobrou, porque a base não era tão alta assim, porque ela estava sendo penalizada”, explicou.

Eu prefiro muito mais, nessa análise, a gente olhar versus o trimestre passado e olhar como está a curva de crescimento trimestre a trimestre, como isso tem se comportado”, acrescentou. Para Freire, avaliar apenas a expansão anual pode levar a conclusões equivocadas sobre “a solidez da empresa e como isso está se refletindo nas ações da Nvidia”.

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Ritmo trimestral perde força

A elevada expectativa em torno da companhia também aumenta o risco de reação negativa das ações caso os números fiquem abaixo das projeções. Para Freire, esse é um momento que exige cautela dos investidores.

Embora o crescimento ano a ano deva vir muito forte, na casa acima dos 90%, no trimestre passado, ano contra ano, veio 85%”, destacou. A trajetória muda, porém, quando a comparação é feita entre trimestres consecutivos.

No primeiro trimestre, segundo Freire, o crescimento foi de 20% sobre o período imediatamente anterior. Para o trimestre atual, a expectativa é de 11,5%. “É quase metade. Ainda assim pode ser muito bom. Porém, o que o mercado já está precificando é que é uma empresa que já vem diminuindo o ritmo de crescimento por vários fatores”, avaliou.

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Essa percepção também aparece no comportamento das ações. “Se você olhar a valorização da ação desde o começo do ano, ela cresceu um pouco mais de 17%, enquanto o crescimento está quase dobrando de tamanho”, afirmou. Para ele, a diferença reflete a cautela dos investidores sobre a capacidade da Nvidia de manter o ritmo observado nos últimos trimestres.

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Data centers são o próximo teste

Os números da Nvidia também podem oferecer pistas sobre a continuidade dos investimentos globais em infraestrutura de inteligência artificial. Freire ressaltou que observar somente a venda de chips não é suficiente para compreender o estágio atual dessa expansão.

A demanda é muito alta e eu não tenho dúvida de que isso vai se confirmar, que essa demanda só vai continuar crescendo”, afirmou. O especialista, porém, destacou que um data center depende de uma infraestrutura muito mais ampla do que os próprios processadores.

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Além do chip, para operar um data center você tem todos os componentes de toda a rede para fazer esses chips conversarem. E isso tudo é o que eu quero ver”, explicou. Segundo Freire, a Nvidia separa em seus resultados a receita proveniente dos chips daquela ligada à rede e a outros componentes, segmento que também apresenta forte crescimento.

O avanço, no entanto, enfrenta limitações importantes. “Tem várias limitações aqui: energia, a parte regulatória, toda a parte de construção dos data centers, como vão ser financiados esses data centers”, enumerou.

A grande questão, segundo Freire, é se haverá recursos e infraestrutura suficientes para acompanhar a demanda. “A demanda por chips vai continuar. Agora, vai ter capital para continuar bancando nesse ritmo? Vai ter energia para continuar bancando nesse ritmo? A regulação do governo americano vai permitir essa abertura de data centers na velocidade que está acontecendo?”, questionou.

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Efeito pode chegar a empresas menores

Um balanço forte da Nvidia pode beneficiar outras companhias ligadas ao ecossistema de inteligência artificial, especialmente empresas menores dependentes de financiamento para ampliar suas operações.

Freire destacou que a Nvidia também vem assumindo um papel relevante na oferta de liquidez ao setor. “A Nvidia hoje está entrando no campo de financiar muitas empresas no que chama de financiamento circular”, afirmou.

Segundo ele, o balanço robusto da companhia permite mobilizar recursos ao lado de outros participantes do mercado. Freire citou como exemplo um pacote de meio trilhão de dólares anunciado recentemente. “Isso tende a beneficiar vários players de mercado, principalmente as NeoClouds, que são empresas de bem menor porte que não teriam acesso a esse nível de liquidez, esse nível de crédito nas condições que vão ter com a Nvidia”, explicou.

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A manutenção desse ciclo dependerá, portanto, da capacidade financeira da própria fabricante de chips. “Se a Nvidia continuar tendo um balanço muito forte, continuar tendo acesso a esse nível de liquidez e continuar conseguindo movimentar o ecossistema, trazendo grandes fundos como a Blackstone, acredito que isso possa ser muito positivo para esses ativos de menor porte”, concluiu.

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